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Preservação do ‘capital natural’ é um bom negócio

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Rio, 9 de abril de 2014.
fruta da palmeira
foto: fruto da palmeira, divulgação

Destacar os benefícios econômicos de iniciativas empresariais que favoreçam a conservação da biodiversidade e a manutenção dos serviços ecossistêmicos é o principal objetivo do projeto TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity) para o Setor de Negócios Brasileiro, coordenado pela Conservação Internacional (CI-Brasil).

Lançado em outubro de 2011, o projeto apresentou recentemente os resultados de estudo que compara o valor ambiental de diferentes práticas agrícolas na produção de óleo de palma (dendê) e soja, em projetos-piloto das empresas Natura e Monsanto, respectivamente. Em ambos os casos, a análise prova que conservar o “capital natural” é um bom negócio.

Para a coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura,Sylvia Wachsner, “as empresas devem pensar de forma estratégica a sustentabilidade corporativa de seus negócios, caso contrário os administradores podem ser considerados irresponsáveis”.

Conceito

No entanto, Sylvia chama a atenção, de modo geral, para os riscos de utilização do conceito de sustentabilidade.

“O desenvolvimento sustentável pressupõe a preservação do equilíbrio global, das reservas de capital natural, a relação entre a economia, o meio ambiente e o social. Ao falar de sustentabilidade, precisamos distinguir o que desejamos dizer. Estamos falando do crescimento sustentável de um negócio? Estamos falando em diminuir, por exemplo, a embalagem de um alimento como resposta ‘sustentável’, ou utilizar embalagens que se degradem mais rapidamente? Existe confusão em relação a esse termo, por isso devemos nos preocupar”, adverte.

Biodiversidade e agribusiness

Na opinião da coordenadora do CI Orgânicos, o impacto na biodiversidade ligada ao agronegócio é importante, não só para a empresa, mas para toda sua cadeia de fornecimento.

“Nesse caso, o estudo do projeto TEEB apresenta uma série de medições realizadas, como a das emissões de gases de efeito estufa, fala da produção agroflorestal, redução do uso de fertilizantes e pesticidas utilizados na monocultura, que são temas já considerados pela Embrapa e pelo programa ABC de agricultura de baixo carbono”, observa.

Além disso, ressalta Sylvia, “o relatório aborda incentivos para a conservação ambiental, fato que é muito oportuno para os produtores agroecológicos e orgânicos”.

Estudo de caso: óleo de palma

Para aplicar a metodologia do TEEB, a Natura escolheu o Projeto SAF Dendê, um estudo científico desenvolvido pela área de pesquisa em Bioagricultura em parceria com a CAMTA (Cooperativa Agrícola Mista de Tomé Açú) e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Na área escolhida pela Natura, no estado do Pará, o valor ambiental associado a um único cultivo – ou a monocultura do óleo de palma (azeite de dendê) – foi comparado a sistemas agroflorestais, em que o cultivo fica integrado com árvores como adubo verde e cacau, e outras culturas, como o maracujá.

Os principais resultados foram:

1. O valor ambiental total obtido com os sistemas agroflorestais com óleo de palma (dendê) é três vezes maior do que aquele obtido com a monocultura do óleo de palma – R$ 410.853 por hectare comparado com R$ 122.253 por hectare, durante a vida útil de 25 anos da plantação.

2. O experimento demonstra que além de produzir o óleo de palma, utilizado na produção dos sabonetes 100% vegetais da marca, os sistemas agroflorestais, associando o cultivo do dendê junto com cacau, maracujá, pimenta, banana, mandioca, açaí, entre outras espécies, contribui para a diversificação da renda do agricultor, além de minimizar os riscos de pragas e doenças nas espécies cultivadas.

Na opinião de Sylvia Wachsner, o caso do óleo de palma da Natura “abre uma oportunidade de negócios, se for considerado o fato de que o enorme desmatamento que acabou com milhões de hectares de florestas, na Indonésia, deve-se à monocultura dessa palmeira. Empresas internacionais de cosméticos tem expressado interesse em adquirir o óleo que vem de um manejo ambiental mais sustentável”, complementa.

Estudo de caso: soja

No caso da Monsanto, o estudo identificou os principais impactos ambientais e benefícios relacionados ao cultivo da soja, considerando os serviços ecossistêmicos de provisionamento e regulação, além do consumo direto de água e de insumos como combustíveis, fertilizantes e defensivos agrícolas. Para a realização do estudo, a Monsanto forneceu dados sobre a produção de soja de uma lavoura localizada no Oeste da Bahia, na cidade de Luís Eduardo Magalhães.

Enquanto, em um cenário, foi avaliado 1 hectare coberto apenas com a cultura da soja, no outro foi avaliado 1 hectare coberto com 80% de soja e 20% de Cerrado conservado.

Os principais resultados foram:

1. O valor total dos serviços ecossistêmicos gerados pelo cultivo de soja associado ao Cerrado é 11% maior que o gerado pela produção apenas de soja, ou R$ 1.139,00 contra R$ 1.031,00.

2. A produção de soja associada à conservação de Cerrado oferece mais serviços de regulação, além da provisão combinada de soja e de pequi.
Sobre esse caso específico, a coordenadora do CI Orgânicos foi enfática: “Espero que o estudo leve a empresa a reavaliar sua atuação no Brasil, onde os condicionantes que impõe ao mercado e a venda dos pacotes tecnológicos de sementes e produtos químicos, deixam pouco espaço de escolha para os produtores e vai contra os princípios sustentáveis”.

Por Equipe SNA/RJ

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