Fazenda Nata da Serra se tornou parceira da Embrapa
A relação de Ricardo Schiavinato com o campo foi construída aos poucos, dos bancos da universidade aos aprendizados e pesquisas do dia a dia. Criado no interior de São Paulo e filho de dentista, Ricardo decidiu que não gostaria de seguir a carreira do pai e optou por cursar faculdade de Agronomia. Quando o filho se formou, em 1990, a família decidiu investir em uma propriedade em Serra Negra, no circuito das águas.
A fazenda estava degradada e desmatada, com solos erodidos, córregos assoreados e pastos degradados. Apesar dos conhecimentos universitários, Ricardo precisou começar o trabalho praticamente do zero. “Uma coisa é você ser agrônomo, e outra coisa você ser dono de terra. A gente não tinha muita noção ainda do que que era”, diz.
Nos primeiros anos, Ricardo se dedicou à criação de alguns animais e ao plantio convencional de tomate, pimentão, morango, berinjela e outras hortaliças. Apesar do esmero, os problemas financeiros que o Brasil enfrentava em uma época de inflação altíssima e diversos planos econômicos acabaram se refletindo por ali. “Eu praticamente quebrei depois que veio o Plano Real”. Entre 1995 e 1996, ele chegou a falar com os pais sobre a venda da propriedade. Embora gostasse do que fazia, financeiramente o trabalho não funcionava e Ricardo sentia que precisava fazer outra coisa.
Uma conversa com os pais sobre os produtos que colhia e uma visita às terras herdadas por um amigo da família, que começara a produzir orgânicos, foram a deixa para que Ricardo passasse a ter um outro olhar sobre modos de cultivo e o que havia aprendido nos bancos da universidade. “No primeiro momento eu falava isso não é possível, produzir orgânico. Não pode dar certo. Fui ver e fiquei admirado. Vi aquele trabalho que ele estava fazendo e falei: isso tem solução. Dá para fazer!”. O processo de conversão da produção convencional para a produção orgânica veio a partir de 1997, e foi um divisor de águas na vida do produtor, que passou a se dedicar principalmente aos laticínios.
“Na agricultura orgânica, você tem uma relação de tudo acontecendo. Quando eu entendo isso, é preciso cuidar do solo. Faço as correções corretas, adubações orgânicas. Fui entendendo que existem outros insetos. A gente sempre olha o lado ruim, mas na natureza a maior parte dos insetos são benéficos, tem inseto que come inseto. Você tem o que a gente chama de controle biológico: se a joaninha come ovo de uma praga, você não vai ter essa doença”, explica Ricardo.
“Você acaba utilizando a própria natureza, o que já existe, de uma forma sustentável. Isso também é tecnologia”.
A revolução profissional de Ricardo também se estendeu para uma pessoal. “Eu passei a ser um patrão diferente. A relação com meus funcionários, a relação com a minha família, a relação com a minha mulher. Tudo isso muda porque a gente começa a entender que está tudo interligado, tudo relacionado. Você não consegue seguir um caminho sozinho se no teu entorno tudo não estiver bem. Como é que pode tudo ficar bem se os meus funcionários não estão aproveitando dessa mesma onda?” diz. “Isso mudou para mim a forma como eu entendo o mundo”.
Hoje, a fazenda Nata da Serra é uma referência quando o assunto é a produção orgânica, e recebe visitantes de todo o Brasil e sedia cursos sobre o tema. Considerada uma unidade de demonstração pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a propriedade abriga pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de produção. “Essa tecnologia de produção está sendo replicada para outros elos da cadeia, mesmo que não sejam orgânicos. Isso favorece a agricultura brasileira como um todo”, pensa Ricardo.
“Eu tenho amigos que fizeram faculdade comigo e hoje são grandes produtores no Centro-Oeste brasileiro. E eles estão usando tecnologias que já são sedimentadas dentro da agricultura orgânica para melhorarem a produção de soja, milho e algodão em alta escala. A utilização de fungos para controle de pragas, a utilização de adubação com pó de rocha. Eu acho que a agricultura orgânica está aí para isso. Para ser uma semente para mudar a sociedade”.
Quando perguntado sobre como conta o que faz para as pessoas que recebe, Ricardo demonstra satisfação pela trajetória que percorreu. “Normalmente as pessoas imaginariam que eu falaria ‘eu sou engenheiro agrônomo’, e eu na verdade falo que eu sou produtor de alimento, e alimento de qualidade. Quando eu falo que sou produtor orgânico, sinto um orgulho muito grande. Sou muito feliz e não mudaria nada dessa trajetória. Não foi fácil. Foram muitas coisas que aconteceram, muitas mudanças. Inclusive a de passar de um sistema que eu acreditava, ter que ir para o fundo do poço para depois descobrir um sistema novo de produção que mudou a minha vida”.
- Nome: Ricardo Schiavinato
- Idade: 52 anos
- Cidade e estado: Serra Negra, SP
- Há quanto tempo trabalha no campo? Desde 1990
- Com o que trabalha no agro? Laticínio orgânico
- Nome de marca: Nata da Serra
- Quantidade produzida: 1500 litros de leite por dia (com que são feitos iogurtes, requeijão, manteiga, queijo frescos, ricota, mussarela e queijo meia cura).
CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO E ASSISTA MATÉRIA NA ÍNTEGRA:
Fonte: G1
Clique na imagem abaixo e confira na íntegra o Guia do Consumidor Orgânico da Sociedade Nacional de Agricultura:
Clique na imagem abaixo e confira na íntegra o Guia do Produtor Orgânico da Sociedade Nacional de Agricultura:
Tags: Nata da Serra.
Compartilhe:
Saiba mais sobre Produtor .
Bactérias do gênero Bacillus se consolidam como os principais agentes de controle biológico na agricultura brasileira
Embrapa desenvolve acelerador biológico que transforma resíduos de coco em adubo orgânico de forma mais rápida




Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.