Embrapa desenvolve acelerador biológico que transforma resíduos de coco em adubo orgânico de forma mais rápida
Nova tecnologia utiliza microrganismos selecionados para acelerar a compostagem de resíduos de coco, reduzindo o tempo de biodegradação e ampliando o aproveitamento sustentável da biomassa agroindustrial.
A Embrapa está buscando parceiros para validar e levar ao mercado um acelerador biológico capaz de acelerar a compostagem de resíduos da indústria do coco. Desenvolvido com cepas de bactérias dos gêneros Pseudomonas e Bacillus, o produto promove a rápida decomposição de materiais ricos em lignina e celulose, dispensando tratamentos químicos prévios e gerando um composto orgânico rico em nutrientes. A tecnologia representa uma solução inovadora para reduzir o volume de resíduos agroindustriais, otimizar áreas de compostagem e fortalecer sistemas de produção mais sustentáveis, incluindo a agricultura orgânica e agroecológica.
A Embrapa desenvolveu um acelerador biológico inovador para otimizar a compostagem de resíduos provenientes da cadeia produtiva do coco, um dos principais desafios ambientais enfrentados pelo setor. Cascas, fibras e outros subprodutos do coco são ricos em lignina e celulose, compostos que dificultam sua decomposição natural e fazem com que esses resíduos permaneçam por longos períodos acumulados em propriedades rurais, agroindústrias e centros urbanos.
A tecnologia consiste em um inoculante biológico formulado com microrganismos selecionados dos gêneros Bacillus e Pseudomonas, reconhecidos pela elevada capacidade de degradar matéria orgânica complexa. Esses microrganismos atuam produzindo enzimas capazes de quebrar as fibras vegetais, acelerando significativamente o processo de compostagem.
Ao ser aplicado às pilhas de compostagem, o acelerador estimula a atividade microbiológica, reduzindo o tempo necessário para a estabilização do material orgânico. Como resultado, obtém-se um composto de alta qualidade agronômica, rico em nutrientes e matéria orgânica, que pode ser utilizado como fertilizante em diversas culturas agrícolas.
Um dos principais diferenciais da tecnologia é que ela dispensa tratamentos químicos ou físicos prévios para degradar os resíduos, tornando o processo mais simples, econômico e ambientalmente seguro. Além disso, contribui para a redução dos custos operacionais, diminui a necessidade de áreas destinadas ao armazenamento de resíduos e aumenta a eficiência da gestão de resíduos agroindustriais.
A solução também favorece os princípios da economia circular ao transformar um passivo ambiental em um insumo de valor para a agricultura. Dessa forma, resíduos que antes representavam custos de descarte passam a retornar ao sistema produtivo como fertilizantes orgânicos, reduzindo a dependência de insumos minerais e promovendo o aproveitamento integral da biomassa.
Os benefícios ambientais são igualmente relevantes. A aceleração da compostagem reduz o acúmulo de resíduos, minimiza riscos de contaminação do solo e da água, diminui emissões associadas ao descarte inadequado e fortalece práticas agrícolas mais sustentáveis. A tecnologia ainda pode contribuir para melhorar a saúde do solo, aumentando o teor de matéria orgânica, a retenção de água e a atividade biológica.
Embora tenha sido desenvolvida especificamente para resíduos da cultura do coco, a plataforma tecnológica apresenta potencial para adaptação a outros resíduos ligno celulósicos gerados pela agroindústria, ampliando suas possibilidades de aplicação em diferentes cadeias produtivas.
Atualmente, a Embrapa busca parceiros para validação em escala comercial, produção e licenciamento da tecnologia. O objetivo é disponibilizar o acelerador biológico ao mercado, beneficiando produtores rurais, cooperativas, empresas de compostagem, agroindústrias e iniciativas voltadas à agricultura regenerativa, orgânica e de baixo impacto ambiental.
Com essa inovação, a Embrapa reforça seu compromisso com o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis que unem produtividade, valorização de resíduos, economia circular e preservação ambiental, contribuindo para uma agricultura mais eficiente e resiliente.
Fonte: Embrapa
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