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A nova economia da Amazônia

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Rio, 18 de dezembro de 2018.
A produtora Oliva Biavatti, de Nova Califórnia (Foto: Marcelo Curia/Ed. Globo). Fonte: Globo Rural

O Reca é um das centenas de projetos de pecuária verde, agricultura responsável e sistemas agroflorestais que, nos últimos dez anos, conseguiram estabelecer um novo padrão de convivência entre ambientalistas e produtores rurais na Amazônia.

Embora a hostilidade ainda persista em muitos rincões, um novo universo de negócios com responsabilidade social e ambiental, ao lado do manejo florestal sustentável e do extrativismo, está criando uma agenda positiva para o bioma, associando conservação, uso racional dos recursos naturais e geração de emprego e renda.

As brigas entre produtores rurais e ambientalistas começam a ceder espaço a parcerias com resultados econômicos mais positivos do que os gerados pela agricultura predatória e a pecuária extensiva, ambas intensivas em carbono.

É o que aconteceu em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, onde a organização não governamental The Nature Conservancy (TNC) desenvolve projetos de pecuária verde e sistemas agroflorestais com cacau.

Deniston Mariano Dutra, produtor de cacau em São Félix do Xingu (PA) (Foto: Divulgação). Fonte: Globo Rural

O produtor rural Deniston Mariano Dutra, de 48 anos, é um dos que participam do Cacau Floresta da TNC, que o apoiou tecnicamente no plantio de 5 hectares em 2014, que dobrou nos últimos anos. Antes do cacau, Deniston penava para sobreviver com a venda de leite. O produtor vendeu cacau orgânico no ano passado entre R$ 12 e R$ 13 o quilo da amêndoa, quase o dobro dos R$ 6 a R$ 7 pagos pelo cacau convencional. “Se tivesse mais cacau orgânico, vendia tudo.”

“São Félix do Xingu é um território-chave para alavancar lições aprendidas que sejam replicáveis em regiões da Amazônia que enfrentam problemas similares, como as áreas degradadas e as elevadas taxas de desmatamento”, afirma Rodrigo Freire, do TNC Brasil.

No entanto, um conjunto de desafios nada triviais freia um avanço mais acelerado da transição para um desenvolvimento agropecuário mais harmônico com as peculiaridades de um bioma que é uma das joias da Coroa para a biodiversidade e o clima global. A lista de problemas é volumosa, a começar pela falta de uma estratégia com objetivos, metas e articulação entre governos, setor privado, sociedade civil e agências financiadoras para fomentar uma agropecuária sustentável no bioma. “Temos hoje na Amazônia um mosaico de iniciativas de negócios sustentáveis que não falam entre si”, comenta Marcello Brito, diretor executivo da Agropalma, maior indústria de óleo de palma do Brasil, com plantação de dendê em Tailândia, no nordeste paraense.

Completam a relação de entraves à insegurança fundiária, a escassez de recursos para bancar a recuperação de áreas degradadas, a governança precária nos municípios, a assistência técnica insuficiente, a relação difícil entre indústria e fornecedores e a ausência de uma política de pagamento por serviços ambientais (PSA).

“Como investir se podemos descobrir depois que o título é falso?”, desabafa Marcello, para quem a incerteza em torno da validade jurídica dos títulos de terra é de longe o principal obstáculo para atrair investimentos sustentáveis para a Amazônia. Ele conta que a própria Agropalma, que tem uma dúzia de certificações, como a conquistada em 2011 da RSPO (sigla em inglês para Mesa-Redonda do Óleo de Palma Sustentável), cresceu muito por um período de sete anos e estagnou devido à questão fundiária.

Leia a noticia completa na revista Globo Rural:

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