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Uma reflexão sobre o uso dos termos “sustentável” e “regenerativo”

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Rio, 31 de julho de 2018.
Foto: Sylvia Wachsner

Examinando como nossas atividades estão prejudicando o planeta, raramente, ou nunca, analisamos como a linguagem pode estar impactando nossa capacidade de melhorar o mundo.

O caso em questão é a palavra “sustentável” – um termo amplamente usado e mal entendido nos círculos ambientais.

Com a quantidade de carbono na atmosfera crescendo a cada dia – o que faz com que o planeta se torne mais quente e o oceano acidifique – por que  pensamos que “sustentar” essa condição é algo sobre o qual devemos nos sentir bem? Não deveríamos estar nos esforçando para algo que realmente torne o ambiente melhor?

“Precisamos mudar nosso pensamento. Se não mudarmos de idéia, o que é possível é severamente limitado”, disse Finian Makepeace, co-fundador do Kiss the ground, uma organização sem fins lucrativos voltada para a construção de solos saudáveis ​​e a promoção da agricultura regenerativa.

Quando você analisa os termos “sustentável” e “conservação”, essas palavras transmitem escassez, ou seja, temos uma quantidade finita de recursos e temos que fazer o que pudermos para preservar o que resta deles.

Não apenas isso é contrário a tudo que nos é dito sobre a importância de viver com uma atitude de abundância, mas sabemos que as condições em nosso universo físico podem melhorar e os recursos não são limitados.

É precisamente por isso que a palavra “regenerativa” precisa se tornar uma parte imediata e vital da nomenclatura quando se fala em meio ambiente.

“Se pudermos melhorar as coisas em muitos níveis, os lugares que estiveram em tormento podem ser alterados – o solo pode ser reconstruído mais rapidamente do que imaginávamos, pequenos ciclos de água podem funcionar novamente, os efeitos da seca podem se tornar quase inexistentes. A humanidade teve uma reação automática a uma expectativa degenerativa da natureza. As pessoas estão operando sob a suposição de que, para atender às nossas necessidades (comida, água, etc.), a natureza piorará quando estivermos trabalhando com ela. Isso não tem que ser o caso”, disse Finian Makepeace.

Nada é um exemplo mais claro disso do que o projeto de regeneração do Platô de Loess na China nos últimos 15 anos, conforme documentado pelo cientista do solo John D. Liu, diretor do Projeto de Educação Ambiental de Mídia (EEMP). Usando práticas regenerativas, os agricultores agora são capazes de cultivar grandes quantidades de alimentos, a paisagem antes árida é novamente preenchida com vida vegetal saudável e diversificada, e mais água é retida e absorvida pelo solo da terra.

O que os chineses – e muitos agricultores dos EUA – provaram é que, enquanto abordamos as coisas de uma maneira diferente, nossos recursos não são finitos. Mas essa nova maneira de ver o mundo deve primeiro começar com nossa escolha de palavras.

E é exatamente por isso que deveríamos abandonar o “sustentável” e começar a usar o “regenerativo”.

Fonte: Living Maxwell, texto traduzido e adaptado por Jéssica Silvano (CI Orgânicos/OrganicsNet)

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