Consumidor de Orgânicos

Malunga: maior mercado de orgânicos do Brasil

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Rio, 30 de maio de 2019.

Quando começou, há três décadas, nem se sabia o que era um produto orgânico, livre de agrotóxicos, resultado de um plantio de amor à terra que respeitasse o solo, os lençóis freáticos e os rios. Orgulho brasiliense, a fazenda Malunga é referência nacional. Mas no princípio, enfrentou o preconceito e quase um atestado de insanidade seguido de um título de hippie aventureiro.

Por Carolina Cascão

Se me perguntassem de onde vem a Fazenda Malunga, eu diria que a origem é de uma couve-flor que não deu certo. Vou explicar: era uma vez um jovem engenheiro florestal, chamado Joe Valle, ainda estudante, que resolveu plantar couve-flor, em 1982, e depois vender, numa desastrosa experiência no Ceasa-DF (Centrais de Abastecimento do Distrito Federal). Logo em seguida, mais um episódio desestimulante na agricultura convencional, a intoxicação da terra por agrotóxicos. A partir daí, com a cara e a coragem, numa época em que nem se sonhava com a agricultura orgânica, nascia então o sistema de plantio não convencional, totalmente natural, a 70 km de Brasília, na Fazenda Malunga.

Joe Valle, o pai da agricultura orgânica no DF.

A Malunga, referência nacional no mercado de orgânicos, que produz alimentos saudáveis sem agrotóxicos, adubos químicos ou hormônios, recém inaugurou a quarta unidade, com 220 m2, no setor Sudoeste, em Brasília. É o único, neste modelo de loja, no Brasil, segundo o proprietário, Joe Valle. A disposição das estantes, não muito altas, é visualmente equilibrada e permite uma visão estratégica de todo o mercado. Os corredores amplos evitam o congestionamento dos dois tipos de carrinhos de compras, o tradicional e o menor, específico para crianças.

Carrinhos de compras para os pais e os filhos

Os produtos estão expostos de maneira organizada e divididos em laticínios, congelados, frios, carnes, frutas e verduras, bebidas, pães e produtos de limpeza (que vende de pasta de dente orgânica a ração para pets).

Feita as compras, o momento de pagar também é prático e rápido. Existem quatro caixas com funcionários e duas máquinas “auto-caixas”, onde cada cliente registra a própria compra por meio de um leitor de código de barras, paga e embala. Em Brasília, este é o segundo estabelecimento a adotar esta iniciativa tecnológica.

A Malunga disponibiliza mais de três mil produtos e três certificados de qualidade, além de oferecer ideais condições de trabalho para 182 funcionários na fazenda, mais 32 distribuídos dentre as quatro lojas. Além da recém-inaugurada, uma está localizada na quadra 315 norte e outras duas, em Águas Claras, no shopping Felicittá e no Mirante Plaza. Os produtos também podem ser encontrados em mais de 30 mercados do DF, pedidos por delivery e, em breve, comprados por meio do e-commerce (mais uma novidade).

A Malunga ajuda e valoriza os trabalhadores rurais. A prova disso são as placas dispostas, nos produtos, com o nome do produtor/fornecedor, a certificadora e o Estado do País. Embora a empresa valorize o produtor rural do Distrito Federal, é generosa também com outras cidades. “O produtor local tem uma seção só com os lançamentos”, disse Joe Valle.

“Garantir a qualidade de vida das pessoas e ao mesmo tempo respeitar os ciclos da natureza fazem parte da cadeia produtiva”, explica Valle.

Produtos diversificados e de qualidade

Fui atraída de primeira pelo aroma do manjericão. E pelo vermelho do seu vizinho, os lindos tomatinhos, dispostos em elegantes cestas de vimes, assim como as pêras. E assim, a frase estampada no Mercado Malunga, “Sinta-se em casa”, fez mesmo que eu me sentisse como tal.

Logo depois, os tons em pink, branco e pontinhos pretos me atraíram para uma linda pitaya -, fruta antioxidante que retarda o envelhecimento (quem lê, vai achar que estou escrevendo sobre roupa).

As frutas e verduras Malunga possuem 40% mais de antioxidantes -, o que reduz risco de câncer e de doenças do coração. As receitas ficam mais saborosas também. E, se gosta de compras, produtos diferentes, alimentação funcional, leve e natural irá sentir-se com 15 anos na Disney, neste mercado.

Pepino snack, perfeitos para crianças.

Destaco também as folhas verdíssimas e o pepino snack -, uma fofura em dimensões bem “petit”, ideal para crianças. As folhas podem ser compradas também em versões já embaladas e higienizadas, prontas para a salada. Basta tirar do saco plástico e dispor numa linda saladeira. Gosto de um prato português para servir (pronto, falei!).

Café-da-manhã, almoço, lanche e jantar. Tudo orgânico.

Praticidade é o que mais se precisa, hoje em dia, diante de rotinas tão preenchidas. Então, pode-se se sair do Malunga com compras que se desdobram em refeições completas -, ou seja, tudo se resolve em apenas um único lugar. Vinhos e cervejas orgânicas, biodinâmicos e naturais, podem acompanhar as massas e molhos tomates, também orgânicos, com leveza e autenticidade. Ou sanduíches, preparados com os frios e fatiados sem conservantes e sem lactose, oriundos de animais orgânicos que são alimentados da forma mais natural possível.

Os sucos são bem diferentes também. Vi pelo menos uns seis tipos de sucos de uvas, além do de tomate e o de mirtilo (blueberry) que são mais diferentes. A chamada “bebida viva”, o kombuchá, também pode ser encontrado em algumas versões. O sabor de limão com gengibre é bem peculiar -, os de manga e de uva branca também parecem ser diferentes.

Uma novidade é a Pasta Integral de amendoim e amêndoas, moídas na hora, sem aditivos químicos e corantes artificiais. É um produto rico em proteínas e sem açúcar.

A inclusão em forma de comida

Os pães cultivados naturalmente, num processo de fermentação que leva entre 10 horas a cinco dias, com opções sem glúten também.

Os produtos de laticínios são de puro leite da fazenda, livre de agrotóxicos. Mas existe a opção sem lactose e vegana nas prateleiras de leite. Um destaque ao creme orgânico de coco em pó que vem sendo muitíssimo utilizado em receitas veganas.

As polpas das frutas, como também as frutas congeladas, são apenas uma das opções perto de tantos produtos orgânicos congelados, como legumes, vegetais, carnes, entre outros. Todos possuem exatamente a mesma composição nutricional que os frescos. “São iguais na composição de proteínas, carboidratos, gordura e também no composto de vitaminas e minerais”, disse Valle.

A panqueca de carne congelada sem glúten parece ser boa alternativa, assim como o empadão de frango. Para os veganos, existe uma linha imensa, como o bobó de palmito pupunha e abobrinha, a feijoada, a lasanha de abóbora e berinjela. “A coxinha de jaca é uma delícia”, revela Joe Valle.

Carnes (proteína orgânica) e azeites diferentes

A proteína orgânica é uma carne produzida a partir de um sistema produtivo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável -, submetido por uma certificação que comprova a produção mais natural, isenta de resíduos químicos e que se preocupa com ambiente. “É essa a ideia desde o princípio. Valorizar o tema sustentabilidade por meio de uma sociedade colaborativa que leva em consideração os pilares econômicos, sociais e ambientais”, afirma Valle.

Todos os azeites disponíveis têm baixa acidez e são ricos em vitamina E e ácidos graxos -, fato este que favorece a mineralização óssea. Além de combater o envelhecimento dos tecidos e órgãos em geral, contribui para o bom funcionamento da vesícula e do aparelho digestivo, e prevenir doenças cardiovasculares.

“Manter o planeta vivo com qualidade”

Palavras de Joe Valle, pai e precursor da agricultura orgânica no Distrito Federal, que teve como “mestre” (palavras dele também), Yoshio Suzuki, um dos pioneiros do segmento no Brasil, que o ajudou a criar o sistema na Fazenda Malunga. Valle o procurou em São Paulo, após as experiências pouco animadoras com a agricultura tradicional.

A partir daí, Valle motivado com uma nova perspectiva, começou a produzir produtos orgânicos, na Fazenda Malunga, e em parceria com alguns colegas da Universidade de Brasília, começou a vender esses “frutos” numa feira na UnB e na quadra 306 sul. Era o começo do sonho. Em ao lado de outros produtores, criou-se a Associação de Agricultura Ecológica (AGE).

Educação ambiental em visitas guiadas na fazenda

A cada 15 dias, sempre aos sábados, quem quiser visitar a fazenda e almoçar com Joe Valle, basta agendar visitação diretamente nas lojas. Os grupos são formados por no máximo 30 pessoas.

Os princípios da Malunga faz jus à palavra, que no dialeto africano significa companheiro/irmão -, assim como os escravos se designavam reciprocamente quando partiam em navios, no mesmo ou em outro sentido. Outro significado, reunião em torno de algo bom. Ensinamentos do pai José, ainda lá em Caicó, no Rio Grande do Norte, onde Joe nasceu em 02/09/1964.

“Assim, a palavra malunga nos prova e lembra que somos todos iguais na preservação da vida e do meio ambiente”, afirma Valle.

Joe Valle é casado com Clevane Ribeiro, desde 1995 -, ela, como engenheira agrônoma, foi fundamental em todo o processo e profissionalização da empresa. Desta união, Mariana, 20 anos, faz faculdade de Administração de Empresas e, Maria Luiza, 16 anos, traça planos como veterinária.

“Ninguém acreditava que a agricultura orgânica seria possível. Fui chamado de maluco por um tempo”, relembra Valle. Logo no início, na época das feiras, tinha até “briga” por um maço de cenouras. Quem diria que a couve-flor daria tanta sorte para cenouras…

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