Produtor

“Mercado de orgânicos precisa de diversidade e maior eficiência”, afirma especialista

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Rio, 15 de junho de 2021.

Poucos produtos disponíveis, pequeno número de agricultores, falhas de eficiência e segregação nos processos de produção e venda gerando aumento de custos. Esse foi o cenário do setor orgânico traçado por Jonathas Baerle, gerente-geral da Gebana, empresa suíça do setor que atua no Brasil desde 2002.

Segundo o especialista, o mercado de orgânicos precisa investir mais em certificação, apoio técnico, agregação de valor, pesquisa, busca de parceiras e facilidades de venda para o produtor.

“É necessário atrair mais produtores para suportar o crescimento do setor. O mercado nacional deverá crescer 30% nos próximos cinco anos”, anunciou Baerle, que participou esta semana de uma videoconferência sobre grãos orgânicos, organizada pelo Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) e rede OrganicsNet, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). O encontro foi moderado pela diretora da SNA, Sylvia Wachsner.

Para Márcio Challiol, gerente agrícola da Gebana, que também participou do debate, a agricultura orgânica poderá ser “a vanguarda da moderna agricultura brasileira”. “É um setor diferenciado, que precisa de melhor entendimento por parte dos consumidores. As cadeias devem ser mais valorizadas, mostrando sua qualidade e com uma diversidade maior”, disse ele.

“O produtor precisa estar capacitado e bem amparado pela assistência técnica, de forma eficiente. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento devem ser contínuos”, reforçou Challiol, que também destacou a importância do uso de novas tecnologias como os drones na coleta e cruzamento de dados e no monitoramento da produção.

Certificação

Precursora do comércio justo na Europa, a Gebana atua no Brasil junto a 100 produtores certificados, além de outros 50 em processo de conversão. Foi um dos primeiros grupos certificados de produtores de soja e comércio justo no mundo. Um de seus objetivos é promover a produção orgânica aliada à preservação ambiental.

“A demanda é grande pela busca por sistemas certificados com agregação de valor. Quando o processo é bem feito, a rentabilidade do produtor pode chegar a uma faixa de R$ 800,00 a R$ 1.000,00 reais por hectare”, ressaltou o gerente agrícola da empresa.

Investimentos na qualidade dos solos e na agricultura de precisão, bem como na busca por inovação foram alguns dos pontos abordados por Dionísio Filipini, agricultor de Santa Catarina, que também traçou um breve histórico da evolução da agricultura orgânica no estado, desde o final da década de 70.

Sementes

A questão sobre a falta de disponibilidade de sementes orgânicas é outra preocupação do setor. “As sementes hoje não são orgânicas, mas a legislação atual permite o uso de sementes convencionais não-transgênicas na produção, com autorização de certificadoras”, explicou o especialista.

No entanto, disse ele, “nossa meta é começar a produzir sementes orgânicas já a partir do próximo ano, diante da obrigatoriedade exigida pela Portaria n°52 (publicada pelo Ministério da Agricultura no Diário Oficial em março deste ano)”.

Valor agregado

No Brasil, a Gebana mudou seu foco de atuação, passando de cliente de produtores de soja orgânica a empresa de apoio às famílias dos agricultores, agregando valor para a agricultura familiar, por meio do processamento e da comercialização de grãos como soja, milho, trigo, canola e girassol. Além disso, a empresa atua na busca de mercado para produtores.

“Geramos 30 mil toneladas por ano de grãos, sendo a metade soja e derivados”, informou Baerle. O cultivo de trigo e milho orgânicos em rotação com a soja ampliou a renda das famílias e criou novas cadeias produtivas, com a elaboração de subprodutos de valor agregado.

A meta da empresa é triplicar  o volume de produção em cinco anos. “Vendemos 60% da produção para o mercado nacional, que é o nosso foco, e o restante é exportado para  Europa e EUA”, acrescentou o gerente.

Comercialização e suporte

Quanto à comercialização, a Gebana trabalha com um sistema de preços baseado no produto convencional ou transgênico. “Adotamos um modelo que mais agrada ao produtor: ele entrega o produto e tem até o final do ano para realizar a venda, quando ele achar que o preço for mais favorável. Pagamos, no mínimo, 30% sobre o valor do produto transgênico”.

A empresa também conta com uma rede de informações e pesquisas para dar suporte aos produtores a fim de garantir o manejo correto em sua atividade, incluindo os cuidados com os solos.

Fonte: CI Orgânicos

Equipe SNA

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