Produtor de Orgânicos

Carne orgânica tem menos risco de contaminação por bactérias resistentes

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Rio, 25 de maio de 2021.

Em um estudo conduzido por pesquisadores da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos, carnes certificadas como orgânicas pelo Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês) apresentaram 56% menor probabilidade de estarem contaminadas com bactérias multirresistentes quando comparadas às processadas de modo convencional. Os resultados foram publicados no periódico Environmental Health Perspectives.

Para que um produto bovino receba o selo de orgânico pelo USDA, a dieta e o revestimento do local onde os animais que lhe deram origem dormiram – isto é, a forragem – precisam ser 100% orgânicos, como é o caso da grama e do feno. Mas a principal condição para entrar na categoria é outra: que os bovinos não tenham recebido antibióticos ou hormônios no curso de sua vida. Isso porque, historicamente, o (mau) uso de antibióticos na pecuária está associado ao aumento de bactérias resistentes.

Durante a criação bovina, é natural que animais sejam expostos, colonizados e, por vezes, infectados por bactérias que causam doenças. Assim como ocorre com humanos, os antibióticos também podem ser necessários para o controle dessas infecções. No entanto, o uso excessivo de remédios faz com que, com o tempo, algumas bactérias se tornem resistentes à sua ação – são as chamadas bactérias multirresistentes.

Mas o problema não acaba nos animais: durante o processamento da carne, eles podem atuar como transmissores dessas bactérias para os humanos, que irão consumir o produto – como explica o estudo. De acordo com o documento, anualmente são registrados mais de 660 mil casos de infecções de origem alimentar resistentes a antibióticos entre norte-americanos – como as ligadas às bactérias do gênero Salmonella e Campylobacter –, sendo que “uma parte dessas doenças remonta ao setor da pecuária”.

A fim de investigar o quanto métodos de produção bovina podem influenciar o surgimento desse grupo de patógenos, os pesquisadores analisaram um total de 39.349 amostras aleatórias de carne moída, peito de frango, peru moído e carne de porco.

A análise cobriu quatro tipos de bactérias: Salmonella, Campylobacter, Enterococcus e Escherichia coli. Do total de amostras, a taxa de contaminação foi de 4% entre as carnes produzidas convencionalmente e pouco menos de 1% nas orgânicas.

“Nossas descobertas sugerem que produtos de carne orgânica certificados pelo NARMS exibem uma prevalência mais baixa de MDRO (organismos multirresistentes) e contaminação geral do que produtos de carne produzidos e processados ​​convencionalmente”, afirma o estudo. De acordo com a pesquisa, outro fator também pode influenciar a probabilidade de contaminação dos produtos bovinos: o tipo de instalação de processamento da carne.

Em comunicado, a autora sênior do estudo, Meghan Davis, explica que a diferença no nível de contaminação nas instalações se dá porque, os produtores precisam desinfectar os equipamentos de carnes convencionais antes de processar as orgânicas, e vice-versa.

Para a professora do Departamento de Saúde Ambiental e Engenharia da Escola Bloomberg, esses resultados evidenciam que, para além do tipo de carne, a maneira com que o gado é criado também merece atenção dos consumidores e, sobretudo, supervisão das agências regulatórias. “Como veterinária, reconheço que às vezes precisamos usar antibióticospara tratar animais doentes, mas aproveitar as oportunidades para reduzir o uso desses medicamentos pode beneficiar a todos”, afirma Davis.

Fontes:

Revista Galileu

EHP – Environmental Health Perspectives

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