Produtor de Orgânicos

Mel orgânico brasileiro tem valor quintuplicado nos EUA, dizem importadores

Rio, 8 de julho de 2026.

Setor argumenta que cada dólar gasto na importação de mel orgânico gera aproximadamente US$ 5,50.

A Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) defendeu, durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que o mel orgânico brasileiro seja retirado da lista de produtos que podem ser alvo de uma sobretaxa a partir de 15 de julho.

Segundo o representante da entidade, João Marcello, o Brasil ocupa uma posição estratégica no abastecimento do mercado americano e reúne características que dificultam sua substituição por outros fornecedores.

O destaque da audiência foi a participação de dois dos maiores importadores de mel orgânico dos Estados Unidos e do principal envasador do produto no país. De acordo com João Marcello, as empresas concentraram seus argumentos nos impactos econômicos que uma eventual tarifa poderia causar para a economia americana.

Segundo os participantes, cada dólar gasto na importação de mel orgânico gera aproximadamente US$ 5,50 em atividade econômica nos Estados Unidos, além de abastecer indústrias que utilizam o ingrediente na fabricação de produtos como barras de cereais, granolas e iogurtes.

Para a Abemel, a participação conjunta de exportadores brasileiros e empresas americanas fortaleceu a defesa do setor perante o comitê responsável pela investigação da Seção 301, que analisa a proposta tarifária.

A entidade afirmou que cumpriu todas as etapas previstas no processo, apresentou dados técnicos e contou com manifestações públicas de empresas dos Estados Unidos favoráveis à manutenção das importações.

De acordo com a Abemel, o mercado dos Estados Unidos consome cerca de 90 milhões de libras (aproximadamente 40 mil toneladas) de mel orgânico por ano, sendo que o Brasil responde por cerca de 75% desse volume.

Para a entidade, esse protagonismo decorre de condições naturais e produtivas que tornam o país um dos poucos capazes de atender às exigências da certificação orgânica em larga escala.

João Marcello afirmou que um dos principais diferenciais está na utilização da abelha africanizada, resultado do cruzamento entre espécies europeias e africanas. Segundo ele, esse tipo de abelha apresenta elevada resistência a doenças e, ao contrário do que ocorre em diversos países, não necessita do uso de antibióticos durante o manejo.

A característica é considerada essencial para a produção orgânica, já que a certificação proíbe o uso desses medicamentos por causa do risco de resíduos no mel.

Outro argumento apresentado ao USTR foi a disponibilidade de áreas preservadas nos biomas brasileiros, como Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. Conforme a Abemel, esses ambientes permitem que os apiários cumpram os critérios internacionais de produção orgânica, que exigem distância mínima de 3,5 quilômetros de potenciais fontes de contaminação, como áreas urbanas, lixões, postos de combustíveis e lavouras convencionais.

Segundo o representante da entidade, esses fatores tornam o Brasil um fornecedor difícil de substituir, especialmente considerando o volume demandado pelo mercado americano. “O Brasil é único nesses pontos e isso não é facilmente encontrado em nenhum outro lugar do mundo”, afirmou.

Apesar da avaliação positiva sobre a audiência, João Marcello evitou prever o resultado. Segundo ele, o setor considera que apresentou argumentos sólidos, mas a decisão final depende da análise do comitê da Seção 301 e dos demais departamentos envolvidos no processo.

O USTR deve anunciar em 15 de julho quais produtos permanecerão sujeitos à sobretaxa e quais poderão ser excluídos da medida.

Fonte: CNN Brasil

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