Consumidor de Orgânicos

O que acontece a uma família quando passa

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Rio, 5 de junho de 2015.

family

Os Palmberg são uma família sueca igual a muitas outras e isso vê-se até na sua composição: pai, mãe e três filhos. Também os seus hábitos alimentares não fugiam ao comum, apesar de cada um ter as suas preferências. Vendela, a filha mais velha, tem como prato preferido frango tandoori e Evelina, a do meio, prefere frango com batatas gratinadas.

O pequeno Charlie fica-se pelos hambúrgueres, enquanto os pais, Anette e Mats, não resistem a um bom rodízio de tapas. Tal como em muitas outras casas, o fast food, era algo regular, “duas ou três vezes por mês”, confessa Anette, justificando a alternativa com os dias mais stressantes, que a deixavam sem tempo entre o trabalho e as actividades dos miúdos.

Traçado um cenário igual a tantos outros, esta família estava longe de pensar ser um dia alvo de uma experiência científica. Mas era isso mesmo que a Coop, uma rede de supermercados de comida orgânica, procurava: uma família com hábitos alimentares iguais aos de tantos outros, mas que tivesse curiosidade de aprender mais sobre eles.

A cadeia queria revelar o efeito nocivo que os produtos não orgânicos têm na saúde e para isso desafiou os cinco membros da família a esvaziar as prateleiras da dispensa. Literalmente. Todos os alimentos foram substituídos por produtos orgânicos, que deveriam servir de base à alimentação da família durante duas semanas.

Antes de avançar com a mudança, foram acompanhados durante uma semana normal das suas vidas por especialistas do Instituto Sueco de Pesquisa e Meio Ambiente (ILV), que identificaram o que comiam a cada refeição e, todos os dias, faziam análises à urina de toda a família. Os investigadores queriam perceber de que forma o corpo humano retém os pesticidas usados na produção de alimentos não orgânicos e o resultado não podia ser mais revelador: os cinco membros da família acusavam a presença de oito dos 12 pesticidas escolhidos para a análise. Embora o próprio ILV afirme que a quantidade de pesticidas encontrada durante a primeira semana estava dentro dos limites indicados pelos organismos mundiais de saúde, o instituto explica também que a ciência pouco sabe sobre a interacção entre
esses químicos e o corpo humano.

Tiradas as notas sobre os efeitos de uma alimentação convencional, seguiram-se duas semanas de comida inteiramente orgânica. Também os produtos de limpeza e de higiene foram substituídos e nem o pai se viu livre de trocar o tabaco que mascava por um produto semelhante, mas sem químicos.

Para quem estava habituado a alimentos embalados, enlatados ou compactados de uma ou outra forma, os novos sabores trouxeram saúde, mas também aguçaram a curiosidade por novos sabores. “Fiquei surpreendida com o sabor da fruta orgânica. É tão melhor”, conta ao B.I., mostrando igual espanto com a variedade da oferta salsichas orgânicas, que mantêm um sabor semelhante às convencionais.

Passaram-se duas semanas de hábitos saudáveis e novas amostras de urina foram pedidas e analisadas, com resultados que surpreenderam os próprios investigadores. Os níveis de pesticidas encontrados na primeira análise tinham sido reduzidos mais de seis vezes, ou seja, eram praticamente inexistentes no organismo, o que leva o ILV a concluir que escolher produtos orgânicos “reduz os químicos no organismo”, mas também “reduz a presença de químicos no meio ambiente e protege aqueles que trabalham no cultivo de frutas e vegetais”, lia-se num comunicado do laboratório. Mas mais surpreendidos que os cientistas só mesmo os Palmberg. “Depois desta experiência, todos nós pensamos duas vezes naquilo que vamos comer”, garante Anette, e explica que os cinco, não só optam por alimentos orgânicos, como dão preferência à comida produzida em espaços próximos.

A Coop tem sido pioneira na venda de alimentos orgânicos desde a década de 80, ajudando os agricultores a mudar do tradicional para o orgânico e chamando a atenção dos governos para os perigos do uso de químicos na produção agrícola. A juntar-se a estas lutas, está a batalha pela descida do preço da alimentação orgânica, que continua a ser mais elevado que o da convencional. Apesar de representar um esforço extra para a família, Anette não pensa voltar atrás: “Houve uma grande quantidade de químicos removida do organismo dos meus filhos e eu não os quero de volta.” Admite que, apesar de Vendela continuar a gostar de frango tandoori, Evelina preferir frango com batatas gratinadas, Charlie se manter adepto dos hambúrgueres e o casal ser um amante de tapas, todos os pratos são agora cozinhados com produtos orgânicos.

Fonte: Jornal Ionline

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