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Controle biológico da mosca-minadora

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Rio, 3 de agosto de 2022.

Controle biológico da mosca-minadora

Mosca-minadora ataca plantações de melão

A mosca-minadora ataca plantações de melão. Foto: Arquivo

A Embrapa Semiárido (PE), em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) desenvolveram um sistema de criação em larga escala do parasitoide da mosca-minadora, praga que afeta várias culturas.

Primeiro agente de controle biológico da mosca-minadora do Brasil foi registrado, em julho de 2021, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O parasitoide Neochryoscharis formosa para o controle desse inseto foi desenvolvido pela Topbio Sistemas Biológicos, com a cooperação técnica da Embrapa.  

Inimigos naturais  

As moscas-minadoras do gênero Liriomyza afetam hortaliças e plantas como melão, tomate, feijão, batata e crisântemo. “Entre os principais inimigos naturais desses insetos estão os parasitoides, pequenas vespas que atacam as larvas das moscas ainda dentro das folhas”, afirma o coordenador das pesquisas, o biólogo Tiago Costa Lima.  

“Algumas espécies dessas vespas já eram utilizadas como alternativas de controle biológico para moscas-minadoras desde a década de 1980, na Europa e na América do Norte, mas a tecnologia para a multiplicação massal desses parasitoides não estava disponível”, salienta o pesquisador.  

Parasitoide Neochrysocharis Formosa

O Parasitoide Neochrysocharis Formosa é o primeiro agente de controle biológico da praga registrado no Brasil. Foto: Arquivo

O primeiro agente de controle biológico para mosca-minadora no País contou com a pesquisa pública e o setor privado. Em 2017, a Topbio Sistemas Biológicos selecionou o Neochrysocharis formosa, parasitoide de mosca-minadora, em áreas de cultivo de melão no Rio Grande do Norte, com o objetivo de torná-lo um novo produto de controle biológico.  

A dificuldade de controle da praga na cultura de melão com inseticidas sintéticos e as exigências dos importadores em frutos livres de resíduos agroquímicos motivaram a demanda por soluções biológicas para o controle do problema. Assim, a Topbio Sistemas Biológicos buscou a Embrapa para aprimorar a tecnologia em escala industrial.  

“Fizemos dezenas de coletas na região produtora de melão no Rio Grande do Norte e no Ceará, e conseguimos selecionar o parasitoide N. formosa, que é abundante, ocorre de forma constante ao logo do ano e está presente em todo o País, por isso, optamos por trabalhar com ele”, conta o gerente da Topbio, Marcos Bellini.  

O poder da alga verde azulada

Cianobactéria em laboratório

A cianobactéria presente no extrato é cultivada em laboratório, em um processo limpo e sem a geração de resíduos. Foto: Goreti Braga

Biofertilizante à base de uma cianobactéria do banco de germoplasma da Embrapa Agroenergia, também conhecida como alga verde-azulada, potencializa o crescimento e a defesa das plantas. O microrganismo induz e aprimora alguns processos fisiológicos em vegetais resultando em maior vigor e produtividade.  

A tecnologia foi desenvolvida por meio de parceria entre Embrapa, empresa de fertilizantes Dimiagro, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Empresa Brasileira de Inovação Industrial (Embrapii).  

O pesquisador da Embrapa César Miranda, líder do projeto Macrofert, explica que o produto é uma mistura de extratos secos de uma cianobactéria com um fertilizante foliar que contém nitrogênio, fósforo e potássio, além dos micronutrientes  boro, zinco e molibdênio, e é indicado para aplicação nos períodos de maior demanda de energia pelas plantas.

“O uso de biofertilizantes garante um aporte adicional de nutrientes essenciais em fases críticas da cultura, como no período de floração das plantas”, salienta o pesquisador. 

Ele acrescenta que, “em condições adversas, seja devido ao clima, ao ataque de pragas ou à limitação de nutrientes essenciais, esse aporte extra favorece um equilíbrio no desenvolvimento da planta, o que resulta em aumento de produtividade”.  

“A adição de fitormônios de forma exógena pode favorecer o melhor aproveitamento dos nutrientes, potencializando a eficiência de sua utilização no momento em que a planta estabelece os parâmetros que definirão a produção final de grãos”, explica o especialista.

Miranda ressalta que a cianobactéria presente no extrato é cultivada em laboratório,  em um processo limpo e sem a geração de resíduos. “Isso permite utilizar essa espécie da biodiversidade brasileira sem explorá-la de forma extrativa e causar danos ao ambiente. Além de garantir um produto de qualidade controlada”, enfatiza.  

Redução de custos  

O CEO da Dimiagro, Grégori Boligon Vieira, acredita que a produção das algas no Brasil ajudará diminuir os custos com importação. “Outra vantagem do extrato de cianobactéria da Embrapa é a grande quantidade de fitormônios expressados em sua biomassa após processo de secagem em estufa a temperaturas controladas, o que é essencial para se obter escala de mercado”, sublinha.  

Os testes para aumentar a escala de produção começaram em 2021, com a segunda fase do projeto Macrofert. Essa fase inclui análises sobre o custo e estudos de campo em condições reais de produção.

Tecnologia dois em um

Plantas de milho com lagarta

O inseticida microbiológico Acera controla a Lagarta-docartucho (Spodoptera frugiperda) e Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens na foto), via aplicação foliar. Foto: Ballagro

A mistura de dois isolados da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) é a base de um inseticida microbiológico para o controle da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, e a falsa-medideira, Chrysodeixis includens, via aplicação foliar. Trata-se de Acera, desenvolvido com tecnologia Embrapa em parceria com a Ballagro Agro Tecnologia, responsável pela comercialização.   

“A vantagem desse produto biológico à base de Bt é que ele não afeta o meio ambiente, não intoxica aplicadores, não mata os inimigos naturais das pragas e não polui rios e nascentes”, destaca o pesquisador da Embrapa Fernando Hercos Valicente, responsável pela tecnologia.  

Ele explica que a Bacillus thuringiensis (Bt) produz proteínas com propriedades tóxicas específicas para insetos e que são inofensivas para humanos e outros vertebrados. 

“O produto deve ser pulverizado sobre as folhas, e, ao comê-las, as lagartas são afetadas pela ação dessas proteínas. Em resumo, o inseticida rompe as paredes de seus intestinos, paralisando a alimentação das lagartas. Os esporos germinam no aparelho digestivo, matando os insetos por infecção generalizada”, ressalta.   

“O Acera foi registrado para o controle dessas duas espécies de lagarta e poderá ser usado nas lavouras de soja, milho, algodão e outras culturas”, destaca Valicente.  

O cientista aposta no uso de novos inseticidas microbiológicos como importante alternativa para o controle da lagarta-falsa-medideira e da lagarta-do-cartucho, especialmente para os cultivos de milho, soja e algodão, nos quais o ataque da praga é mais expressivo.

Controle biológico  

A Ballagro é uma empresa brasileira que desenvolve tecnologias em controle biológico para utilização na agricultura desde 2004.

“Com o foco em inovação e trabalho técnico, desenvolvemos tecnologias para o crescimento do controle biológico no manejo de pragas e doenças,” conta o gerente de produtos e mercado da empresa, Lecio Kaneko. Segundo ele, no Brasil, é crescente a busca por ferramentas sustentáveis de manejo, “o que promoverá uma boa aceitação do produto no mercado nacional”.  

A parceria com a Embrapa foi iniciada em 2014 e culminou com o desenvolvimento do Acera, composto por uma mistura de dois isolados de Bt que apresentam ação sobre lagartas desfolhadoras. “O registro do produto, futuramente, poderá incluir outras pragas”, prevê Lecio Kaneko.

Ele atribui a alta eficiência do bioproduto à diversidade das proteínas Cry e VIP, produzidas pelos novos isolados da bactéria, e à alta tecnologia em fermentação e formulação. “Acera foi testado em todas as regiões do Brasil, com bons resultados”, afirma.  

Fontes: Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Hortaliças, Embrapa Agrossilvipastoril,  Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Florestas, Embrapa Semiárido e Embrapa Agroenergia

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