Congresso técnico-científico debate avanços e desafios da agricultura orgânica
A abertura do primeiro Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, realizada em 17 de março na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP), reuniu autoridades, pesquisadores, agricultores e representantes do setor para discutir o futuro da agricultura orgânica no país. O encontro contou com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e do ator e produtor rural Marcos Palmeira, que mantém uma fazenda de produção orgânica no Rio de Janeiro.
Durante a abertura, lideranças do setor destacaram a necessidade de ampliar pesquisas, fortalecer políticas públicas e estimular a colaboração entre ciência, produtores e sociedade para ampliar o acesso aos alimentos orgânicos.
O presidente do Instituto Brasil Orgânico, José Santiago, afirmou que o crescimento do setor depende do avanço do conhecimento científico e da integração entre diferentes modelos produtivos. “Precisamos de mais pesquisas para que todos possam comprar produtos orgânicos. Não queremos divisões entre agricultura orgânica, regenerativa ou outros modelos. O importante é caminhar juntos”, disse.
Para Valeska Ciré, representante da Francal Ecossistemas para Eventos, a realização do congresso demonstra a força da cooperação entre diferentes atores. “É uma honra estar aqui com a ministra Marina Silva, o que reforça a importância da agricultura orgânica no país. A construção deste congresso mostra a força da colaboração. A sociedade busca mais saúde e mais sustentabilidade, e a agricultura orgânica entrega isso para o meio ambiente e para as próximas gerações”, afirmou.
Representando a Unicamp, o diretor-executivo de sustentabilidade da universidade, Roberto Nonato, enfatizou que o setor integra o que chamou de “agricultura verde”, um novo paradigma que combina conhecimento científico e saberes tradicionais. Segundo ele, iniciativas como o Plano Clima reforçam o desafio de transformar conhecimento em práticas sustentáveis no campo. “Que este congresso seja um espaço de diálogo e de construção de caminhos para uma agricultura mais justa”, afirmou.
O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, ressaltou a importância de a universidade pública sediar um evento voltado a temas estratégicos para a sociedade. Ele lembrou que a agricultura orgânica e a agricultura familiar desempenham papel essencial na produção de alimentos e na segurança alimentar do país. “Debater políticas públicas e fortalecer essas cadeias produtivas é fundamental em um país diverso como o Brasil”, disse.
Representando a Embrapa, o diretor de Pesquisa e Inovação, Clenio Pillon (foto abaixo), destacou o papel da ciência para enfrentar os desafios da produção de alimentos. Segundo ele, a agricultura do futuro precisa se apoiar em três pilares: soberania, saudabilidade e sustentabilidade.
“Soberania significa valorizar o saber local e promover a descarbonização da produção, com redução das emissões de gases de efeito estufa. Saudabilidade envolve o fortalecimento da pesquisa e de políticas públicas para a cadeia orgânica. Já a sustentabilidade passa pela valorização da biodiversidade e pelo uso de bioinsumos”, explicou.
Representando o secretário de Meio Ambiente do estado de São Paulo, o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) Marcos Landell destacou a presença de jovens no evento. “Fico feliz em ver tantas pessoas jovens participando deste debate, ao lado de profissionais com mais experiência”, afirmou.
Em sua fala, a ministra Marina Silva enfatizou que a agricultura orgânica representa uma resposta concreta aos desafios ambientais globais. “A agricultura orgânica não é um dilema, é uma solução”, afirmou. Segundo ela, a capacidade de regeneração da Terra já está cerca de 30% comprometida, o que exige novas formas de relação com os recursos naturais.
“Com políticas públicas adequadas, valorização da biodiversidade e redução das desigualdades, é possível reduzir custos e ampliar o acesso da população a alimentos orgânicos. O Brasil é um país grande, com espaço para diferentes formas de produção”, disse.
Tecnologias da Embrapa em destaque
Durante o congresso, diferentes Unidades de Pesquisa da Embrapa apresentaram tecnologias, plataformas digitais, cursos e publicações voltados ao fortalecimento da agricultura orgânica e de sistemas produtivos sustentáveis.
A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) destacou tecnologias relacionadas a sistemas agroflorestais agroecológicos, que integram culturas agrícolas com árvores florestais e frutíferas em uma mesma área. Esses sistemas permitem diversificar a produção, melhorar o uso dos recursos naturais e aumentar a resiliência das propriedades diante de variações climáticas e de mercado. Além disso, contribuem para a conservação do solo, o sequestro de carbono, a proteção da água e o aumento da biodiversidade nas áreas agrícolas.
A Unidade também apresentou ferramentas de capacitação e planejamento voltadas a agricultores familiares, técnicos de assistência técnica e estudantes, incluindo cursos on-line, plataformas digitais e instrumentos didáticos que auxiliam no planejamento e manejo de sistemas agroflorestais adaptados às condições locais.
Entre as iniciativas digitais, a Embrapa Territorial (Campinas, SP) mostrou a plataforma Pró-Orgânico, que reúne materiais técnicos, ferramentas de gestão e listas de insumos permitidos na produção orgânica. A plataforma inclui a Organoteca, biblioteca digital de acesso livre com publicações, vídeos e áudios sobre agricultura orgânica e agroecologia, além de planilhas voltadas ao gerenciamento de pequenas propriedades rurais.
Na área de produção animal, a Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG) apresentou o Observatório do Leite Orgânico, plataforma dedicada à organização e disseminação de informações sobre produção, comercialização e consumo de lácteos orgânicos no Brasil. A iniciativa busca apoiar o planejamento do setor e fortalecer a rede de produtores.
Tecnologias voltadas ao manejo sustentável do solo e à produção de bioinsumos foram destaques da Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ), com soluções relacionadas à compostagem, fertilizantes orgânicos, uso de microrganismos benéficos e controle biológico de pragas.
Já a Embrapa Hortaliças (Brasília, DF) apresentou tecnologias voltadas à produção de hortaliças em sistemas orgânicos, incluindo a cultivar de cenoura BRS Paranoá, desenvolvida para esse tipo de cultivo e resistente a importantes doenças da cultura.
Também participaram do congresso a Embrapa Semiárido (Petrolina, PE), com iniciativas voltadas ao aproveitamento de resíduos e à produção de biofertilizantes em regiões de clima seco, e a Embrapa Algodão (Campina Grande, PB), com capacitações relacionadas ao cultivo orgânico do algodão no Semiárido brasileiro.
O congresso buscou fortalecer o intercâmbio entre ciência, extensão rural e produtores, ampliando o acesso a tecnologias que contribuam para a expansão da agricultura orgânica e para o desenvolvimento de sistemas produtivos mais sustentáveis no país.
Veja detalhes das tecnologias aqui.
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Fonte: Embrapa Meio Ambiente
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Tags: agricultura familiar, Agricultura Orgânica, agroecologia, biodiversidade, Biofertilizantes, bioinsumos, Embrapa, inovação no campo, Mudanças Climáticas, políticas públicas, produção sustentável, Segurança Alimentar, sistemas agroflorestais, sustentabilidade, Unicamp.
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