Produtor de Orgânicos

O agricultor que consegue produzir soja orgânica em grandes quantidades

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Rio, 5 de outubro de 2020.
Rogério Vian, foto: G1

Por Rikardy Tooge, G1

Um produtor rural tem conseguido colher grandes quantidades de soja em Goiás apenas com técnicas da agricultura orgânica e sem uso de produtos químicos.

Em um primeiro momento, é difícil imaginar que a soja, principal item de exportação do Brasil, produzida quase que em escala industrial, possa ser mais sustentável. Rogério Vian viu que é possível, mas não é fácil.

Ele levou pelo menos 12 anos para conseguir transformar a lavoura convencional em uma livre de produtos químicos. Agora, os resultados agronômicos e financeiros passaram a compensar, diz o produtor de 44 anos.

“Os primeiros anos de orgânico foram horríveis. No primeiro ano, colhemos 28 sacas por hectare enquanto os outros colhiam mais de 60. Este ano eu já consegui área com 60 sacas por hectare. O orgânico é um nicho e eu estou pronto para ele”, diz.

Como é feito

A produção orgânica não segue uma regra, o agricultor precisa entender as características da região dele e do solo, por exemplo. A partir disso é que ele vai traçar sua própria estratégia.

“É uma caixa de ferramenta, você escolhe o que vai usar. Quer usar pó de rocha na adubação? Homeopatia para controlar insetos? O produtor começa por onde ele quiser, só que o principal é o conhecimento”, explica Vian.

Tudo começa nas sementes: por lá os grãos são de soja comum, nada de transgênicos. Após isso, ele faz o tratamento biológico do que vai ser plantado, para proteger a planta que vai nascer do ataque de doenças do solo.

Antes e dias após o plantio, vem a parte mais trabalhosa: o controle de ervas daninhas. Em uma produção normal, o agricultor usaria herbicidas químicos para matar essas plantas.

Já na produção de Rogério é o uso da enxada rotativa que garante o controle da invasora. É um gasto extra que torna a produção orgânica viável.

“O controle é feito na enxada, de 30 a 40 funcionários capinando. Só não existe mais orgânico porque ainda não tem uma solução biológica para substituir o herbicida, senão todo mundo faria”, diz Vian.

Durante o período de crescimento das plantas, é hora de fazer o controle de insetos e de doenças, como a ferrugem.

A calda bordalesa, uma mistura de sulfato de cobre, cal e água utilizada há séculos na agricultura orgânica, garante parte da proteção. Outra parte é controlada por bactérias e microorganismos que Vian reproduz na própria fazenda.

“Nós fazemos também o Manejo Integrado de Pragas. Temos um monitor de lavoura, que entra a cada 3 dias para ver como estão as pragas e seus inimigos. Fazemos um acompanhamento ferrenho.”

Quando a soja chega ao ponto de colheita, uma certificadora de orgânicos analisa a lavoura e libera a retirada dos grãos. Depois de colhida, a soja é armazenada ou entregue aos compradores.

Custos 

Para muitos sojicultores, a impressão é a de que este tipo de produção custa mais caro, mas o produtor diz que não é bem assim.

Dados da Federação de Agricultura de Goiás (Faeg), estado de Vian, mostram que os gastos com insumos, como fertilizantes e pesticidas, é 114% maior do que o custo dos bioinsumos. Considerando todos os itens de produção, a soja com tratamento químico é 26% mais cara do que a orgânica.

“É um paradigma de que é mais caro fazer orgânico. No meu caso, ele é mais barato. Para se ter uma ideia, o custo da produção convencional é de R$ 3.500 por hectare. Na produção orgânica, o meu custo ficou em R$ 2.000 por hectare”, afirma.

Apesar de um primeiro ano com baixa produtividade, Rogério Vian percebeu que o retorno financeiro da soja orgânica era muito interessante.

“No primeiro ano, conseguimos mais no preço da saca de soja. É muito compensador, você gasta quase 50% menos e recebe cerca de 35% mais pela saca”, diz.

Depois disso, os dois anos seguintes foram com números próximos e, em algumas áreas, acima da média nacional, compensando ainda mais a aposta nesse tipo de produção.

Grupo para ajudar outros agricultores

Se a demanda está crescendo, é sinal de que existe uma oportunidade para mais agricultores entrarem neste tipo de produção.

Pensando nisso, Rogério Vian e outros produtores rurais criaram o Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), que reúne agricultores e pesquisadores para troca de experiências e de técnicas.

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