Produtor de Orgânicos

Dinamarca e Brasil revelam trajetórias opostas no avanço da agricultura orgânica

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Rio, 28 de novembro de 2025.

Relatórios recentes do IPCC reforçam que a crise climática avança rapidamente e exige políticas urgentes para transformar os sistemas alimentares. Nesse contexto, um estudo comparou a trajetória da agricultura orgânica na Dinamarca — referência global de Agricultura Orgânica — e no Brasil, país com grande potencial, mas ainda marcado por obstáculos estruturais. A análise utilizou a matriz SWOT e um sistema de quadrantes para identificar cenários virtuosos e viciosos, avaliando fatores como políticas públicas, apoio institucional, organização social e dinamismo de mercado.

De acordo com Lucas Ferreira Lima, pesquisador colaborador do Instituto de Economia da Unicamp, a Dinamarca consolidou um círculo virtuoso ao longo de mais de quatro décadas, impulsionado pela cooperação entre governo, agricultores, varejistas e consumidores. O país destinou 303 mil hectares à produção orgânica em 2023 e lidera o consumo per capita global, com € 362 por habitante.

A criação da Associação Nacional de Agricultura Orgânica (LØJ) nos anos 1980, o estabelecimento de regras de certificação, a oferta de formação técnica específica e a adoção de políticas públicas consistentes — como subsídios à conversão de terras, incentivos fiscais e compras governamentais para escolas e hospitais — criaram uma base sólida para a expansão.

Programas nacionais promoveram campanhas de marketing, ampliaram o acesso ao crédito e consolidaram o selo “Økologisk” (Ôrganico em tradução livre), que se tornou símbolo de confiança para consumidores. O resultado foi um salto de 63% no número de fazendas orgânicas entre 2015 e 2021 e um mercado interno altamente estruturado.

“No Brasil, o cenário é inverso”, explica Lima. Com uma área agrícola de mais de 351 milhões de hectares, apenas cerca de 1 milhão — ou 0,4% do total — é dedicada à produção orgânica. O consumo per capita é de apenas € 4 por ano, restrito majoritariamente às classes média e alta.

“O país é o 12º em área orgânica no mundo, mas enfrenta obstáculos históricos: concentração fundiária, crédito insuficiente, pouca assistência técnica e ausência de um sistema nacional de monitoramento da produção. Além disso, a comercialização depende fortemente de circuitos curtos, como feiras locais, limitando escala e abrangência geográfica”, destaca Lima.

Para Ademar Romeiro, professor do Instituto de Economia da Unicamp, a história dos dois países ajuda a explicar o presente. “A Dinamarca estruturou sua agricultura orgânica de forma colaborativa desde os anos 1980, com forte institucionalização, escolas especializadas e legislação pioneira”, disse o pesquisador. Supermercados passaram a oferecer produtos orgânicos a preços reduzidos ainda na década de 1990, impulsionando a demanda. Nos anos 2000, planos nacionais integraram políticas agrícolas, ambientais e de alimentação pública, elevando o país ao patamar de líder global”, informou.

No Brasil, a expansão da agricultura convencional durante a Revolução Verde dominou o século XX, e o movimento orgânico ganhou força apenas nos anos 1980, impulsionado por ONGs, pesquisadores e encontros nacionais de agricultura alternativa. As bases legais e institucionais foram consolidadas lentamente: a Lei dos Orgânicos foi aprovada apenas em 2003 e regulamentada quatro anos depois. Programas como Pronaf, PAA e PNAE abriram caminhos importantes, mas os recursos destinados à produção sustentável seguem muito inferiores aos do modelo convencional.

Para Lucimar de Abreu, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, o estudo mostra que, enquanto a Dinamarca opera em um quadrante virtuoso — com forte articulação público-privada, ampla disponibilidade de dados e políticas estáveis — o Brasil permanece em um círculo vicioso, marcado por baixa escala, dificuldades de acesso a crédito, falta de informação estruturada e mercado restrito. Apesar disso, o país reúne oportunidades significativas: ampla diversidade agrícola, grande número de agricultores familiares e crescente demanda por alimentos mais saudáveis.

As conclusões indicam que identificar os fatores que limitam o avanço brasileiro é também abrir caminhos para transformações. O estudo recomenda ampliar o monitoramento da produção orgânica, fortalecer a assistência técnica, incentivar as compras públicas, melhorar o acesso ao crédito e promover campanhas que ampliem o consumo. A experiência dinamarquesa, segundo os autores, pode ser adaptada e replicada em países da América Latina e da África, fortalecendo a transição global para sistemas alimentares mais sustentáveis.

O estudo é de Lucas Lima e Ademar Romeiro, Unicamp, Lucimar Abreu, João Mangabeira e Sérgio Tôsto, Embrapa, e pode ser acessado aqui.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente

Cristina Tordin (MTB 28499/SP)

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