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Apesar de trabalhosa, agricultura orgânica pode ser mais lucrativa para o produtor

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Rio, 17 de maio de 2018.
Foto: Sylvia Wachsner

Há três anos Evandro Aparecido Lolis Arroyo, 48 anos, passou a investir em manejo sustentável e quase totalmente orgânico na sua propriedade de 30 hectares, localizada em Santa Fé (PR), cidade próxima a Maringá e com pouco mais de 11 mil habitantes. Na fazenda, o produtor mantém tanques de engorda de peixes, cria gado e suínos em sistema orgânico, além de cultivar frutas e hortaliças, também sem a utilização de agroquímicos. Para dar conta de todo esse trabalho, ele conta com a ajuda de quatro colaboradores, maneira a qual se refere aos seus funcionários.

Após 24 anos atuando na área comercial e empresarial, Arroyo conseguiu dinheiro suficiente para a compra de suas primeiras terras. Hoje, seis anos depois e já em uma nova propriedade, ele fala satisfeito sobre a mudança de vida. “Trabalho numa atividade que, apesar de exigir bastante, é muito mais saudável. O contato com o campo, com os animais que criamos e a natureza, tudo isso é mais saudável, física e mentalmente”, afirma.

Até os anos 1970, a família de Evandro produzia café em Santa Fé, quando decidiu trocar a lavoura pela vida no centro da cidade. “Mas eu sempre fui apaixonado pelo agro. Quando houve oportunidade de adquirir terras, resolvi deixar todas as atividades urbanas. Hoje tenho agricultura e agropecuária”, diz.

A diversificação de atividades é um dos motivos de seu sucesso como produtor. Suas principais fontes de renda são a produção de lichia e maracujás orgânicos e a pecuária de corte. A iniciativa de não usar agroquímicos, além de ser uma ação sustentável, segundo Evandro, é também um meio de gerar mais lucro.

Lichias orgânicas produzidas na propriedade de Evandro Arroyo, em Santa Fé (PR). Foto: Reprodução/Canal Rural

“Eu vendo a lichia e o maracujá pelo dobro do preço do mercado, mas a receita maior é com o gado, 5% mais valorizado que o preço atual, por não usar suplementação e medicamentos industrializados”, ressalta. Atualmente, ele está desenvolvendo um projeto com a Secretaria de Agricultura do município para montar um abatedouro na propriedade.

Evandro se formou como técnico em agropecuária, e conta que está sempre em busca de atualizações na área, através de canais de TV e de internet, e também buscando informações em órgãos de pesquisa. “A Embrapa é uma grande instituição, que nos dá muito respaldo, assim como a Emater. Elas lançam ideias para desenvolver as atividades dentro de uma propriedade pequena e ter uma lucratividade maior”, afirma.

“Minha maior conquista dentro da atividade foi a de poder fazer uma propriedade modelo, é um sonho realizado. Somos procurados por pessoas interessadas, somos uma referência”, conta orgulhoso.

O setor de orgânicos cresceu 20% no Brasil em 2016, movimentando cerca de R$ 3 bilhões, segundo o Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis). “Mas falta investimento”, acredita Evandro, que cobra mais incentivo do poder público para divulgar e estimular no país a produção agropecuária sem uso de aditivos e agroquímicos.

Fonte: Canal Rural 

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