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Sistemas Agroflorestais com uso de Espécies Nativas

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Rio, 15 de abril de 2022.

Os desafios impostos pelas crises econômicas, ambientais e climáticas têm levado à busca por métodos alternativos de produção agrícola que possam significar disponibilidade de água, oferta de alimentos saudáveis, fertilidade natural do solo, qualidade do ar, matérias-primas e remédios, proporcionando conservação dos ecossistemas e da biodiversidade, soberania e segurança alimentar, assim como incremento de renda e qualidade de vida para as populações humanas nos próximos anos.

Historicamente, a associação entre cultivos agrícolas e florestais foi sendo aprimorada e aperfeiçoada durante milhares de anos pelos povos originários em todo o território brasileiro, adaptada às características dos diversos ecossistemas e regiões.

Esse tipo de agricultura é altamente diversificado e dispensa o uso de elementos externos, como fertilizantes e agrotóxicos, tornando- -se um verdadeiro sistema, conhecido como Sistema Agrícola Tradicional, em que as espécies nativas possuem participação fundamental.

A partir da chegada dos colonizadores europeus, e principalmente após a ascensão dos grandes senhores de terras na segunda metade do século XVIII, houve uma diminuição crescente na diversificação da produção agrícola e na integração com a floresta do território paulista, e com ela, também foram perdendo espaço os saberes e práticas tradicionais e os agricultores que as praticavam, dando lugar a culturas homogêneas, as chamadas monoculturas, insustentáveis no longo prazo e promotoras do desmatamento e da separação entre agricultura e floresta.

Atualmente, as florestas nativas, de modo geral, não são vistas como parte integrante das áreas produtivas dos imóveis rurais, ocupando principalmente as áreas menos aptas ao desenvolvimento agrícola convencional, seja devido a condições do solo, declividade e outros fatores ligados à baixa produtividade nesses locais, seja pelas restrições vindas das leis ambientais para evitar a supressão da vegetação natural.

Nesse contexto, surgem os Sistemas Agroflorestais – SAF, que resgatam aspectos dos sistemas agrícolas tradicionais e incorporam elementos altamente sofisticados provenientes das ciências ambientais, agrárias e da agroecologia, aliando conservação e uso sustentável dos recursos naturais e valorizando o potencial produtivo das formações florestais nativas, sejam elas plantadas ou naturais.

A presente cartilha deve ser encarada como uma ferramenta tanto para o agricultor que pretende integrar culturas agrícolas com espécies nativas, conforme os preceitos das legislações ambientais vigentes, quanto para os técnicos e extensionistas que possuem um papel essencial na orientação e acompanhamento dessas atividades no estado.

Nela estão descritas as possibilidades de implantação de SAF considerando especificidades como tamanho de imóvel, bioma, características do agricultor, nível de restrição das áreas dentro do imóvel, como Área de Uso Alternativo do Solo, Área de Preservação Permanente – APP e Reserva Legal, e área com presença de vegetação nativa remanescente ou natural. Esperamos que este conteúdo possa incentivar essas práticas, contribuindo para a valorização da cultura agroflorestal que aos poucos vai sendo retomada nas diversas regiões do estado de São Paulo.

 

Clique na imagem abaixo e confira publicação na íntegra:

Fonte: FAPESP

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