Produtor de Orgânicos

Tarifa de 100% sobre açúcar orgânico ameaça mercado dos EUA e rompe parceria histórica com o Brasil

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Rio, 27 de janeiro de 2026.

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de eliminar a Specialty Sugar Quota e impor uma tarifa adicional de 50% sobre o açúcar orgânico importado provocou um choque imediato no mercado de orgânicos. A medida rompe um equilíbrio que sustentou o crescimento do setor por décadas.

Com a mudança, o açúcar orgânico brasileiro passa a entrar no mercado americano com tarifa total de 100%, tornando-se um dos insumos mais penalizados da cadeia de alimentos orgânicos.

Estudo da Organic Trade Association (OTA) estima que a nova política pode gerar mais de US$ 85 milhões em taxação adicional, custo que recai diretamente sobre a indústria e, inevitavelmente, sobre o consumidor final.

O impacto é claro nos preços: enquanto o açúcar orgânico importado alcança cerca de US$ 1.350 por tonelada, o açúcar convencional produzido nos EUA custa em torno de US$ 600, criando uma diferença extrema entre produtos com sistemas produtivos e exigências regulatórias completamente distintos.

O Brasil é hoje o principal fornecedor de açúcar orgânico aos Estados Unidos, sustentando uma cadeia agrícola dedicada, rastreável e certificada pelo selo USDA Organic, padrão oficial do próprio governo americano.

A eliminação da cota especial desorganiza esse arranjo produtivo, compromete a previsibilidade das exportações e ameaça investimentos feitos ao longo de décadas para atender à demanda do mercado norte-americano.

Para Leontino Balbo Jr., vice-presidente da Native, uma das maiores produtoras globais de açúcar orgânico, a nova tarifa gera uma distorção grave no funcionamento do mercado.

Segundo ele, não se trata de uma disputa comercial pontual, mas de um insumo estrutural, sem substituto, em um mercado onde a produção doméstica é insuficiente para atender à demanda.

Ao elevar abruptamente o custo do açúcar orgânico, a política transfere pressão para a indústria americana de alimentos, com efeitos diretos sobre preços e acesso do consumidor a produtos orgânicos.

A dependência externa remonta aos anos 1990, quando a indústria americana de orgânicos crescia rapidamente, mas não dispunha de açúcar orgânico suficiente para formular produtos como iogurtes, cereais, chocolates e sorvetes.

Foi nesse contexto que a Native iniciou a conversão de fazendas para manejo orgânico e adaptou sua usina para processar exclusivamente esse tipo de açúcar, colhendo o primeiro lote certificado em 1997.

Desde então, usinas brasileiras passaram a responder por cerca de metade do açúcar orgânico consumido pela indústria americana, enquanto outros países da região reduziram ou estagnaram sua produção.

O Brasil foi o único país que investiu de forma consistente para sustentar o crescimento desse mercado, criando uma cadeia robusta, tecnológica e socialmente intensiva.

O modelo de produção de cana orgânica gera até 20 vezes mais empregos do que o sistema convencional, o que amplia o impacto social de qualquer retração forçada na produção.

Um retrocesso equivalente a duas décadas significaria a demissão de milhares de trabalhadores e o desmonte de uma estrutura construída com base em sustentabilidade e inclusão social.

A medida também expõe uma falha diplomática, já que o açúcar orgânico aparentemente não foi considerado nas negociações comerciais recentes entre Brasil e Estados Unidos.

A tarifa atinge um projeto reconhecido internacionalmente por padrões elevados de sustentabilidade, com selos e menções de instituições como ONU, World Economic Forum, Boston Consulting Group e Ellen MacArthur Foundation.

A decisão ocorre justamente em um momento de forte expansão do mercado de orgânicos nos EUA, que cresceu 5,2% em 2024 e movimentou US$ 71,6 bilhões, segundo a OTA.

O choque simultâneo de custo e oferta ameaça categorias inteiras do setor, como alimentos infantis, snacks, bebidas e chocolates, levando à redução de portfólio e à suspensão de investimentos.

Para o Brasil e para os Estados Unidos, o recado é claro: ignorar a realidade da oferta pode desmontar uma cadeia que sustentou o crescimento do próprio mercado. Corrigir essa distorção não é apenas uma questão comercial, mas estratégica para o futuro da indústria de orgânicos.

Fonte: BR News

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