Consumidor de Orgânicos

‘Novos alimentos’ incentivam tendência de consumo

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Rio, 4 de janeiro de 2019.

Hámburguer realizado pelo Professor Mark Post, da Maastricht University da Holanda.
PRESS ASSOCIATION, foto, 5 de Agosto de 2013.
Foto: David Parry/PA

Diversas empresas de matriz científica estão investindo na cadeia de alimentos para criar produtos inovadores ou com características diferenciadas. Essas empresas comercializam, por exemplo, produtos que substituem a proteína animal por uma base de origem vegetal. Outras utilizam fermentos para a produção de laticínios.

Os chamados ‘novos alimentos’ já começam a definir uma tendência de consumo, baseada em aspectos da sustentabilidade. A informação é da coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner.

Ela explica que esses alimentos, que podem substituir a carne por produtos similares a uma base de plantas, são uma resposta a quatro fatores atribuídos à produção e ao consumo de animais: impacto na saúde humana, mudanças climáticas, esgotamento de recursos naturais e bem-estar animal.

Além disso, Sylvia ressalta que “o processo científico para desenvolver tecnologias de proteína animal – sem utilizar animais – apresenta diversas vantagens, entre elas, menor uso de água, solos e energia, e também menor utilização de ingredientes livres de pesticidas”.

IMPACTO

No entanto, a coordenadora do CI Orgânicos chama a atenção para o fato de que “há um certo receio por parte das pessoas em consumir alimentos criados em laboratório”.

Ainda de acordo com a coordenadora da SNA, os cientistas questionam a hipótese de que a criação de proteína animal envolva uma demanda de milhões de cabeças de gado e que isso provoque um considerável impacto ambiental no uso dos recursos naturais e na emissão de gases de efeito estufa.

“Algumas pessoas acham que a carne da cultura de tecidos é ficção científica. Eu realmente acho que é uma boa ideia. Se o que você está fazendo não é visto por algumas pessoas como ficção, provavelmente não é suficientemente transformador”.

A afirmação é de Sergei Brin, um dos fundadores do Google e um dos primeiros a apoiar as pesquisas do cientista Mark Post para a produção de carne a partir de células-tronco de músculos de vacas.

O resultado positivo do cultivo de tecidos impulsionou os estudos deste professor de Fisiologia da Universidade de Maastrich (Holanda), que levou em consideração fatores como bem estar animal, proteção ao meio ambiente e combate à fome mundial. Segundo Post, o processo é similar ao do crescimento da carne dentro dos animais.

PRODUÇÃO

Os resultados já são visíveis. Sylvia anuncia que “o hambúrguer de laboratório estará no mercado dentro de três anos, e a Mosa Meat, empresa fundada pelo cientista, irá desenvolver a engenharia de tecidos para a produção em massa de carnes a preços acessíveis”.

A coordenadora da SNA explica que “o preço da carne produzida em laboratório ainda é muito elevado, mas tão logo essa tecnologia seja aperfeiçoada, os produtos se tornarão competitivos”.

Carne bovina, de frango e de pato estão sendo desenvolvidas pela Memphis Meats, considerada a líder de carnes limpas, com investimentos da Cargill, gigante das commodities, de Bill Gates e da Tyson. “O futuro sinalizará se a carne de laboratório poderá derrubar a pecuária e fornecer, em escala, e com menor pegada ambiental, alimentos seguros, saborosos e mais baratos”, afirma Sylvia.

Uma nova geração de empresas como a Impossible Foods, nos EUA, produz carnes e queijos à base de plantas. A americana Clara Foods desenvolve em laboratório proteínas à base de levedura e açúcar com o objetivo de produzir claras de ovos, sem a necessidade de utilização de aves. A levedura, que contém os genes dessas claras, é reprogramada para gerar as proteínas.

DESAFIO

O professor Post acredita que, “se num espaço de uns 20 anos a carne cultivada tiver boa aceitação pelo público, poderá substituir a carne convencional”.

Para Sylvia, o desafio é grande: “Cultivar carne em laboratório, produzir ‘ovos’ cremosos e mexidos à base de vegetais, peixes que nunca nadaram na água ou leite de vaca feito com levedura. Com isso, os cientistas planejam suas metas na diminuição dos impactos ambientais”.

fonte: Equipe SNA/Rio

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