A volatilidade dos preços dos fertilizantes artificiais, causada por conflitos globais, também está por trás de um aumento significativo na conversão de terras agrícolas.
A área de terras cultivadas organicamente em todo o Reino Unido aumentou de forma significativa no último ano, impulsionada pela demanda dos consumidores, pelo apoio político e pela volatilidade dos preços dos fertilizantes químicos.
A quantidade de terras agrícolas orgânicas que exige limites rigorosos no uso de pesticidas e fertilizantes artificiais — permaneceu praticamente estável durante a última década.
No entanto, houve um salto de 7,3% no ano passado, elevando o total para 540 mil hectares, o maior nível em mais de dez anos. Segundo dados do governo divulgados na quinta-feira, a área em processo de conversão que leva dois anos para se tornar totalmente orgânica aumentou 63% desde 2024.
Lucy Eyre, de 36 anos, que administra uma fazenda de 125 acres de criação de bovinos e ovinos perto de Welshpool, na divisa entre Powys e Shropshire, está entre a nova onda de produtores em transição para o orgânico. Embora já cultivasse respeitando os princípios da natureza, o alto custo dos insumos, como fertilizantes, e um subsídio recente serviram de incentivo para formalizar sua certificação.
“Fertilizantes e insumos em geral estão entre os maiores custos para os agricultores, mas também são os mais voláteis e imprevisíveis”, afirmou Eyre, integrante da Nature Friendly Farming Network.
A última crise energética, há cinco anos, provocou uma disparada nos preços dos fertilizantes e o fechamento de fábricas do setor. Agora, os preços voltaram a subir após interrupções no fornecimento de gás no Estreito de Hormuz.
A migração para o sistema orgânico também é impulsionada pelo desejo de proteger os ecossistemas locais. Merry Albright, de 49 anos, administra uma propriedade de pouco menos de 50 acres perto de Leominster, no norte de Herefordshire. Sua terra inclui um pomar histórico com variedades raras e não catalogadas de maçãs para sidra e perada, além de pastagens para ovelhas e campos de flores silvestres.
Albright foi motivada pela grave poluição por fosfato que afeta o rio Lugg, nas proximidades.
“Eu não queria que nada da minha propriedade fosse parar no rio sabendo que poderia causar danos”, disse.
Testes de solo confirmaram que sua terra já possuía nutrientes suficientes, reforçando sua decisão de evitar fertilizantes artificiais.
O crescimento das terras orgânicas, porém, não ocorre de forma uniforme no Reino Unido. Enquanto a área na Inglaterra permanece praticamente estagnada, a Escócia registrou uma expansão expressiva. A Inglaterra adicionou apenas 4.400 hectares no último ano, enquanto a Escócia registrou aumento de 36.700 hectares.
Alison Muirhead, gerente comercial sênior da Soil Association Certification principal certificadora de fazendas orgânicas do Reino Unido afirmou que níveis como esses não eram vistos na Escócia há mais de uma década.
Segundo ela, um dos principais fatores foi a promessa do governo escocês de dobrar a área orgânica até 2026, apoiada por um plano de ação e incentivos financeiros.
“O governo tem defendido fortemente o sistema orgânico. Eles afirmam que ele contribui para as metas de neutralidade de carbono, biodiversidade e para a reputação global do país como produtor de alimentos de qualidade”, afirmou Muirhead.
Isso, segundo ela, deu aos agricultores mais confiança para investir na conversão.
Entre as culturas orgânicas, frutas e nozes registraram o maior crescimento percentual, com aumento de 6,1%, alcançando 2.400 hectares.
Muirhead afirmou que esse crescimento reflete a busca dos consumidores por alimentos mais saudáveis. As frutas também costumam funcionar como uma “categoria de entrada” para consumidores que querem experimentar alimentos orgânicos e evitar pesticidas.
Apesar do crescimento, a área manejada organicamente ainda representa uma parcela pequena cerca de 3% de toda a área agrícola do Reino Unido.
Por outro lado, o mercado de alimentos e bebidas orgânicas atingiu £3,9 bilhões no último ano, com alta de 4,2%. A empresa de cestas orgânicas Riverford registrou crescimento de 6% até maio de 2025.
Muirhead acredita que a área de cultivo orgânico continuará crescendo nos próximos anos, impulsionada pela demanda dos consumidores, pelo apoio do governo escocês e pelas pressões sobre o abastecimento de fertilizantes.
As vendas de alimentos e bebidas orgânicas tiveram seu último grande boom nos anos 2000, quando aumentaram as preocupações dos consumidores com meio ambiente e saúde. Redes de supermercados como Tesco e Marks & Spencer (M&S) também lançaram iniciativas sustentáveis, incentivando mais agricultores a migrar para o orgânico.
No entanto, a crise financeira de 2008 provocou uma queda na demanda, levando muitos produtores a abandonar a produção orgânica.
Fonte: The Times
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