Produtor de Orgânicos

Centro de Inteligência em Orgânicos promove debate sobre a entrada de grandes industrias no setor

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Rio, 31 de maio de 2018.
Painel organizado pelo CI Orgânicos: Luiz Carlos Rebelatto, coordenador de Agroecologia e Produção Orgânica (Sebrae Nacional); Dienice Ana Bini (Apex); Taissara Martins, gerente de Desenvolvimento de Qualidade (Nestlé); Sylvia Wachsner, moderadora (CI Orgânicos/SNA); Virgínia Lira, coordenadora de Agroecologia e Produção Orgânica do Ministério de Agricultura; Marco Pavarino, coordenador-geral de Agroecologia e Produção Sustentável da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Reginaldo Morikawa, diretor superintendente da Korin. Foto: Marcella Paiva

O ingresso de grandes indústrias no setor de alimentos orgânicos poderá gerar um impacto no setor ainda desconhecido. Esta realidade é o mais novo desafio para os agricultores familiares e pequenos produtores.  A questão foi debatida em 24 de maio no painel “Alimentos Orgânicos e a Indústria: Qual é o Futuro?”, durante a Conferência Green Rio, realizada pelo Planeta Orgânico na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.

Participando da mesa de abertura da conferência, ao lado de representantes do governo, da Prefeitura do Rio, entre outros, o presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Antonio Alvarenga, destacou o apoio da instituição ao evento e falou sobre a importância do agronegócio para a economia brasileira.

Organizado pelo Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o debate sobre orgânicos e indústria foi mediado pela coordenadora do CI Orgânicos, Sylvia Wachsner, e contou com a presença de reconhecidos representantes do setor público e de empresas privadas.

Ao longo do painel foram abordadas questões relacionadas ao conceito de orgânico, à necessidade de agregação de valor e aos desafios da indústria para garantir que os produtos orgânicos sejam elaborados dentro das normas legais.

VALOR AGREGADO

“A indústria tem o desafio de encontrar meios para adequar seus produtos, abraçar toda essa produção agrícola que está em desenvolvimento e trazer para o consumidor produtos de qualidade”, afirmou Virgínia Mendes Cipriano Lira, coordenadora de Agroecologia e Produção Orgânica do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo ela, “esses produtos devem ter agregados em si preço justo, qualidade de vida para o trabalhador rural, assim como a qualidade orgânica intrínseca, com o cuidado do meio ambiente e a valorização do ser humano”. Lira acrescentou que “esses fatores devem ser levados para as indústrias a fim de que o valor agregado do produto orgânico não se estabeleça apenas pela ausência de resíduos”.

A coordenadora do Mapa citou ainda a importância de se garantir a rastreabilidade do produto em todo o seu processo produtivo.

POLÍTICAS PÚBLICAS

A entrada de grandes indústrias alimentícias no setor de produtos saudáveis e orgânicos tem criado uma série de desafios para os produtores familiares. Para Marco Aurélio Pavarino, coordenador-geral de Agroecologia e Produção Sustentável da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário, a iniciativa mais importante para possibilitar o crescimento da agricultura familiar e permitir a concorrência ou até mesmo a possibilidade de parcerias com grandes empresas, é o investimento em políticas públicas.

“Quando a gente tem um programa de alimentação, um programa de aquisição de alimentos que privilegie a compra de alimentos pela agricultura familiar e, mais do que isso, que privilegie alimentos orgânicos, temos aí uma estratégia para fomentar e trazer para dentro dessa cadeia de valores a produção orgânica desse grupo de produtores”, destacou Pavarino.

Segundo ele, é importante investir em parcerias com supermercados e também criar ambientes favoráveis para a realização de feiras, fortalecendo o contato direto do produtor com o consumidor.

“Segundo pesquisa divulgada pela Organis, 64% da aquisição de alimentos orgânicos no país é feita em supermercados. Em seguida em feiras, lojas de produtos naturais, venda direta e mercados locais. Muita gente potencializa essas cadeias curtas de comercialização, como por exemplo, as feiras municipais. A secretaria tem um apoio expressivo em relação ao fomento e à instalação de feiras de produtos orgânicos provenientes da agricultura familiar”, disse Pavarino.

Reginaldo Morikawa, diretor superintendente da Korin Agropecuária, também ressaltou a importância dos incentivos públicos, mesmo para as indústrias privadas do setor. “Sem o apoio dos programas públicos é muito difícil fomentar qualquer setor. A Korin depende sim de políticas públicas, de financiamentos e linhas de aberturas de crédito”.

O presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Antonio Alvarenga (à dir.) e Ingo Plöger, presidente do Conselho de Empresários da América Latina, participaram da mesa de abertura da Conferência Green Rio. Foto: Sylvia Wachsner.

PROJETOS E DESAFIOS

Luiz Carlos Rebelatto, coordenador de Agroecologia e Produção Orgânica do Sebrae Nacional, destacou o trabalho da entidade no apoio aos micro e pequenos empresários, e a representante da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex), Dienice Ana Bini, apresentou o projeto da entidade de apoio às exportações de orgânicos. “São mais de 50 empresas apoiadas e destas, 25 exportaram produtos em 2017. No total, são mais de 40 produtos exportados e que chegam a mais de 50 países”, afirmou.

Segundo Bini, a questão das normas e a comunicação com o consumidor são os grandes desafios da exportação. “É preciso comunicar ao consumidor que aquele produto foi feito a partir de uma forma de produção diferente da tradicional. Além disso, cada país ou grupo de países possui uma legislação específica, sendo necessário se adequar a elas”.

PARCERIAS

De acordo com a coordenadora do CI Orgânicos, Sylvia Wacshsner, “para romper a estagnação das vendas, lidar com as mudanças no mundo do consumo e atender à demanda por alimentos mais saudáveis, a indústria alimentícia tem lançado novos produtos para os consumidores conscientes, concorrendo assim com as marcas menores, que viram seus mercados diminuírem”.

“A entrada de uma grande indústria no setor orgânico não precisa ser vista como incoerente, ela pode ser complementar”, é o que afirma Taissara Martins, gerente de Desenvolvimento de Qualidade e Fornecedores da Nestlé Brasil, que abordou em detalhes o processo de produção de leite orgânico realizado pela Nestlé no país.

Martins destacou ainda a parceria da Nestlé com a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) para a impressão de manuais de produção de milho orgânico, com o objetivo de auxiliar um grupo de assentados que já produziam milho orgânico, mas sem condições, informações ou assistência técnica para conseguir o selo orgânico.

“Com os manuais, ajudamos no desenvolvimento dessa cadeia, possibilitando assim o fornecimento desse produto orgânico na região onde estão concentrados os nossos fornecedores de leite”, disse.

“Se a gente quiser tornar o orgânico disponível, precisamos de escala. E é nesse momento que a grande indústria pode entrar como parceira. Respeitando todos os princípios da produção orgânica, essas parcerias só tendem a fortalecer a cadeia”, finalizou a gerente.

Após o debate, a coordenadora do CI Orgânicos, Sylvia Wachsner, participou de uma mesa redonda ao lado de representantes do Sebrae e do Green Rio, para a discussão do tema: ‘Tendências, desafios e oportunidades para a cadeia de alimentos orgânicos e sustentáveis’.

Sylvia falou sobre a importância de adaptação das informações nas embalagens dos produtos que são exportados, sobre a necessidade de se adequar a linguagem ao país de destino, manter a certificação em evidência, explicitar as informações básicas do produto e sua procedência e esclarecer todas as informações para que a comunicação com o consumidor seja feita de forma eficiente.

Por Equipe SNA Rio

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