Consumidor de Orgânicos

Millenials impulsionam o mercado de cosméticos naturais

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Rio, 2 de agosto de 2018.
Produtos da marca Cativa Natureza que comercializa cosméticos produzidos a partir de insumos naturais e orgânicos. Foto: Sylvia Wachsner

Os mais jovens querem produtos que não agridam o ambiente e o mercado é promissor: a geração dos nascidos a partir de 1999 será o maior grupo de consumidores do mundo até 2020, atingindo um total de 2,6 bilhões de pessoas, segundo estimativas.   NaturalTech e Bio Brazil Fair, de produtos naturais e orgânicos, indica que na feira foram  lançadas uns 1.500 itens de 500 marcas diferentes e que  o mercado dos orgânicos brasileiro movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano, com crescimento anual médio de 20%.

“Os millenials lêem rótulos e embalagens procurando informação sobre ações sustentáveis da marca e ingredientes naturais”, diz Maya Colombani, diretora de sustentabilidade da centenária multinacional de origem francesa L’Óreal, que abriu sua primeira fábrica no Brasil em 1960.

Criada em 2017, a coleção Aura Botânica, linha profissional de cuidados para os cabelos da L’Óreal, busca este público. Os produtos são livres de silicone e parabenos – uma família de conservantes sintéticos que têm uso controlado na cosmetologia, porque interferem no sistema endócrino de humanos e animais. Cerca de 98% de seus ingredientes são naturais, com cultivo controlado em vários países, como a manteiga de murumuru e o óleo de castanha do Pará brasileiros, o óleo de farelo de arroz, da Tailândia, o açúcar paraguaio, o extrato de aloe vera mexicano, o óleo de argan marroquino e o óleo de coco de Samoa. 

Na direção da sustentabilidade na L’Oréal, caminham paralelamente dois processos: o de fazer com que os produtos já existentes se tornem menos sintéticos, por meio da substituição de ingredientes, e o de criar novas fórmulas, com um menu de insumos cada vez mais livres de sintéticos, como é o caso da coleção Aura Botânica.

A empresa afirma que encerrou 2017 com 68% dos novos produtos produtos com perfil ambiental ou social melhorado no Brasil. A ideia é que, até 2020, 100% dos novos sejam mais sustentáveis, em três aspectos: embalagens recicláveis, fórmulas biodegradáveis e matérias-primas com ingredientes naturais.

O maior desafio, segundo Maya, é combinar os ingredientes naturais com a boa performance. “Nos produtos em que há 98% de ingredientes naturais, os 2% que sobram são referentes a perfumes e conservantes”, diz.

No caso dos perfumes, provavelmente não serão atingidos os 100% de ingredientes naturais. Isso porque, explica Maya, perfumes naturais nem sempre são sustentáveis. “Alguns consomem muita matéria-prima, com água e espaço de cultivo enormes, para um rendimento muito pequeno. Nesses casos, é pouco provável que sejam substituídos os sintéticos por naturais.”

A sustentabilidade nos processos encarece os produtos? “Sim e não”, diz Maya. “Por um lado, o preço justo na remuneração dos agricultores pode encarecer o produto, e esse custo não será reduzido. Mas não há relação direta entre a ampliação do uso de material reciclado e o aumento de preço e nem da melhoria da biodegradabilidade da fórmula com o encarecimento”, diz. Os preços da linha variam entre RS 149 e 199.

Contra a crueldade animal.

De março de 2017 a março de 2018, a carioca FaceIt, que comercializa batons feitos com produtos naturais, teve um aumento de 110% no faturamento, passando de R$ 34 mil para R$ 71 mil.  Foram produzidas 14 mil unidades até março de 2018 e serão produzidas mais 22 mil unidades até o fim de ano. Os produtos da FaceIt possuem o selo da PETA, ONG contra a crueldade animal, e o selo Vegano, fornecido pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

A FaceIt adotou a logística reversa de embalagens do selo Eu Reciclo, que dá destinação correta aos resíduos. Julia, que tem formação em marketing e trabalhou por quatro anos no Parque Nacional da Tijuca, no Rio, acredita que o espaço para produtos naturais vai crescer muito nos próximos anos. “Na Europa e nos Estados Unidos, já está maduro. No Brasil, o mercado de produtos vegetarianos de forma geral cresce 40%, segundo a SVB. Os cosméticos devem ir nessa linha”, diz.

“São os mais jovens que puxam os mais velhos. Nas feiras que participamos, e nas vendas diretas, vemos as filhas influenciarem as mães para a adoção de produtos mais naturais”, conta.

Da fazenda com importados.

O cultivo de orgânicos para alimentação e a tradição familiar de fabricar sabonetes artesanais foram as bases da criação da Souvie, paulista  que nasceu em 2014. 

Na fazenda  cultivam as matérias-primas para óleos essenciais de camomila e lavanda usados nas fórmulas dos cosméticos. Em lugar de água, são usados hidrolatos, decorrentes da fabricação dos óleos. Esse aproveitamento permite economia de recursos e abaixa o preço, segundo a empresa.

A Souvie tem 95% de matérias-primas naturais e orgânicas em seus produtos, como óleo de andiroba, cera de abelha, óleo de milelauca, manteigas de cupuaçu e murumuru, extratos de melissa e calêndula. Os 5 % que podem ser sintéticos têm de estar na lista positiva da Ecocert.  O caminho para atingir 100% de orgânicos na fórmula é considerado muito difícil por Breno Bitencourt, um dos criadores da Souvie. “Não temos no país produção organizada de vários insumos. Por isso, infelizmente, importamos grande parte das nossas matérias-primas”.

Até o fim deste ano, serão lançados 44 novos produtos, entre eles um desodorante. A linha para recém-nascidos tem preços em torno de R$ 60. A Souvie investiu R$ 30 milhões, para montar a fábrica, com destilaria, e se prepara para entrar no mercado americano no próximo ano e usam embalagens de alumínio ou vidro. A empresa optou por um sistema de logística reversa terceirizado, com o selo Eu Reciclo, de destinação correta de embalagens.

“O mercado está crescendo e temos visto aparecem novas marcas. O Brasil está engatinhando nos orgânicos e tem muito espaço para crescer ainda. No exterior, as pessoas já entendem melhor o que é a certificação e o que representa em termos de controle de qualidade. Aqui, gasta-se muito tempo e dinheiro para dar essas informações”, diz.

Leia a matéria completa, fonte: Folha de SP (Mara Gama)

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