Produtor de Orgânicos

Leite e queijos orgânicos

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Rio, 14 de dezembro de 2018.
Fazenda em Cassia dos Coqueiros, SP, foto: divulgação, G1

Em 2014, os italianos Piero Alberti e a esposa, Patrizia, desembarcaram no Brasil e apostaram num mercado que cresce 20% ao ano no país, segundo associações nacionais do setor: o de alimentos orgânicos.

Numa propriedade em Cássia dos Coqueiros (SP), a 80 quilômetros de Ribeirão Preto (SP), desejavam reproduzir um modelo que vem dando certo há 30 anos na Fazenda Poggio di Comporbiano, na Toscana, onde fabricam, desde 1988, mais de 20 tipos de queijos a partir de leite orgânico.

Quatro anos depois afirma Alberti: “Os orgânicos têm se mostrado, no Brasil, uma estratégia bastante interessante”. O crescimento da preocupação com vida saudável se reflete na maior procura por produtos sem agrotóxicos e explica que esse tipo de de cultivo envolve, também, uma mudança de conceito, que exige cuidado extremo com o solo, com a água e harmonia com a natureza.

Na fazenda em Cássia dos Coqueiros, as 130 cabeças de gado jersey, das quais 65 em lactação, se alternam entre o pasto e barracões do sistema de compost barn, que oferecem sombra e uma “cama” orgânica para que que possam descansar.

No pasto, a produção é baseada em rotação de culturas. Enquanto o gado ocupa uma área, em outras plantam aveia, capim-azevém e alfafa. Além de nutrir a terra, esses produtos são armazenados para complementar a alimentação dos animais em períodos de seca, quando o pasto não é abundante.

Dos mil litros tirados todos os dias, metade é entregue para uma multinacional, que se interessou pelo sistema e pela qualidade do leite. Outra metade segue para a produção de dez tipos de queijos,  na propriedade. Se bem o empreendimento brasileiro nãom é comparável com o italiano, os sócios planejam crescer. Um dos primeiros passos é aumentar o rebanho e ter, pelo menos, 100 vacas em lactação.

Alberti, no entanto, faz duas ressalvas, que, na visão dele, impedem um crescimento mais rápido. O primeiro são os preços praticados no Brasil. “Tem alguns intermediários que trabalham com orgânicos que querem lucros exorbitantes, de 100%, 150%. Se um alimento orgânico tivesse um valor 30% a 40% maior que um convencional, já estaria de bom tamanho”.

Alberti pretende ampliar o percentual de vendas direcionado ao consumidor final e explica que uma parte dos queijos já é comercializada na fazenda, onde o casal recebe visitantes interessados s em saber como funciona a produção. “Na Itália, 85% do que fabricamos são comprados diretamente pelo consumidor final. Aqui no Brasil, com o aumento do interesse e do consumo de orgânicos, podemos nos aproximar disso.”

O outro problema é a carência de mão de obra. “Na Itália, temos os funcionários como amigos. Eles tomam café e até viajam com a gente. São parceiros. No Brasil, por uma questão cultural, é difícil encontrar pessoas que aceitem crescer junto com os negócios e enxerguem essa relação além do trabalho.”

 Leia a noticia completa: G1, O Globo
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