Produtor

Consumo de carne vegetal aumenta com a pandemia

RuimRegularBomÓtimoExcelente (Dê sua opinião sobre essa matéria)
Rio, 17 de junho de 2020.

O consumo de carne produzida à base de plantas, que registrou alta em 2019, aumentou ainda mais com a pandemia do Coronavírus, sobretudo nos Estados Unidos, onde o fechamento de diversos frigoríficos impactou na oferta de carne no varejo. A informação é da diretora da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner.

Nos últimos três meses, segundo avaliação da empresa de pesquisa de mercado e consumo Nielsen, as vendas globais de carne fresca “alternativa”, que inclui soja, ervilhas e outras fontes de proteínas como principais ingredientes, cresceram 239,80% em relação ao período de março a maio do ano passado.

De acordo com a diretora da SNA, em meados do ano passado, “o total de vendas de carne elaborada à base de vegetais, no varejo dos Estados Unidos, foi de US$ 810 milhões, com incremento de 10% anual, mesmo representando somente 2% do total das vendas no varejo de alimentos de carne embalada”.

Já o faturamento total do setor em 2019 foi de US$ 939 milhões, segundo informação do relatório Spins, da Good Food Institute e Plant Based Food Association.

“Embora seja necessário mais tempo para observar o verdadeiro impacto da pandemia nas vendas e no interesse do consumidor pela carne vegetal, se algo poderia mudar mais rapidamente a opinião pública, seria esse tipo de surto. Afinal, o Coronavírus se originou de animais, um ponto que se tornou um grito de guerra para ativistas e empresas de carne à base de plantas”, destaca o portal especializado Food Dive.

Empresas inovadoras

Sylvia afirma que essa nova tendência envolve desde empreendedores e empresas de tecnologia a indústrias e entidades sem fins lucrativos. “Para os investidores, é um mercado que oferece a oportunidade de aposta em tipo de alimento diferenciado, em patentes inovadoras e na criação de barreiras de entrada a novos concorrentes”.

A categoria de alimentos alternativos aos produtos animais integra um ecossistema de empresas disruptivas do sistema de produção, informa a diretora da SNA. “Diversas startups começaram ligadas ao Silicon Valley, e agora multinacionais como Nestlé, Tyson Foods, Hormel Foods, entre outras, investem para não ficar fora do mercado”.

Recentemente, com o fechamento dos restaurantes, as principais empresas produtoras de carne vegetal norte-americana, como a Impossible Foods e a Beyond Meat,  focaram sua distribuição nos grandes supermercados, o que permitiu atender à demanda que reflete no valor das ações.

No Brasil, a Fazenda Futuro foi a primeira empresa (foodtech) a produzir carne de plantas. “Grandes empresas como a Seara e a Superbom comercializam este tipo de carne para não ficar fora do mercado, e outras startups também estão de olho nesse segmento”, ressalta Sylvia.

‘Flexitarians’

Em relação ao público-alvo, a diretora da SNA explica que “as empresas que produzem carne vegetal não apontam para o mercado vegano ou vegetariano, e sim para os chamados ‘flexitarians‘, pessoas que comem carne e que algumas vezes preferem experimentar e consumir um alimento de base vegetal”.

O custo final deste tipo de alimento, segundo Sylvia, tem diminuído com o crescimento do mercado e o melhoramento da tecnologia.

“A Impossible Foods, por exemplo, investiu em 2016 cerca de US$ 80 milhões em pesquisa e desenvolvimento, lançaram o primeiro produto e em agosto de 2019 colocaram no mercado o Burger 2.0, com sabor e textura melhoradas e menor impacto ambiental”.

Já a Fazenda Futuro, acrescenta a especialista, avaliada em US$ 100 milhões, “captou em agosto do ano passado US$ 8,5 milhões de um grupo de investidores”.

“As empresas de carnes de origem vegetal dizem que a paridade de preços é uma meta a longo prazo, mas as vendas estão subindo independentemente do custo”, informa a Nielsen.

Impacto ambiental

Outro fator que favorece a opção por esse tipo de alimento “é o impacto da produção animal no meio ambiente, que leva muitos consumidores a reduzirem o consumo de carne convencional”, afirma Sylvia.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que, em relação às commodities, 41% das emissões de gases devem-se à pecuária de carne e 20% à pecuária de leite.

Análises da Euromonitor de 2019 mostram que as pessoas nas grandes cidades que optam por reduzir o consumo de carne estão preocupadas com as mudanças climáticas. Para outras pessoas, o consumo de novos alimentos está relacionado às preocupações com o bem-estar animal.

No mercado brasileiro há outros produtos  também à base de plantas, entre eles, ovos, maionese, bebidas vegetais de soja, caju, aveia, arroz e amêndoas.

Fontes: Agrolink/Valor Econômico

Deixe o seu Comentário:

Boletim de notícias

Cadastre-se e receba novidades.