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Guia prático revela como transformar espaços urbanos em hortas produtivas e sustentáveis com técnicas agroecológicas

Rio, 13 de março de 2026.

Cultivar alimentos saudáveis no coração das cidades é mais possível do que nunca. A Cartilha de Boas Práticas na Agricultura Urbana e Periurbana, desenvolvida pela Prefeitura de Campinas em parceria com a Fundação FEAC e o projeto de Feijão, apresenta orientações práticas para quem deseja produzir alimentos de forma sustentável, fortalecer comunidades e regenerar o solo. Com base em experiências reais de formação de agricultores urbanos, o material reúne conhecimentos agroecológicos que mostram como pequenas hortas podem gerar saúde, renda, biodiversidade e segurança alimentar.

A Cartilha de Boas Práticas na Agricultura Urbana e Periurbana é um material educativo criado para apoiar agricultores urbanos, educadores e iniciativas comunitárias interessadas em produzir alimentos saudáveis nas cidades por meio de práticas agroecológicas. O conteúdo foi construído a partir de um ciclo de formação realizado em 2025 com agricultores participantes do programa municipal Campinas Solidária e Sustentável, que busca fortalecer a agricultura urbana como estratégia para enfrentar insegurança alimentar, mudanças climáticas e vulnerabilidade social.

A cartilha mostra que a agricultura urbana pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social e ambiental. Com técnicas simples baseadas na agroecologia como solo vivo, diversidade de cultivos, compostagem e proteção dos polinizadores qualquer espaço urbano pode se tornar um território de produção de alimentos saudáveis, fortalecimento comunitário e regeneração ambiental.

Clique na imagem abaixo e confira publicação na íntegra.

O documento parte da ideia de que cultivar alimentos nas cidades vai além da produção agrícola. A agricultura urbana é apresentada como uma prática que fortalece comunidades, amplia áreas verdes, promove alimentação saudável e gera oportunidades de renda. O projeto Cultivando, responsável pela formação dos agricultores, incentiva o aprendizado coletivo, a cooperação entre hortas comunitárias e o desenvolvimento de territórios mais sustentáveis.

Solo vivo: Base da produção agroecológica

Um dos principais pilares da cartilha é o conceito de solo vivo. O material explica que o solo não é apenas terra, mas um sistema complexo composto por minerais, água, ar, matéria orgânica e uma enorme diversidade de organismos como minhocas, fungos e bactérias.

Para manter o solo fértil e saudável, a cartilha recomenda práticas como:

  • uso de adubos orgânicos (húmus, compostagem, esterco curtido);
  • cobertura do solo com palha ou folhas secas;
  • aumento da matéria orgânica;
  • redução do revolvimento excessivo do solo;
  • evitar fertilizantes químicos e agrotóxicos.

Essas práticas aumentam a retenção de água, melhoram a estrutura do solo e fortalecem as plantas contra pragas e doenças.

Manejo ecológico e diversificação dos cultivos

Outro tema central é a importância da diversidade na horta. A cartilha orienta agricultores a combinar diferentes espécies no mesmo canteiro, prática chamada de consórcio de culturas. Esse sistema:

  • melhora o aproveitamento do espaço
  • aumenta a produção
  • fortalece o controle natural de pragas
  • estimula a biodiversidade.

O documento também incentiva a rotação de culturas e adubação verde, técnicas que ajudam a recuperar solos degradados e aumentar a fertilidade naturalmente.

Controle natural de pragas e doenças

A cartilha destaca que pragas e doenças geralmente surgem como sinal de desequilíbrio no sistema produtivo. Em vez de recorrer a pesticidas, recomenda-se observar as causas do problema e adotar soluções naturais, como:

  • melhorar a nutrição do solo
  • aumentar a diversidade de plantas
  • atrair predadores naturais como joaninhas e vespas
  • utilizar caldas naturais feitas com ingredientes simples (alho, cebola, leite, sabão ou ervas).

Importância das abelhas e da polonização.

Um capítulo especial aborda o papel das abelhas nativas brasileiras na produção de alimentos. A cartilha explica que muitas culturas dependem da polinização para formar frutos e sementes, e que a presença desses polinizadores pode aumentar a produtividade e a qualidade das colheitas.

Também é apresentada a meliponicultura, criação de abelhas sem ferrão, como uma prática possível em áreas urbanas, além de estratégias para atrair polinizadores, como o plantio de flores e a redução do uso de pesticidas.

Compostagem e reciclagem de resíduos

O material ensina ainda como transformar resíduos orgânicos em adubo por meio da compostagem. O processo permite reaproveitar restos de alimentos e resíduos de jardim para produzir composto rico em nutrientes, que melhora o solo e reduz o desperdício.

A cartilha apresenta diferentes modelos de composteiras domésticas, comunitárias e agrícolas e explica como equilibrar materiais secos e úmidos para garantir um processo eficiente e sem odores.

Agricultura urbana como rede comunitária.

Além das orientações técnicas, o documento enfatiza a importância da organização coletiva entre agricultores urbanos. Trocas de sementes, mudas, conhecimentos e experiências fortalecem redes de apoio e ampliam a diversidade de cultivos.

A cartilha também incentiva a doação de excedentes de produção para cozinhas solidárias, creches e instituições sociais, reforçando o papel das hortas urbanas no combate à fome.

Fonte: Prefeitura de Campinas

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