socioambiental

Microorganismo é capaz de exterminar gafanhotos que atacam lavouras

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Rio, 9 de julho de 2020.
O fungo Metarhizium acridum é capaz de combater inúmeras espécies de gafanhotos – insetos considerados os principais devastadores de vegetações em algumas regiões do planeta e que se aproximam do Brasil

Agricultores brasileiros, empresas do setor agrícola, cooperativas, universidades e instituições de pesquisa do Brasil e de outros países contam com um universo de milhares de espécies de seres microscópicos capazes de destruir pragas (insetos, plantas indesejáveis e agentes causadores de doenças) que devastam lavouras e tiram o sono dos produtores – como, por exemplo, gafanhotos.

Um desses microorganismos é o Metarhizium acridum, capaz de matar  inúmeras espécies de gafanhotos – insetos  considerados os principais devastadores de vegetações em algumas regiões do planeta.

Considerados fundamentais à pesquisa agropecuária, especialmente quando os cientistas buscam uma agricultura sustentável, vírus, bactérias e fungos letais (mas inofensivos ao homem e ao ambiente) integram a coleção microbiana da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF).

O fungo Metarhizium acridum, por exemplo, está catalogado no Alelo Micro, parte do Portal Alelo, página localizada no portal da Unidade na internet, com informações de recursos genéticos animal, microbiano e vegetal. Somente os dados sobre microrganismos reúne 28 coleções com um total de 53 mil linhagens microbianas, segundo a pesquisadora Cléria Inglis, chefe geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Maior inimigo dos gafanhotos

Gafanhotos mortos após serem atacados pelo fungo. Foto; ScienceImage- CSIRO

Para se ter uma ideia da importância dos microrganismos à agropecuária, em especial para o controle biológico e as diferentes possibilidades para produção em biofábricas, o pesquisador Marcos Faria, especialista em fungos que atua no Laboratório de Micologia de Invertebrados desse centro de pesquisa da Embrapa, relata que o grau de letalidade do Metarhizium acridum para os gafanhotos chega a 80%.

Em testes de campo realizados no Mato Grosso com o gafanhoto Rhammatocerus schistocercoides, as ninfas (gafanhotos jovens que ainda não conseguem voar) não resistiram ao ataque desse fungo

O combate ocorre na lavoura, mas antes de tudo os fungos são preparados numa biofábrica e transformados em um poderoso bioinseticida, feito à base de óleo. Depois, as lavouras são pulverizadas com o líquido, especialmente nos nascedouros dos gafanhotos, atingindo as ninfas.

Testes

“Hoje essa é uma prática bastante usada na África e Austrália”, comenta Faria. Na prática, o processo se dá porque os esporos produzidos pelo fungo conseguem germinar sobre o corpo do gafanhoto e, posteriormente, penetram no interior dele, o que resulta na morte do inseto.

O Metarhizium acridum foi testado por pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia no município de Campo Novo dos Parecis (MT), num trabalho conjunto com o Centro Internacional de Cooperação em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD/França).

Na época, aquela região sofria ataques do Rhammtocerus schistocercoides, de hábito gregário, que se alimenta exclusivamente de gramíneas e que não tem capacidade de longos deslocamentos. “Isso foi no final dos anos 90, começo dos anos 2000, e procuramos um método de controle eficiente e seguro.”

Nuvem de gafanhotos devastando lavouras de milho no leste da África em janeiro deste ano. A pior infestação do inseto em décadas. Foto: FAO

Com a chegada da soja, algodão e outras lavouras não graminívoras, o gafanhoto perdeu o status de praga. Desde então os ataques por esses insetos em território brasileiro têm sido esporádicos, embora em áreas de fruticultura e floricultura da região Nordeste tenha ocorrido mais frequentemente”, observa Marcos Faria.

Segundo o pesquisador, embora o controle de nuvens de gafanhotos adultos com elevada capacidade de deslocamento – como o recentemente ocorrido na Argentina com a espécie Schistocerca cancellata – seja desafiador aos cientistas, é importante destacar que o risco de ocorrer a entrada dessa praga no Brasil expõe a necessidade de uma maior interação entre os países envolvidos, com ações coordenadas, visando o controle biológico das ninfas nos nascedouros. Isso porque as instituições de pesquisa da Argentina, Bolívia e Paraguai conhecem os hábitos dessa espécie e a troca de informações proporcionaria mais agilidade no combate.

Fonte: Embrapa

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