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Empresa investe em ‘plástico’ ecológico feito de batatas e celulose

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Rio, 20 de fevereiro de 2018.
Copos de café descartáveis feitos com o bioplástico desenvolvido pela Biome Bioplastics. Foto: Reprodução/Site Oficial Biome Bioplastics

O plástico representa um sério problema para o planeta. Os oceanos estão infestados de lixo, ameaçando diversas espécies marinhas. Apenas 9% dos detritos de plástico são recicláveis e a queima desses materiais contribui para a emissão de gases de efeito estufa. Diante disso, fica a questão: copos e embalagens feitos com materiais orgânicos e melhores técnicas de reciclagem podem ser uma solução?

Os seres humanos se acostumaram ao longo dos anos a depender do plástico. É durável e versátil, e a economia moderna, em parte, depende desse material. Para muita gente que usa, simplesmente não existem opções comerciais biodegradáveis viáveis e em quantidade suficiente para substituir. Um exemplo é o canudo de plástico. A empresa Primaplast, fabricante líder de canudos, diz que alternativas mais ecológicas são muito mais caras. Outro exemplo é o copo de café descartável. No Reino Unido, são utilizados 2,5 bilhões de copos assim todo o ano. E se engana quem pensa que eles são recicláveis. Uma camada de polietileno usada para tornar o copo impermeável impede o reaproveitamento.

A Biome Bioplastics está tentando mudar essa realidade. A empresa desenvolveu copos completamente recicláveis usando materiais orgânicos como fécula de batata e amido de milho, e celulose, o principal componente das paredes celulares das plantas. Os plásticos mais tradicionais são feitos de óleo.

A empresa criou um plástico feito de planta, chamado bioplástico, que é completamente biodegradável e que pode ser jogado tanto em lixeiras de reciclagem de papel, quanto nas de lixo orgânico. Paul Mines, chefe-executivo da Biome, acredita que é a primeira vez que bioplástico está sendo transformado em copos e embalagens descartáveis completamente recicláveis e capazes de resistir a líquidos quentes. Esses produtos ainda não estão no mercado, mas Mines está em negociação com diferentes revendedores.

“Não é viável se livrar por completo dos plásticos, mas é possível substituir alguns plásticos originados do petróleo por outros, derivados de plantas”, afirma.

Outros produtos estão sendo criados

Várias empresas e institutos de pesquisa, como a Full Cycle Bioplastics, a Elk Packaging e o Centro de Pesquisa Tecnológica da Finlândia estão trabalhando no desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis e funcionais ao plástico convencional.

A empresa MacRebur, de Toby McCartney, desenvolveu um material de asfaltamento de estrada feito de plástico reciclado. A mistura de plástico substitui o betume de óleo, tradicionalmente usado na construção de vias e rodovias. “O que estamos fazendo é resolvendo, com uma solução simples, dois problemas mundiais: a epidemia de plástico e a baixa qualidade das estradas”, afirma McCartney.

Desde seu lançamento dois anos atrás, o material híbrido da empresa tem sido usado para a construção de estradas por todo o Reino Unido.

Poluição

Mais de 5 trilhões de peças de plástico estão flutuando nos nossos oceanos, algumas das quais podem demorar mil anos para se decompor por completo. Conforme vão se quebrando ao longo dos anos, pequenos fragmentos de plástico acabam sendo engolidos por animais marinhos.

Cientistas estão particularmente preocupados com a ameaça a tubarões, baleias e arraias. Toxinas de plástico impõem um risco sério à saúde desses bichos, e o microplástico já chegou até ao Ártico, pelas correntes marinhas.

Ação dos governos

O Reino Unido se comprometeu a eliminar todo o plástico substituível até 2042, enquanto a França baniu sacolas de plástico descartáveis.

A Noruega possui há décadas um esquema de depósito de garrafas de plástico, onde as pessoas recebem parte do dinheiro de volta ao depositar as garrafas numa máquina coletora. O Reino Unido estuda adotar essa política.

Em São Paulo, as tradicionais sacolas plásticas brancas foram proibidas e alguns supermercados passaram a cobrar dos consumidores por sacolas biodegradáveis que não carregam marcas comerciais.

Fonte: BBC

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