Produtor de Orgânicos

Amêndoas de cacau são incentivo à inovação de produtos

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Rio, 18 de julho de 2019.

O melhor aproveitamento da amêndoa do cacau para outras finalidades que não somente o chocolate tem sido a grande sacada de produtores do Sul da Bahia, os quais estão em pleno crescimento de mercado, 30 anos depois de terem sido surpreendidos pela praga da vassoura-de-bruxa, em 1989. Essa praga reduziu, de 400 mil toneladas na década de 1980 para menos de 100 mil toneladas nos anos 90. 

Dona da marca de Modaka, que produz amêndoas especiais caramelizadas para consumo direto e nibs de cacau, num sistema puramente orgânico, a empresária Patrícia Viana Lima, 50, é integrante de uma das dezenas de famílias produtoras de cacau que viveram esse período problemático de perda das lavouras e que, hoje, devido à busca por novas formas de se ganhar a vida com o cacau, colhe literalmente os frutos.

 “Depois de penar para tentar combater a vassoura-de-bruxa, eles começaram a se movimentar para buscar mais renda com o cacau em 2008, com a produção artesanal de chocolate com a seleção das melhores amêndoas”, conta a empresaria,

Nova vida na fazenda

Patrícia, engenheira civil de formação, prefere não falar em produção de cacau em sua fazenda, “de tão pouca que é em relação à época da vassoura-de-bruxa”, mas garante que o que produz dá para atender à demanda de amêndoas especiais caramelizadas, vendidas em caixas, assim como o nibs de cacau, normalmente associados ao consumo de outros alimentos, como na panificação, ou em cookies. Toda a produção orgânica, certificada pelo IBD, e a prioridade é oferecer produtos de qualidade. Associada ã Cooperativa Cabruca, de Ilhéus, onde será realizado, participa da 11ª edição do Chocolat Bahia Festival, que reúne toda a cadeia produtiva do cacau ao chocolate, derivados, aspectos e manifestações culturais e artísticas em torno do produto agrícola. O evento é considerado o maior do setor do cacau e chocolate no Brasil. (Leia mais abaixo)

Selecionados

Da Cooperariva Cabruca só participam fazendeiros certificados pelo IBD que  produzem, entre 80 a 100 toneladas de cacau por ano. Mais de 60% da produção é exportada para Suíça e Itália, e o restante das amêndoas é usada para a produção de produtos especiais, como chocolates, cachaças, e vinhos. O francês Patrick Rene Labarrere, presidente da Cambruca,  também viveu a época da devastação dos pés de cacau por conta da vassoura-de-bruxa. Na sua fazenda de 65 hectares, localizada em Una, montou uma agroindústria para fabricação de produtos desidratados, como banana, coco e mamão, e produz ainda baunilha, pimenta, açaí e guaraná, tudo no sistema orgânico. Sua marca de chocolate é a Du Kakau.

“Tocava as duas coisas juntas, o emprego e as atividades da fazenda, até que resolvi só cuidar do cacau e em pouco tempo iniciei a produção de vinho, ainda em 2006. De lá para cá venho aperfeiçoando a produção”, relatou Labarrere, segundo o qual a sua safra anual de cacau tem ficado em cerca de 120 toneladas. A bebida que produz, a partir do mel  do cacau chamou de “Blanc do cacau”. O nome de vinho somente pode ser utilizado para os produtos originários da uva, conforme a regulação do Ministério da Agricultura, Mapa. 

Investimento do sistema biodinâmico

 “A produção de mel de cacau vai quase toda para a Dengo [uma startup de chocolates], fornecemos diretamente para a empresa, e temos alguns clientes no Rio de Janeiro e São Paulo”, afirmou Labarrere, segundo o qual o Blank de Cacau é vendido tanto no mercado local como nacional. A garrafa de 500 mls sai a R$ 25. Por ano, ele diz que tem produzido cerca de 5 mil garrafas.

Para agregar mais valor aos produtos da fazenda, o francês está investindo no sistema de produção “biodinâmico”, que segue princípios a base da força dos astros. Também na região sul da Bahia, o destilado de cacau virou “cauchaça”, e é produzida pelo engenheiro agrônomo Marcelo Abrantes, 58, desde 2015, quando teve uma seca na Bahia que reduziu a produção de cacau e o fez pensar em alternativas de renda.

Mineiro que cresceu numa alambique na região de Teófilo Otoni, Abrantes, que produz 5 mil litros anuais, está na Bahia desde 2001 e começou a produzir cacau em 2003. Antes da “cauchaça”, ele tentou o “vinho” do cacau, mas logo avançou para a destilação. O nome de cachaça, somente pode ser utilizado para destilados da cana de açúcar, conforme o Mapa. Produz um caramelizada que pode ser consumido com sorvetes e doces e uma granola com nibs de cacau.

Outro produto é Renato Maltez, 38, cuja família é dona da marca Maltez Chocolates Finos, que produz cacau de origem para venda em barras de 70%  e 80% cacau e doces finos gourmets. Há dois anos que Maltez resolveu iniciar a produção de cerveja artesanal. Como todo cervejeiro desse ramo, começou fazendo para ele mesmo, e hoje de tanto gostar do sabor e fazer um produto de qualidade, a produção chega geralmente a 100 litros por evento que ele é contratado para fornecer. Ele não engarrafa o produto, faz apenas o chopp.

“Quase todo mês participo de evento na cidade, mas não faço só o chopp de cacau. Esse é um dos mais pedidos, mas procuro variar com outros estilos de cerveja, buscando sabores diferenciados que possam favorecer a uma diversidade de paladares que possam agradar a diversas pessoas”, afirmou. deste ano, ele está preparando 120 litros: “Ano passado, fiz 100 litros e acabou em 2 dias, muita gente ficou procurando, mas não tinha nem como fazer porque não é um processo que ocorre de um dia para o outro. Exige cuidado, sobretudo para manter a qualidade”.

Para o Chocolat Bahia Festival, que consolida Ilhéus como produtora de chocolates de origem,  reunirá produtores, especialistas  e consumidores e contará com palestras e atividades culturais.

Durante quatro dias, além da venda de chocolates e outros derivados do cacau selecionado, o festival promove experiências sensoriais, exposições históricas e artísticas, cursos de capacitação, debates sobre temas do setor e palestras ministradas por especialistas internacionais.

Leia a matéria completa, fonte: Correio 24 horas

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