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Sustentabilidade no campo ganha destaque na 10ª edição do Prêmio Fazenda Sustentável

Rio, 2 de outubro de 2026.

Propriedades de diferentes tamanhos e regiões do país são reconhecidas por conciliar produção agropecuária, conservação ambiental, gestão e responsabilidade social

A sustentabilidade deixou de ser apenas uma meta de longo prazo para se transformar em uma prática concreta dentro de propriedades rurais brasileiras. Essa realidade ganhou visibilidade na 10ª edição do Prêmio Fazenda Sustentável, que reconheceu, em São Paulo, iniciativas desenvolvidas por produtores de diferentes portes e regiões do país.

A premiação, realizada pelo Globo Rural, reuniu representantes das propriedades finalistas, lideranças e organizações ligadas ao agronegócio e às questões ambientais. Nesta edição, 136 propriedades participaram da disputa, representando pelo menos 20 segmentos da atividade agropecuária.

Na categoria de Grandes Propriedades, o destaque ficou com as Fazendas Caxambu e Aracaçu, localizadas em Três Pontas, no sul de Minas Gerais. Dedicada à produção de café, a propriedade conta com 215 hectares destinados à produção e outros 100 hectares preservados.

O conjunto de práticas ambientais e sociais adotadas pela fazenda foi determinante para o reconhecimento. Entre as iniciativas estão a implantação de corredores ecológicos, o reaproveitamento de resíduos, a utilização de insumos biológicos e a geração de energia a partir de fonte solar.

A preocupação com as pessoas também integra a estratégia da propriedade. Programas de capacitação dos funcionários e ações educativas desenvolvidas junto às comunidades do entorno fazem parte das iniciativas apresentadas na premiação.

Ao receber o reconhecimento, Carmen Lucia Chaves de Brito, diretora executiva e proprietária das fazendas, ressaltou a importância de valorizar quem vive e trabalha no meio rural e contribui diariamente para manter a atividade produtiva no campo.

Conservação e produção caminham juntas

Entre as Médias Propriedades, a vencedora foi a Fazenda Cabeceira do Prata, em Jardim, Mato Grosso do Sul. Com atividades voltadas ao ecoturismo e à pecuária, a propriedade possui 1.115 hectares de área produtiva e mantém outros 432 hectares preservados.

Um dos principais diferenciais é a existência de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A propriedade também desenvolve ações de compostagem e reciclagem de resíduos, mantém um viveiro de espécies nativas e destina parte dos alimentos produzidos a doações.

O reconhecimento foi recebido como um incentivo para ampliar a mobilização em defesa dos recursos naturais da região. Eduardo Folley Coelho, diretor executivo da propriedade, destacou especialmente a necessidade de preservar o rio que atende à comunidade local e afirmou que a recuperação ambiental depende da participação conjunta de produtores, poder público e sociedade.

Pequena propriedade, grandes práticas

A categoria de Pequenas Propriedades mostrou que a adoção de práticas sustentáveis não depende necessariamente de grandes extensões de terra ou estruturas empresariais de grande porte.

O primeiro lugar ficou com a Comunidade Rural Cristã Refúgio das Águias, em Bonito, também no Mato Grosso do Sul. A horticultura é a principal atividade da propriedade, que possui quatro hectares destinados à produção e outros seis hectares preservados.

Certificada pelo Instituto Biodinâmico (IBD), a comunidade utiliza compostagem, realiza o tratamento de esgoto e emprega insumos biológicos no sistema produtivo. As ações de caráter social incluem a doação de alimentos e atividades educativas voltadas a grupos escolares.

Para Sidney Hammer Viana, vice-presidente da comunidade, a sustentabilidade precisa ir além da preservação ambiental. Na visão apresentada durante a cerimônia, cuidar da terra também significa assegurar condições dignas para as pessoas que trabalham nela e para suas famílias.

Uma década de reconhecimento ao agro sustentável

Ao completar dez anos, o Prêmio Fazenda Sustentável alcançou o maior número de participantes de sua história. As 136 propriedades inscritas demonstraram, segundo os organizadores, a diversidade de caminhos encontrados pelo setor para combinar produção, conservação dos recursos naturais, gestão eficiente e responsabilidade social.

O processo de escolha dos vencedores envolveu análise documental, avaliação e validação das informações apresentadas pelos participantes. A classificação final ficou sob responsabilidade de uma banca julgadora.

A premiação conta com a realização do Globo Rural e apoio metodológico do Rabobank, Imaflora e Agrotools. A iniciativa também reúne parceiros empresariais ligados ao agronegócio e à sustentabilidade.

Fonte: Globo Rural

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