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Quinoa a guerra pelo grão de ouro

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Rio, 3 de abril de 2016.
foto: CI Orgânicos
foto: Quinoa orgânica, CI Orgânicos

Peru e Bolivia travam uma batalha pelo chamado “grão de ouro andino”, a quinoa ou quinua. Produtores rurais dos dois países “lutam pela liderança mundial da produção e exportação do  alimento que na última década ficou famoso no mundo todo por seus benefícios nutricionais”. A concorrência dos agricultores peruanos tem reduzido o mercado boliviano. 

Os peruanos ampliaram sua produção em 119,3% e suas exportações em 96,6% entre 2013 e 2014.

Esse aumento fez com que o Peru se transformasse no maior produtor e vendedor de quinoa no mundo, deixando a Bolívia, que durante anos encabeçou a lista, no segundo lugar. “Há 10 anos, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Peru produzia apenas 6% da quinoa vendida no mundo, enquanto a Bolívia englobava mais de 90% do mercado do produto, que é consumido na região andina há milhares de anos e historicamente também é cultivado no Equador, na Colômbia e no norte do Chile e da Argentina”.

Até os anos 1970, a quinoa era quase desconhecido fora da região andina, que fora marginalizada pelo trigo e a cevada. A pequena demanda resultava em baixos rendimentos para os produtores rurais, que cultivavam para uso doméstico.

Um alimento da moda

No entanto, há mais de duas décadas a demanda pela quinoa disparou no mundo ocidental, faminto por alimentos saudáveis e orgânicos. “Ela entrou no mercado graças às suas qualidades nutricionais”, comenta Tania Santivañez, funcionária da área de proteção vegetal da FAO. Em 2013, o alimento vivia uma época “dos sonhos”, comenta Diego Peláez, presidente da Câmara Boliviana de Exportadores de Quinoa (Cabolqui).

A FAO prevê que no fim desta década as exportações de quinoa alcancem 100.000 toneladas, mais que o dobro das de 2013

foto: CI Orgânicos
foto: Estande Biofach Nuremberg, CI Orgânicos

Em 2013  celebrou-se o Ano Internacional da Quinoa e a ONU qualificou esse produto como um cultivo estratégico para a segurança alimentar e os preços dispararam.  Em 2009,  46 quilos de quinoa custava USD30, em dezembro de 2013, superou os USD300, e voltou os produtores peruanos com força para a a produção e exportação.

Em 2014, a produção peruana do grão chegou a 114.343 toneladas, 119,3% a mais do que em 2013. As exportações alcançaram 36.662 toneladas, gerando um faturamento recorde de USD143,3 milhões, segundo a Superintendência Alfandegária do Peru. Bolívia foi pioneira ao introduzir a quinoa aos mercados internacionais, os peruanos, com apoio do governo, capturou a liderança do mercado.  A produção de quinoa boliviana, por sua vez, aumentou apenas 26,4% em 2014, chegando a 77.354 toneladas, 67% a menos que o total do Peru. Ao mesmo tempo, as vendas para o exterior caíram 15% consequência de um excesso de oferta. 

A diferença de preços entre os produto boliviano e o peruano teve um papel-chave na queda sofrida pela Bolívia.  Em 2014, os produtores bolivianos − que ficaram famosos por cultivar um grão orgânico único, denominado “quinoa real” − subiram o preço em 50% (superando os USD6.600), enquanto o custo por tonelada do Peru (que havia massificado o cultivo ao permitir o uso de pesticidas) caiu 28%, chegando a USD5.500.

O preço, entretanto, baixou em 2015 porque os Estados Unidos (o maior importador de quinoa) suspenderam a compra do produto, principalmente o peruano, ao detectar resíduos de pesticidas em alguns carregamentos. 

fonte: El Pais, 03.04.2016

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