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Manejo biológico evita perdas nos cafezais

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Rio, 30 de dezembro de 2021.

Controle de parasitas promove o aumento de produtividade na atividade

Até chegar à xícara, o cultivo do café envolve uma cadeia, desde sua produção com o cafeicultor dedicado em produzir grãos de qualidade, cooperativas, revendedoras, corretores, torrefadoras, até chegar ao consumidor final. A produção cafeeira é uma das mais importantes atividades do agronegócio no brasileiro, líder na produção mundial de café, com 46,87 milhões de sacas produzidas na safra 2020/2021, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e primeiro do ranking nas exportações.

Levantamento feito pelo Instituto Biológico indica que, caso não seja feito o controle dos nematóides nas lavouras de café, pode haver redução de até 20% da produtividade.  Segundo a engenheira agrônoma e gerente de marketing da FMC Agrícola, Marcela Borges, nos cafezais do Brasil as principais infestações são de fitonematoides dos gêneros Meloidogyne sp. e Pratylenchus sp., sendo as principais espécies os M. incognita e M. paranaensis, que afetam o sistema radicular do cafeeiro, ocasionando necroses e rachaduras, ficando com aspecto de cortiça e prejudicando as raízes principais.

Levantamento feito pelo Instituto Biológico indica que, caso não seja feito o controle dos nematóides nas lavouras de café, pode haver redução de até 20% da produtividade. Crédito: Divulgação Uai

“Já o M. exígua, penetra e forma galhas no sistema radicular, composto pelas raízes absorventes, e, em baixas populações, afetam menos a produção em comparação às demais espécies do gênero, porém, quanto maior o nível populacional e frequência de reboleiras com plantas atacadas por essa espécie, maior será o impacto na produção”, explica a especialista.

Efeitos

A ocorrência dessas espécies, segundo a engenheira agrônoma, afeta a absorção de água e nutrientes, prejudicando o desenvolvimento das plantas, que se tornam fracas, depauperadas influenciando a produtividade, chegam até a morrer.  “Outras espécies desse gênero também atacam a cultura do café, dentre elas M. coffeicola, espécie importante que danifica o sistema radicular primário, porém, por ter número reduzido de hospedeiras e baixa permanência, pode ser mais facilmente manejada”, informa.

Os nematoides Pratylenchus sp. causam lesões nas raízes e a preocupação com a ocorrência de espécies desse gênero tem aumentado nos últimos anos, por afetar mudas e plantas em produção. “A disseminação dos nematoides pode ocorrer por mudas infestadas, pelas enxurradas, trânsito de implementos agrícolas com torrões de solo contendo nematoides e trânsito de pessoas”, enumera Marcela. Ela acrescenta que, por isso, é importante o cafeicultor ter atenção aos manejos preventivos para que a população desses vermes não fique fora de controle.

A produção cafeeira é uma das mais importantes atividades do agronegócio no brasileiro, líder na produção mundial de café, com 46,87 milhões de sacas produzidas na safra 2020/2021, de acordo com a Conab. Crédito: Embrapa

Campanha

Para auxiliar no manejo, combate e cultivo do café, com o objetivo de manter a alta produtividade, qualidade e sustentabilidade, a FMC, junto a entidades do setor, lançou a campanha “Cada Grão de Café é motivo de orgulho!”, para incentivar os cafeicultores a trabalharem de forma contínua para produzir o grão de café com qualidade.

A especialista informa que existem quatro passos importantes a serem seguidos para ter eficiência no manejo integrado com o controle biológico no combate de pragas e doenças. “O primeiro deles é a amostragem. Indica-se fazer a coleta de raízes vivas, longas e o solo da rizosfera. A época chuvosa é a mais adequada para essa coleta porque é o período de ápice da população de nematoide e do desenvolvimento radicular”, explica.

Outra dica é utilizar variedades resistentes. “A renovação dos cafezais com plantio de cultivares resistentes em áreas infestadas por nematoides é importante ação para a diminuição das populações e para a produção ser menos afetada”, informa e acrescenta que, atualmente, existem cultivares de café que toleram algumas espécies de fitonematoides e são produtivas.

A rotação de cultura é uma das técnicas mais eficientes para o controle de nematoides em culturas anuais como o café. Crédito: Infobibo

“A rotação de cultura é uma das técnicas mais eficientes para o controle de nematoides em culturas anuais”, sugere como terceira dica. “Por se tratar de uma cultura perene, a rotação não é possível de ser feita, mas é possível fazer o cultivo de espécies nas entrelinhas do café, tendo o cuidado para que essas espécies não sejam hospedeiras e multiplicadoras de fitonematoides presentes na área, podendo, inclusive, fazer o cultivo de plantas antagonistas, que podem auxiliar na diminuição das populações”, acrescenta.

“A partir disso, quando conhecemos qual o nematoide está presente na área, podemos realizar de maneira efetiva a rotação de culturas, no caso de renovação dos cafezais, ou cultivo intercalar, escolhendo espécies vegetais não hospedeiras”, completa Marcela.

Por fim, segundo ela, praticar o controle biológico é uma maneira prática e eficiente de combater os nematoides. “As soluções biológicas à base de diversos microrganismos, como fungos e bactérias, principalmente bacilos, têm sido utilizadas e apresentam ótimos resultados.”

“Além de promoverem o controle, favorecem melhor desenvolvimento radicular das plantas e aumentam a atividade microbiana do solo, favorecendo a ciclagem e disponibilização de nutrientes”, analisa Marcela e alerta que, ter planejamento, e o olhar voltado para esses importantes passos, é uma maneira de combater a população de fitonematoides nos cafezais com resultados.

Fonte: Assessoria de Comunicação FMC

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