É muito importante também, de acordo com a especialista, que os produtores conheçam as joaninhas em todas as suas fases de vida, desde os ovos, até os besouros adultos.

“Muitas vezes, por desconhecimento dessas etapas, o produtor acaba matando as larvas ou ovos de joaninhas, pensando serem de uma praga, quando, na verdade, podem ser exatamente a solução para uma das adversidades da plantação de hortaliças”, sublinha.

A pesquisadora do IB explica ainda que esse pequeno besouro também pode ser usado no controle biológico de pragas em culturas anuais, em frutíferas e plantas ornamentais.

“As joaninhas medem de 1 a 10 milímetros. Os adultos, após o acasalamento, colocam os ovos agrupados, que darão origem a pequenas larvas. Tanto as larvas como os adultos se alimentam dos pulgões”, ensina Terezinha Cividanes. Ela orienta que “o único momento em que a joaninha não se alimenta dessa praga é durante seu período de pupa, ou seja, quando fica numa espécie de casulo e nada come”.

Importância das joaninhas

Para que esses besourinhos sobrevivam para fazer o controle biológico de pulgões, não se deve usar defensivos agrícolas. Foto: Arquivo

Para disseminar a importância das joaninhas em ações de controle biológico, Terezinha Cividanes realiza, juntamente com o pesquisador Fernando André Salles, do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), projeto de “Utilização da Aquaponia como Instrumento Didático”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), na Escola Estadual Bairro Francisco Castilho, do município de Cravinhos, no interior paulista.

No projeto, coordenado por Salles, os alunos do ensino fundamental e médio aprendem a cultivar hortaliças e criar peixes em conjunto, em um sistema conhecido por aquaponia. “Como na aquaponia há o cultivo de hortaliças, os alunos são estimulados a reconhecerem os benefícios das joaninhas para o controle de pulgões que infestam essas plantas”, enfatiza a pesquisadora do IB.

Controle biológico

Em ambientes propícios, esses besourinhos “do bem” se proliferam e controlam as pragas. Foto: Arquivo

Terezinha Cividanes explica que o controle biológico consiste no uso de inimigos naturais para diminuir a população de uma praga. “Resumidamente, pode ser definido como natureza controlando natureza”.

A especialista ressalta que “os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores”.

Referência no Brasil e no mundo em controle biológico, o IB tem forte atuação junto ao setor produtivo. “Orientou a criação e manutenção das biofábricas, que desenvolvem esses produtos biológicos para serem aplicados nas lavouras’, destaca a pesquisadora.

Ela frisa que mais de 80 biofábricas de todo Brasil recebem orientação dos pesquisadores do IB. “Em 2019, por exemplo, o Instituto Biológico assinou 23 contratos para transferência de tecnologia para essas empresas, localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná”, informa.

Segundo a pesquisadora, o IB mantém o Programa de Inovação e Transferência de Tecnologia em Controle Biológico (Probio), que reúne as tecnologias e serviços prestados no Instituto, principalmente para as culturas da cana-de-açúcar, soja, banana, seringueira, flores, morango, feijão e hortaliças.

Fontes: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, SNA