Produtor de Orgânicos

O projeto da Nestlé para lançar seu leite orgânico no Brasil em 2019

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Rio, 7 de junho de 2018.

Por Jéssica Silvano

A Gerente de Desenvolvimento de Qualidade e Fornecedores da Nestlé Brasil, Taissara Martins, falou sobre o projeto da empresa para lançar seu leite orgânico no próximo ano. Foto: CI Orgânicos/OrganicsNet

Para romper a estagnação das vendas, lidar com as mudanças no mundo do consumo e atender a demanda por alimentos mais saudáveis, a indústria alimentícia tem lançado novos produtos para os consumidores conscientes e vem adquirindo empresas que já nasceram com esse apelo saudável para ampliar seu público consumidor.

A Nestlé, uma das dez empresas líderes mundiais de alimentos, lançou em 2018 sua aveia orgânica e, em março deste ano, inaugurou seu laboratório de controle de qualidade com foco em orgânicos, que custou cerca de R$23 milhões, visando o lançamento de novas linhas de alimentos. Tudo indica que, já em 2019, a empresa deve lançar seu leite orgânico no mercado.

Taissara Martins, Gerente de Desenvolvimento de Qualidade e Fornecedores da Nestlé Brasil, contou em detalhes como tem sido o processo de produção de leite orgânico realizado pela empresa no país. A conversa aconteceu em um debate realizado durante o evento Green Rio 2018, em maio, na Marina da Glória (RJ). Organizado pelo Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o debate “Orgânicos e a Indústria: Qual é o Futuro?” foi mediado pela coordenadora do CI Orgânicos, Sylvia Wachsner, e contou com a presença de reconhecidos representantes do setor público e de empresas privadas. (Leia mais em https://ciorganicos.com.br/noticia/organicos-e-a-industria-qual-o-futuro/)

Para Taissara, “a entrada de uma grande indústria no setor orgânico não precisa ser vista como incoerente, ela pode ser complementar”. A gerente da Nestlé destaca a importância de se ter um patrocinador ao longo do processo de conversão da produção tradicional para a orgânica. “Dificilmente esses produtores conseguiriam seguir nessa linha se não houvesse um patrocínio. O processo para converter uma fazenda em orgânica é longo. Um produtor que quiser produzir leite orgânico, só vai conseguir fazer isso um ano e meio depois do início do processo”, afirma.

Hoje a empresa já paga para o produtor o valor do leite orgânico, mesmo com o processo de conversão ainda não finalizado. Segundo Taissara, foi feito um contrato de longo prazo, garantindo ao produtor que, ao fazer a conversão, ele terá para quem vender o seu produto final. “Hoje 35 fornecedores fazem parte desse grupo e todos eles já são remunerados com o valor do leite orgânico, mesmo ainda vendendo um produto convencional”.

Mas, para produção de leite orgânico existem outros obstáculos. A cadeia desse produto tem uma particularidade onde é preciso converter outras duas cadeias juntas: a de milho e a de soja. “Nesse momento vimos outro gargalo. A produção orgânica de milho no Brasil é bem pequena e a de soja a gente não consegue sequer falar”.

“Como uma forma de resolver o problema de maneira imediata, começamos a trazer um pouco de milho do Paraná, mas nosso grupo de fornecedores se encontrava no interior de São Paulo, em Araraquara, e essa logística se tornou bastante complicada. Percebemos então que era preciso desenvolver esse produto ali na região mesmo”. Diante desse cenário e da necessidade de se investir nessa produção orgânica, foi firmada uma parceria com a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) para a impressão de manuais de produção de milho orgânico, com o objetivo principal de auxiliar um grupo de assentados que já produziam o produto em questão, mas sem condições, informações ou assistência técnica para terem o selo orgânico. “Com os manuais, ajudamos no desenvolvimento dessa cadeia, possibilitando assim o fornecimento desse produto orgânico na região onde estão concentrados os nossos fornecedores de leite”. (O download do manual “Como Produzir Milho Orgânico” está disponível em https://bit.ly/2JjZBbd)

“Se a gente quiser tornar o orgânico disponível, a gente precisa de escala. E é nesse momento que a grande indústria pode entrar como uma parceira. Respeitando todos os princípios da produção orgânica, essas parcerias só tendem a fortalecer a cadeia”, finaliza Taissara.

Assista ao vídeo com a participação completa da Gerente da Nestlé Brasil, Taissara Martins, no debate “Orgânicos e a Indústria: Qual é o futuro?”:

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