controle biológico

Mercado de biodefensivos cresce mais de 70% no Brasil em um ano

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Rio, 10 de abril de 2019.
fonte: MAPA

O crescimento do mercado brasileiro de defensivos biológicos segue tendência mundial de redução do uso de agroquímicos para combater pragas e doenças nas lavouras

A produção de produtos biológicos para controle de pragas e doenças agrícolas cresceu mais de 70% no último ano no Brasil, movimentando R$ 464,5 milhões ante R$ 262,4 milhões em 2017. O resultado brasileiro é considerado o mais expressivo da história do setor e supera o percentual apresentado pelo mercado internacional.

Em termos globais, o setor apresentou crescimento de 17% no mesmo período. Os dados detalhados sobre o desempenho do ano passado da indústria nacional de biodefensivos foram apresentados nesta quinta-feira (21) pela Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), considerando apenas as empresas associadas que representam 70%  do mercado nacional.

O controle biológico

Ele faz parte do chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP) e permite o uso de organismos vivos ou obtidos por manipulação genética para combater pragas e doenças provocadas por lagartas comuns, mosca, nematoides (vermes microscópicos), cigarrinha das raízes, broca da cana, ácaros e fungos e outros agentes nocivos para a agricultura.

Os produtos biológicos podem ser utilizados em qualquer cultura, desde frutas e verduras, até grãos, cana de açúcar, entre outros. Existem dois tipos de biodefensivos: os macrobriológicos, que consistem no uso de macroorganismos, como insetos, ácaros e outros inimigos naturais das pragas; ou microbiológicos, que se baseiam em bactérias, fungos e vírus.

Plantio de culturas regionais

Nem todas as pragas e doenças que atingem as lavouras brasileiras podem ser controladas por produtos químicos. Em regiões com culturas, solos e clima diferentes, tem crescido a busca por pesquisas que desenvolvam biodefensivos eficazes no controle de doenças específicas de algumas localidades.

Entre as pesquisas em andamento está o trabalho da Embrapa da Amazônia Oriental. A unidade, situada em Belém (PA), analisa o uso de bactérias para promover o crescimento da planta e também para controlar a fusariose, doença que ataca o plantio da pimenta do reino.

Expansão

Enquanto o mercado convencional de defensivos agroquímicos tem apresentado sinais de estagnação, com resultado recente de queda global de 6% na produção (US$ 64 bilhões), o saldo mundial do controle biológico em 2018 foi 17% maior que o alcançado no período anterior, de US$ 3,8 bilhões. A consultoria Agribusiness Intelligence/Informa que no Brasil, em fevereiro de 2018, o mercado de produtos biológicos nacional movimentou US$ 164,9 milhões, o que corresponde a quase R$ 528 milhões.

foto: MAPA

Performance destacada

O levantamento da consultoria internacional mostra que o Brasil é o quarto país com melhor performance na produção de produtos biológicos, respondendo por 7% da comercialização mundial. O setor é liderado por Estados Unidos (37%), Espanha (14%) e Itália (10%).

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, avalia que o mercado de biológicos ainda vai crescer muito no Brasil, pois estes produtos passaram a ser demandados por todos os produtores agrícolas e, não somente, pelos da agricultura orgânica.

A ministra Tereza Cristina reforça que já existem procedimentos diferentes na legislação para registro de produtos para agricultura orgânica e biológicos e que várias empresas de não orgânicos estão interessadas em adotar o uso dos biodefensivos devido aos benefícios e à facilidade do processo.

“Esse procedimento é um pouco mais rápido do que o registro normal, mas ainda é possível melhorar o fluxo do processo para que a gente consiga ter um procedimento ainda mais rápido do que é hoje”, comentou a ministra.

Registros

Outro fator que tende a favorecer o crescimento dos biológicos é o processo mais simplificado de registro dos produtos, que levam prazo menor para serem liberados. Até o dia 22 de fevereiro, o Mapa tinha 1.187 produtos químicos aguardando registro, sendo que a demanda mais antiga da fila é de 2009. Para registro de biológicos, a fila tinha 17 pedidos pendentes e outros seis para agricultura orgânica.

Alta demanda e baixa oferta

Apesar do forte crescimento apresentado no último balanço do setor, a produção de biológicos ainda responde por apenas 2% do faturamento total do mercado de controle de pragas.

Pesquisa da ABCBio mostra ainda que os produtos biológicos são utilizados em cerca de 10 milhões de hectares no Brasil. A área total plantada no país é de 77,4 milhões de hectares.

A associação identificou também que a taxa de adoção desse tipo de manejo de pragas não chega a 20% do total de propriedades. Em algumas regiões e culturas, como a soja, não chega a 5%.

Contudo, de acordo com o Mapa, das 1.137 pragas e doenças registradas no país, apenas 86 contam com solução biológica, o que representa 8% dos alvos que mais afetam as lavouras brasileiras.

“A disponibilidade do insumo biológico é fundamental, assim como que seja de qualidade. Não adianta nada falar que temos controle biológico, se não oferecermos opção”, ressalta o professor da Esalq  José Roberto Parra.

Outro problema é saber a amostragem exata de insetos e pragas na lavoura para determinar a hora certa de liberar e aplicar o controle biológico. O professor avalia que o país ainda está incipiente nesta área e deve desenvolver tecnologias modernas de sensoriamento remoto, por exemplo, para atacar as doenças no local correto e com a quantidade ideal de biodefensivo.

Desconhecimento e pouca disponibilidade

Quase metade dos produtores brasileiros ainda desconhecem os produtos biológicos para controle de pragas e doenças nas lavouras e 39% já utilizam este tipo de manejo, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). Entre os agricultores que já adotam biodefensivos, 76% apontam que consideram o controle biológico eficiente e 60% destacam a segurança da aplicação dos produtos biológicos.

Praticamente todos os produtores que utilizam afirmaram à pesquisa, feita em parceria com a empresa Agribusiness Consulting, que a decisão pelo controle biológico foi motivada pela importância da pós-venda, segurança, proteção do meio ambiente e aumento da produtividade, além de ser um complemento aos produtos químicos. Para 96%, a tendência é de crescimento do mercado nos próximos cinco anos.

Capacitação

O engenheiro agrônomo Rogério Aoyagui, que trabalha como consultor de manejo biológico na região Centro-Oeste do Brasil, relata que há poucas pessoas preparadas tecnicamente para fazer o controle. O deficit de qualificação resulta em má aplicação e ineficiência no uso do produto. Aoyagui ressalta que, para ser preventivo e sustentável, o manejo biológico deve ser planejado e executado como um sistema produtivo e não como ação curativa ou para fins específicos e paliativos.

O Brasil tem outra peculiaridade que dificulta a rápida disseminação dos produtos biológicos. Além do número elevado de pragas devido ao clima tropical, o país planta em grandes áreas, enquanto que na Europa o uso de biodefensivos se fortaleceu mais rapidamente, porque as áreas agricultáveis são menores.

Leia a notícia completa, fonte: Ministério da Agricultura, MAPA

Mais informações à Imprensa:

Coordenação geral de Comunicação Social
Debora Brito
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