Produtor de Orgânicos

Mel brasileiro é valorizado no exterior

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Rio, 19 de novembro de 2014.
Mel orgânico, Breyer
Mel orgânico, Breyer

O País produz mel de excelente qualidade. Cerca de 80% do produto é destinado aos Estados Unidos e à Europa e é orgânico. “Este é o grande diferencial do mel brasileiro”. A afirmação é de Joelma Lambertucci, secretária executiva da Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel). Ela acrescenta que outros países também se destacam como importadores, tais como Canadá, Bélgica, Reino Unido e Israel.

A apicultura brasileira tem crescido em produtividade e qualidade nas últimas décadas, colocando o País como um dos polos mundiais produtores de mel e própolis. E, segundo Joelma, o mel brasileiro é reconhecido mundialmente por ser puro, livre de resíduos e referência em qualidade. “As abelhas brasileiras são africanizadas, portanto, mais ágeis e resistentes às doenças, a tal ponto de os apicultores não utilizarem medicamentos na atividade”, observa. Conforme explica, essa característica, associada à biodiversidade nacional, possibilita a produção com qualidade garantida.

A executiva da Abemel afirma que o mel brasileiro atende aos padrões de exigidos pelo mercado internacional, principalmente por sua qualidade e composição diferenciada e por não apresentar contaminação de metais pesados e de resíduos de antibióticos e agrotóxicos. “Isso se deve à localização dos apiários nacionais em áreas livres de poluição, próximas às florestas nativas”, justifica e destaca a valorização do preço médio do produto brasileiro, que em 2013 foi de US$ 3,34/kg e, este ano, US$ 3,86/kg, em 2013 (referente ao período de janeiro a setembro), um crescimento de 15,57%.

EXPORTAÇÕES

O setor tem buscado expandir suas exportações para novos mercados que estejam em busca de produtos saudáveis e ambientalmente sustentáveis. As vendas externas de mel mostram a expansão desse mercado no exterior, no entanto, o crescimento está relacionado à produção, que este ano foi afetada pela seca em várias regiões do País.

Em setembro, as exportações brasileiras de mel somaram R$ 6.554.402,oo, redução de 22,53% em relação mês anterior. No período, foram embarcados 1.647.301 kg, queda de 22,93% no mesmo comparativo. Porém, no acumulado de janeiro a setembro, o valor superou o total do ano de 2011, que foi referência para o setor. Nos primeiros oito meses de 2014, as exportações somaram US$ 80.831.376,00 e 20.962.098 kg, crescimento de 104,76% em valor e 72,97% em volume, em relação a igual período de 2013.

A Abemel tem realizado projetos e parcerias com ações voltadas para o no mercado interno e externo. “O setor tem se profissionalizado e cada vez mais o tem se posicionado como referência em produtos apícolas. As ações buscam consolidar, prospectar ou abrir mercados”, explica. “O foco é a promoção e a internacionalização competitiva da apicultura brasileira e o desenvolvimento do mercado interno, propiciando aos associados o suporte estratégico para a realização de negócios”, resume a missão da entidade.

Mel orgânico, Breyer
Mel orgânico, Breyer

PRÓPOLIS

Antibiótico natural, a própolis (produto com ação antibacteriana, antifúngica, cicatrizante, antioxidante, anestésica e imunoestimulante), também se destaca na pauta exportadora do setor.

Entre as opções que o Brasil oferece estão a própolis verde, que possui um importante ácido fenólico chamado Artepilin-C. “O principal mercado consumidor é o Japão que considera o produto brasileiro como o melhor do mundo e reconhece as propriedades, bem como as suas aplicações. Seu uso diário como suplemento alimentar permite o fortalecimento do sistema imunológico, atuando na prevenção e no tratamento de diversas doenças”, destaca Joelma.

Grande parcela da produção de mel e própolis depende das exportações e o setor tem demonstrado a capacidade exportadora para fortalecer e abrir oportunidades para ampliar a produção. “Entretanto, sabemos que ainda existe um grande potencial (flora e clima) não explorado e grande possibilidade de se maximizar a produção, o que por sua vez irá incrementar mais ainda o agronegócio apícola”, diz.

De acordo com Joelma, o País tem capacidade para produzir quatro vezes mais. Atualmente, a produção nacional alcança 50 mil toneladas anuais, mas pode chegar a 200 mil toneladas, com a ampliação e melhorias na estrutura produtiva. Joelma afirma que a melhora da capacitação, por meio de um ‘manejo adequado’, pode triplicar a produtividade média nacional, de 16 kg para 48 kg/colmeia por ano. “Atualmente explora-se apenas 15% do potencial da flora apícola. Estima-se que o Brasil tem um potencial inexplorado que geraria, pelo menos, 200 mil toneladas de mel, além dos demais produtos como própolis, pólen, cera e outros subprodutos”, calcula.

Entre as vantagens do negócio apícola Joelma cita o investimento inicial razoavelmente baixo, a boa lucratividade e rapidez na recuperação do capital inicial investido, quando comparado com outras atividades agropecuárias. “Essa possibilidade é potencializada pelas condições tropicais brasileiras e pela utilização das abelhas africanizadas, que são naturalmente saudáveis.”

Devido ao trabalho ambiental que as abelhas realizam de polinização nos produtos agrícolas, a atividade traz também indiretamente resultado econômico a outras cadeias de alimentos do Brasil.

ATIVIDADES PARALELAS

A apicultura, principalmente aquela inserida no âmbito da agricultura familiar, permite aos apicultores desenvolverem outras atividades paralelas, propiciando uma diversificação na produção e alternativa de renda. “Por isso, a atividade é, por natureza, é ideal para o pequeno e o médio produtor e tem grande potencial para auxiliar na fixação do homem no campo e na preservação ambiental dos inúmeros biomas brasileiros”, analisa Joelma.

Outro diferencial é que a atividade é exercida por pequenos produtores que encontram na apicultura um meio de sobrevivência. O país possui 350 mil apicultores. A produção ocorre durante todo o ano, com cores diversas e mel com sabores gourmet devido à variedade florística e de climas das diversas regiões que permitem apicultura migratória intensa.

Por equipe SNA/SP, Publicado em 19/11/2014

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