Produtor de Orgânicos

Com delivery, pequenos agricultores orgânicos driblam crise e veem até aumento de vendas na pandemia

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Rio, 13 de julho de 2020.
foto: CI Orgânicos

Toda quarta, o dia de trabalho do agricultor Hélio Tavares, de Pato de Aferes, Rio de Janeiro, começa mais cedo do que habitual na roça, carrega na sua Fiorina cerca de 20 cestas de alimentos orgânicos, para entregar  ca capital. Contrariando a crise econômica que abala o mundo em pandemia, ele viu suas vendas aumentarem nos primeiros meses de quarentena, e na entrega em casa uma alternativa para escoar sua produção.  

Em Brasilia Lucas Moya, membro de um grupo de distribuidores de produtos orgânicos viu a venda de seus produtos diminuir na feira e aumentar com o delivery. “Nossas vendas cresceram bastante. A pandemia nos fez ampliar nossa área de entrega e, consequentemente, aumentar os dias de entrega. Para Rogério Dias, presidente do Instituto Brasil Orgânico, as entregas em domicílio são uma solução melhor para aqueles produtores que já tinham um processo organizativo, como os que trabalhavam em feiras, e para quem oferecia diferentes produtos de pronta entrega.

O fechamento das feiras

Com o fechamento, durante a pandemia, do principal meio de comercializar sua produção, muitos tiveram que reinventar caminhos para relacionar-se com seu público.  Outro complicador foi a suspensão das atividades escolares. Muitos produtores que abasteciam a alimentação da merenda foram prejudicados. A saída, para quem pôde, foi oferecer a entrega a domicílio.

Ante as dificuldades da diminuição!ao da demanda, a produção de agricultores como Sabrina Magaly Navas, de Brasília, teve que interromper sua produção. 

“De maneira geral, o movimento diminuiu. A perda de espaços de comercialização como lojas, feiras e também a diminuição de acesso a supermercados afetou a venda de produtos orgânicos e/ou agroecológicos. Algo que ocorre também com restaurantes e bares, que as vezes compram insumos de agricultores e cooperativas”, conta Sabrina, que aguarda o setor melhorar para voltar a produzir.

Em diversas centros urbanos do país, as feiras livres tiveram regras de funcionamento mais restritas ou foram canceladas. Em relatório da Mintel, agência internacional que fornece pesquisas e análises de mercado, dados do último abril mostram que 79% da população brasileira reduziu as idas aos supermercados. Junto a isso, parte da população teve queda do poder aquisitivo com o impacto econômico da pandemia. Dados da pesquisa do Organis do ano passado mostram que o preço considerado elevado é o principal motivo pelos quais as pessoas não consomem produtos orgânicos (43%).

Algumas feiras tiveram que se adaptar as medidas impostas pelas autoridades e alguns implantaram sistemas similares ao a um drive-thru, em que as pessoas realizavam com antecedência a encomenda, os produtores deixavam separado e as pessoas passavam para buscar. Essa foi uma alternativa para quem não quis receber os produtos em casa.

Cresce o setor de orgânicos

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), realizado antes da pandemia e publicado em fevereiro de 2020, confirma que o setor de orgânicos no país está em uma crescente. De 2010 a 2018, o setor evoluiu aproximadamente 17% quanto ao número de produtores especializados no alimento orgânico.

Segundo dados da Organis (associação sem fins lucrativos baseada em Curitiba, que trabalha para divulgar os conceitos e as práticas orgânicas), o setor de produtos orgânicos faturou R$ 4,6 bilhões no Brasil em 2019, ou 15% acima do ano anterior.

O pesquisador Lucio Lambert, mestre em Agricultura Orgânica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), entende que é difícil traçar um panorama no Brasil, porque existem diversos fatores e características  regionais mas, de modo geral, ele analisa que a demanda dos orgânicos continuo a crescer durante a pandemia. Segundo Lambert, isso ocorre por que as pessoas passaram a dar mais valor à saúde e estão mais tempo em casa, se arriscando na cozinha.

Políticas públicas

Dona Inalva, produtora de Paty dos Alferes, enxerga que há uma grande ausência das politicas publicas no  Brasil. “Segurança alimentar sequer (existe), nunca se trabalhou nisso nos espaços públicos, por exemplo, na escola”, avalia.

Bela Gil, chef de cozinha e defensora da alimentação saudável e consciente, acredita que o fator que faz a divergência ser muito grande entre os produtores que aumentaram suas rendas para os que precisaram interromper ou descartar suas produções é a ausencia do Estado. 

“A gente precisa de políticas públicas para garantir a renda desses agricultores e comida na mesa de quem precisa. Desde 2003, os programas como PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) vem perdendo muito dinheiro e valor. Em um momento como este, durante uma pandemia, a gente vê como faz falta um programa que ajude o agricultor”, opina Bela.

Para Rogério Dias, do Instituto Brasil Orgânico, aconteceram avanços nas políticas públicas, como quando se estabeleceu 30% da agricultura familiar, preferencialmente orgânica, no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Mas defende mais apoio ao setor, especialmente neste momento em que os agricultores estão sofrendo com os impactos da pandemia e sem poder fornecer a escolas e a parte dos restaurantes.

Em Brasília, ainda está em tramitação, quase quatro meses depois da primeira morte por covid-19 no país, um projeto de lei na Câmara dos Deputados que busca criar medidas emergenciais em apoio à agricultura familiar enquanto perdurar a pandemia. Esse pacote de medidas urgentes incluiria, além do fomento às atividades de agricultura familiar, condições especiais na oferta de crédito, a criação do Programa de Aquisição de Alimentos Emergencial (PAA-E) e soluções para o endividamento desses agricultores familiares.

Leia a matéria na íntegra, fonte: BBC News

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