Produtor de Orgânicos

O verdadeiro impacto dos orgânicos no meio ambiente

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Rio, 25 de novembro de 2019.
Sītio Catavento, SP. Foto: CI Orgânicos

Recentemente, dominando os jornais, um estudo no Reino Unido afirmou que a agricultura orgânica faz mal ao meio ambiente. Uma das manchetes sobre o estudo chegou a estampar: “How more organic farming could worsen global warming” (Como o crescimento da agricultura orgânica poderia piorar o aquecimento global).

Na verdade, o relatório avaliou as possíveis mudanças nas emissões de gases de efeito estufa se a Inglaterra e o País de Gales convertessem em 100% sua produção agrícola para o sistema orgânico.

Segundo os atores do estudo, a agricultura orgânica poderia contribuir para uma redução nas emissões “através do uso reduzido de insumos agrícolas e aumento do sequestro de carbono no solo”. No entanto, eles também afirmaram que o impacto ambiental positivo do orgânico se anula devido a necessidade de aumento da produção, já que, sob este sistema, os rendimentos são 40% menores quando comparados à agricultura convencional.

Porém, mesmo confiando neste número, defender que a agricultura convencional é melhor para o planeta do que o sistema orgânico é um erro.

“Se você observar os últimos dez anos, a produção orgânica tem aumentado rapidamente, à medida que a pesquisa sobre culturas orgânicas aumenta”, disse Jessica Shade, diretora de pesquisas do The Organic Center. “Em muitas culturas, estamos chegando a um ponto em que a diferença de rendimento é pequena ou não existe”.

Shade apontou que, embora a quantidade de dinheiro gasto em pesquisas sobre culturas orgânicas tenha aumentado, ainda é uma pequena fração dos muitos milhões de dólares investidos pelo governo e pela indústria privada para melhorar o rendimento das culturas convencionais.

Um fator crítico, que o estudo divulgado não reconhece, é como os rendimentos mudarão com o tempo.  “O estudo supõe que o rendimento da produção orgânica terá um desempenho inferior ao convencional em 40% para sempre, mas isso não é verdade”, disse Yichao Rui, cientista especialista em solo do Instituto Rodale.

“Se você continuar esgotando o solo e seu microbioma, ele não sustentará esses rendimentos convencionais ao longo do tempo, e o solo será cada vez menos resistente, o que não é bom para futuros cenários de mudanças climáticas”.

O Instituto Rodale, que tem décadas de experiência na execução de seus próprios campos de teste, não encontrou diferença significativa na produção de grãos convencionais e orgânicos, como o trigo. Ele também descobriu que o rendimento da batata orgânica e convencional é praticamente o mesmo.

“Nosso trigo orgânico não recebe nenhum fertilizante adicional, enquanto o trigo convencional recebe 70 quilos de nitrogênio e herbicidas aplicados a cada primavera”, disse Andrew Smith, cientista chefe da Rodale.

“Portanto, o cultivo de trigo convencional pode resultar em emissões de óxido nitroso ao contrário do cultivo de trigo orgânico”. Historicamente, a diferença entre os rendimentos orgânico e convencional foi fixada em cerca de 20%, um valor confirmado por um estudo de 2015, da Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos, que comparou 115 casos de rendimentos orgânicos e convencionais.

O estudo de Berkeley também concluiu que em fazendas orgânicas com mais tempo de existência a diferença de rendimento fica abaixo de 10%. Após anos de investimentos no solo, que incentivam a retenção de nutrientes, por meio da rotação de culturas, por exemplo, os rendimentos dessas fazendas orgânicas podem facilmente rivalizar com as convencionais, com a vantagem que as primeiras utilizam menos água, menos energia e usam pesticidas naturais .

O estudo que põe em xeque o potencial da agricultura orgânica também não considera o impacto que os pesticidas tóxicos têm na saúde do solo, o que influencia diretamente o rendimento das plantas.

Os agricultores da Europa, por exemplo, estão tão preocupados com o glifosato do herbicida e seu impacto no microbioma do solo que acreditam que ele representa uma séria ameaça à segurança alimentar de longo prazo do continente – algo que parece ser suficiente para desacredita este estudo do Reino Unido.

Infelizmente, temos mais uma deturpação do verdadeiro papel da agricultura orgânica no meio ambiente, incluindo sua capacidade de proteger a sustentabilidade nas próximas décadas. Muitos desses estudos – e as manchetes que geram – concentram-se apenas em resultados de curto prazo e não levam em conta como será o amanhã.

Fonte: Organic Insider, Living Maxwell, tradução, SNA

Artigo escrito por Stephanie Strom

 

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