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Agricultura biodinâmica: método agrícola de produção relaciona fases da lua e signos do zodíaco

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Rio, 6 de janeiro de 2017.
Gabriel Vidolin, chef, proprietário do Restaurante Leao Vermelho com Elizabeth M. Scheichl, proprietária da Fazenda Alegre / Foto: Rogerio Albuquerque (Foto: Rogério Albuquerque/Ed. Globo)
Gabriel Vidolin, chef e proprietário do Restaurante Leão Vermelho com Elizabeth M. Scheichl, proprietária da Fazenda Alegre/ Foto: Rogério Albuquerque – Editora Globo

A Agricultura Biodinâmica é um modelo agrícola de produção que, assim como a Agricultura Orgânica, não utiliza adubos químicos, venenos herbicidas, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios.

O método, criado em 1924 por Rudolf Steiner, durante o Congresso de Pentecostes, na Polônia, é um ramo da antroposofia. “A filosofia mais ampla se chama antroposofia. Ela abrange várias áreas do conhecimento. A agricultura biodinâmica é um ramo da antroposofia”, explica o chef  do restaurante Leão Vermelho Gabriel Vidolin, em São João da Boa Vista, que trabalha com esse método em sua horta.

A antroposofia é uma forma de conhecimento que aborda o ser humano em diversos níveis, como o físico, o vital, o espiritual, e mostra a relação entre eles. “No caso da agricultura, é entender de maneira mais profunda quais são as relações do homem, da terra e da existência. Ele pega todo o conhecimento folclórico dos povos europeus e aplica na agricultura”, acrescenta o chef Gabriel Vidolin.

A teoria relaciona signos e meios de cultivo através da utilização de um calendário celestial. De acordo com o biodinamismo, dependendo do signo da época, algumas plantas se desenvolvem melhor que outras. A divisão é feita em quatro elementos: água, terra, fogo e ar. Os signos de água são mais propícios para plantas em que o caule é utilizado. Os de terra, as raízes; os de fogo, as frutas; e os de água, as folhas e as flores.

O chef Gabriel Vidolin explica que as fases da Lua também são levadas em consideração no calendário da agricultura biodinâmica. “A gente sempre semeia em lua nova, porque nesse momento a energia da semente está mais interiorizada. Na crescente, ela começa a se desenvolver; na lua cheia, a planta está em plenitude e na minguante, é quando a gente não pode abusar da colheita” e acrescenta que “a colheita é sempre feita ou às 10h ou às 16h, que são os horários em que a terra está mais propícia e os hormônios da planta estão no ápice”.

Na agricultura biodinâmica, espécies de adubos naturais elaborados a partir de plantas medicinais, esterco e silício são preparados e enterrados no solo para serem submetidos às influências da Terra. Eles podem ser divididos em dois grupos: os que são pulverizados no solo e nas plantas e os que são inoculados em composto ou em outras formas de adubos orgânicos como biofertilizantes e chorumes. Os preparados são numerados de 500 a 508, como uma forma de facilitar a comunicação internacional.

O mais conhecido entre eles é o composto de número 500. Esse composto tem a função de ajudar no desenvolvimento da planta.

Segundo Vidolin, o preparado é sempre feito no solstício de inverno que é quando as forças de cristalização da terra estão mais acentuadas. “Pega-se chifre de animais mortos e coloca-se esterco, depois enterra dentro de um buraco. No próximo solstício, a mistura é desenterrada”, explica.

Os preparados que Gabriel utiliza são produzidos na Fazenda Alegre, no município de São João da Boa Vista.

Elizabeth Scheichl, proprietária da fazenda, planta no local café, palmeiras exóticas, além de criar bezerro para consumo interno e javaporco, cruzamento de porco e javali, característico de climas temperados. Além disso, Elizabeth reflorestou metade da área com espécies nativas da região. “Essa era a condição do meu marido quando compramos a fazenda 18 anos atrás”, conta ela.

Na fazenda, o biodinamismo está também na harmonia das relações entre as espécies. As teias de aranhas são deixadas intactas, como forma de equilibrar a cadeia. “Elas são inimigos naturais até do mosquito da dengue”, afirma Elizabeth.

Leão Vermelho, um restaurante com uma proposta bastante diferente

Sorvete de flores e caramelo com folhas de biscoito crocante salgado do menu Mensageiro das Estrelas, de Gabriel Vidolin. Imagem: Site Gastrolândia
Sorvete de flores e caramelo com folhas de biscoito crocante salgado do menu Mensageiro das Estrelas, de Gabriel Vidolin. Imagem: Site Gastrolândia

Depois de estagiar em renomados restaurantes como o El Bulli de Ferran Adrià e o D.O.M. de Alex Atala, Gabriel decidiu abrir seu próprio restaurante com uma proposta bem diferente e misteriosa: a cada noite, serve apenas quatro pessoas. Seu menu degustação tem 24 passos e varia a cada temporada, que dura em média seis meses.

No restaurante Leão Vermelho, localizado em São João da Boa Vista, interior Paulista, quase tudo vem de produtores locais. Em sua horta, Gabriel cultiva ervas e flores comestíveis. Trabalhando sozinho, além de cozinhar, também é o marceneiro do lugar. Todos os móveis foram idealizados e feitos por ele.

Sobre o restaurante:

O menu de O Leão Vermelho nasce conforme a safra dos agricultores parceiros e das fases da lua. Não raro Gabriel também se deixa levar pelo bailado das árvores, a doçura de um aroma ou um gesto corriqueiro captado por seu olhar. Pitadas, punhados e porções de tinturas vibracionais, florais de Bach, incensos naturais e óleos essenciais também entram em cena quando está à frente das panelas e ao início de cada jantar. “Assim rosas podem tornar-se lágrimas e música em caldos”, diz o jovem alquimista. E é neste universo imaginativo, onde poesias se tornam sabores e emoções, e são ingredientes fundamentais no preparo de infusões e bebida. E toda essa incursão de Gabriel resulta em uma noite com experiência e sensações desafiadora, que requer imaginação e cumplicidade dos comensais. O que você irá comer e sentir será único, sublime e surpreendente. E para desfrutar desta experiência deve-se estar disponível e disposto.

Fonte: site oficial

Fonte: Revista Globo Rural

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