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Cooperativas do MST concluem captação de R$ 17.5 milhões com CRA

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Rio, 17 de setembro de 2021.
Terra Livre, arroz orgânico, foto: CI Orgânicos.

Sete cooperativas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) concluíram ontem a captação de R$ 17.5 milhões no mercado de capitais, numa operação de impacto socioambiental inédita no país. Os recursos beneficiarão 13.000 agricultores. 

Os certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) emitidos na instrução 400 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que têm como lastro a produção futura das cooperativas, receberam aporte de 1.518 pessoas físicas que não são investidores profissionais.  

Foram R$ 14.5 milhões emitidos com taxa de 5,50% ao ano e prazo de 5 anos. Os demais R$ 3 milhões foram emitidos numa colocação privada (pela Regra 476 da CVM) para apenas um investidor, que tomou a frente dos riscos. 

O número de contas abertas para investimento nos papéis alcançou 4.794, superando em três vezes o número de pessoas que concluíram o investimento. “Foi um sucesso. Foi recompensador permitir que as pessoas investissem na agricultura familiar, numa operação nos moldes tradicionais”, comemora João Paulo Pacífico, presidente da Gaia Securitizadora, que estruturou a operação.  

A principal forma de divulgação da oferta foi numa live autorizada pela CVM. Cerca de 2.500 pessoas assistiram a uma transmissão de 1 hora e 40 minutos para entender a operação e saber como poderiam participar.  

A divulgação, porém, acabou ganhando um contorno autônomo. “Teve um boca a boca gigantesco. Soubemos de pessoas que organizavam eventos para explicar a operação sem a gente saber. Eram pessoas curiosas, e gente até de fora do Brasil querendo investir”, disse.  

A operação não correu sem contratempos. Em meio à repercussão da oferta, a CVM suspendeu a operação e questionou a Gaia sobre a razão de o prospecto preliminar não ter detalhado a vinculação das cooperativas com o MST. A securitizadora argumentou que o movimento não tem personalidade jurídica nem relação com o lastro da operação e atualizou o prospecto com essa informação, o que destravou a emissão dos títulos. “Isso deu até mais visibilidade”, disse.  

Pacífico se aproximou do MST por causa de seu amigo e economista Eduardo Moreira, conhecido pela proximidade com o movimento. Num encontro entre os dois, Moreira mostrou fotos de um assentamento que o impressionaram. Interessado na organização do movimento, Pacífico acompanhou o amigo em uma visita a uma cooperativa da reforma agrária no Rio Grande do Sul, onde conheceu os assentados e sua agroindústria. Dali surgiu a ideia de apoiar a agricultura familiar via mercado de capitais. A estruturação da operação levou mais de um ano. 

Com o resultado, Pacífico acredita que mais operações do tipo podem ocorrer. “A agricultura familiar tem as frentes social, porque ajuda muitas pessoas, ambiental, com produção orgânica e agroecológica, e de segurança alimentar”, disse. 

Fonte: Valor 

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