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Setor de orgânicos reúne 24.000 produtores e movimenta R$ 5.8 bilhões

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Rio, 15 de novembro de 2021.
foto: Fazenda Tamanduá, site da empresa.

As iniciativas sustentáveis têm impacto em decisões que vão do fechamento de um negócio, em processos de fusão e aquisição, à compra do consumidor, que quer comprovar a origem do produto orgânico.  

“Clientes e parceiros não olham mais somente a qualidade dos orgânicos, mas sim para todo o sistema. Querem constatar que é, de fato, sustentável”, disse o advogado Leonardo Barém Leite, especializado em direito societário e ESG.  

Essa constatação inclui desde a regularização dos terrenos nos quais se produz até a certificação adequada de produtos. “Posso ter um produto sem agrotóxico, mas estar em uma terra invadida, ou desmatada. Ou não cuidar dos resíduos e da água e energia de forma racional”, disse Leite.  

Se o cuidado ambiental é obrigatório, o S (social) do ESG também não permite às empresas se esconderem atrás de erros de terceirizados, afirma ele. “É preciso ter responsabilidade na escolha de parceiros comerciais na produção, distribuição e venda. ESG significa ter mentalidade empresarial de sustentabilidade plena.”  

De um lado, pesam decisões do consumidor e do empreendedor. De outro, cada vez mais a do investidor. Em operações de fusão e aquisição (M&A, na sigla em inglês), práticas ESG ganham maior importância em negócios e cláusulas de declarações e garantia dos contratos.  

“As M&A são impactadas à medida que o fundo, banco ou empresa que investe quer evitar riscos financeiros quando não se segue a pauta ESG”, disse Silvania Tognetti, advogada especializada em direito empresarial e tributário. “Quanto mais comprometido estiver o investidor, mais os negócios vão se adaptar a isso.”  

Contratos são rescindidos e produtos retirados do mercado para evitar que marcas sejam alvo de protestos porque têm, por exemplo, um nome inapropriado em tempos de combate ao racismo e valorização da mulher, menciona a advogada.  

No 1º semestre, foram 27 transações de fusão e aquisição no agro, aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2020, segundo a KPMG. Entre as transações, se destacam as que envolvem empresas de tecnologia e soluções ligadas à pauta ESG.  

“As agtechs têm estratégias de inovação que permitem crescimento sustentável, como a agricultura de base biológica”, disse Giovana Araújo, sócia-líder de agronegócio da KPMG. Das 296 startups mapeadas pela Distrito, 38,5% atuam com agricultura de precisão e 14% com biotecnologias.  

Cobi Cruz, diretor da Organis, associação que promove o setor e conta com 90 associados, entende que “ESG é um processo e o orgânico, um produto”. O setor de orgânicos reúne 24.000 produtores no País, cresceu 30% em 2020 e movimentou R$ 5.8 bilhões. A previsão é crescer 10% neste ano.  

“Canais de distribuição como feiras e venda de cestas são os que mais crescem. Nos supermercados, houve avanço de 6% nas vendas de orgânicos”, disse Cruz. Durante a pandemia, a venda on-line chegou a 20%. Em 2019, representava 1%.  

O Ministério da Agricultura não dispõe ainda de dados de como é feita a produção, o que é produzido e em que volume. Mas a partir de 2022 vai informatizar o cadastro nacional de produtores orgânicos para conseguir mensurar o setor, com cruzamento de dados, disse Virgínia Lira, coordenadora de produção orgânica do Ministério. 

Atualmente são 11 certificadoras que emitem selo para os produtores de orgânicos no País, após processos de auditoria. O consumidor pode conferir no site do Ministério quem é certificado.  

Apesar de o setor de orgânicos já ter nascido em sua origem com responsabilidade social e ambiental, há ainda um caminho a percorrer, avalia Fábio Ramos, diretor do Instituto Brasil Orgânico e da consultoria Agrosuisse.  

“O custo de fontes alternativas de energia, por exemplo, como a solar, ainda inviabiliza a sua adoção até entre os grandes produtores”, disse Ramos. Por outro lado, ele vê avanços em relação à destinação de resíduos e uso de embalagens biodegradáveis.  

“Quando o Brasil tiver um marco legal para definir o valor do carbono de forma objetiva, o produtor orgânico, que já atua com uma produção voltada para retenção do carbono, poderá se beneficiar, inclusive com a atração de investimentos. E o País poderá evoluir para uma nova economia agrícola e sustentável”, disse Ramos. 

fonte: Valor 

 

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