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UFV: técnica agroecológica para cultivo de hortaliças

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Rio, 17 de junho de 2021.

A ideia é substituir o plástico tradicionalmente usado para cobertura dos canteiros por papel reciclado. As vantagens são muitas e os resultados vão além do controle agroecológico de plantas daninhas. A técnica também economiza a água, que falta em muitas regiões produtoras de hortaliças. Com a mesma quantidade de água disponível, ainda é possível ampliar a área de produção.

Os experimentos, conduzidos com alface, repolho e cebolinha,  foram desenvolvidos por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da UFV com ótimos resultados. Quando planta um canteiro de hortaliça, o produtor precisa capinar, uma atividade muito trabalhosa, ou aplicar herbicidas para controlar as plantas daninhas. Por isso, os produtores costumam forrar o canteiro com filmes de polietileno com furos por onde crescem as mudas.O uso do papel reciclado para a cobertura resolve muitos desses problemas, com vantagens econômicas e ambientais.

O trabalho, foi coordenado pelo professor Francisco Freitas, do Departamento de Agronomia da UFV que esclarece que, nesta modalidade de cultivo, as hortaliças são irrigadas por um sistema de gotejamento, ou seja, as mangueiras com orifícios ficam abaixo da cobertura plástica molhando o solo cultivado com quantidade controlada de água.  O problema é que o plástico, sobretudo o preto, altera a temperatura do solo, estressando as plantas e comprometendo seu desenvolvimento. O solo mais quente também aumenta o consumo de água. Sem cobertura é ainda pior porque o aquecimento do solo, exposto ao sol e ao vento, aumenta a perda de água pela evaporação e eleva de 20 a 50 % o consumo de água. A cobertura de papel, segundo os pesquisadores reduz este aquecimento em relação ao plástico.

Experimentos comparativos

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores montaram experimentos comparativos cultivando, numa mesma área, canteiros de alface com e sem capina, com plástico preto e com o papel reciclado. Fizeram o mesmo com outras culturas e colocaram, em todos, sensores de temperatura no solo. A conclusão superou as expectativas. No verão, quando o calor já é intenso e agride as plantas, a variação de temperatura do solo abaixo do plástico preto chegou a ser até 8ºC maior que no canteiro que usou papel. Sem cobertura, a elevação da temperatura foi de até 3ºC em relação ao solo coberto com papel.

O experimento também revelou que a alface cultivada com papel reciclado tinha o dobro do peso do cultivado sem capina e 30 % mais que o cultivado sobre o plástico. As plantas rendem mais, mas a eficiência no uso de água é ainda mais significativa. Para produzir um quilo de alface sem capina, o produtor gasta 43 litros de água.  Com capina, 28 litros, com plástico 21 litros e com papel reciclado, apenas 18 litros. “Isso mostra que, se o problema do produtor for disponibilidade de água, como é muito comum acontecer, ele poderá ampliar em quase 40% a área de produção gastando a mesma quantia de água, se usar o papel reciclado”, explica o professor Francisco.   “Essa economia é ainda mais importante em regiões como o semiárido onde a olericultura é forte e a disponibilidade de água é menor”, diz Francisco Freitas.

Os pesquisadores testaram muitos tipos de papel reciclado e concluíram que o ideal é um papel semelhante ao usado nas embalagens de cimento. Ele é resistente ao rasgo o suficiente para uma safra de alface e repolho e para até dois cortes de cebolinha, o primeiro aos 60 dias e mais uma rebrota 30 dias após. Agora, a equipe quer quantificar a economia ambiental de se evitar o plástico na cobertura das hortaliças. “Ao contrário do plástico, o papel é biodegradável e, no caso da nossa pesquisa, nós já usamos papel reciclado, gerando uma economia importante para o meio ambiente”, lembrou o professor da UFV.

Leia a matéria completa, fonte: Agro em Dia

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