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Exemplo para o Brasil, Paraná recupera 8 mil nascentes

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Rio, 27 de outubro de 2014.
foto: divulgação

Um trabalho de recuperação de minas e nascentes de rios, realizado no Estado de Paraná, tem chamado a atenção de várias regiões brasileiras e de alguns países vizinhos. Trata-se do Projeto Água Viva, uma parceria entre a Coopavel (Cooperativa Agroindustrial de Cascavel) e a Syngenta, que já recuperou oito mil nascentes.

A iniciativa teve início em 2004, no Oeste paranaense, e já beneficiou mais de 70 municípios em 11 Estados. Somente no ano passado, foram recuperadas mais de 1 mil nascentes em quatro Estados: Paraná, Goiás, Santa Catarina e Alagoas. O grande diferencial do Água Viva é seu efeito multiplicador, pois o trabalho de recuperação das minas d’água envolve toda a comunidade do seu entorno.

“Muito mais que recuperar as nascentes, o projeto Água Viva tem objetivo social e econômico, pois trabalha para conscientizar as famílias sobre a importância de preservar os recursos hídricos existentes nas propriedades rurais, aumentando o fluxo das nascentes nesses locais, além de garantir a qualidade da água”, diz Leandro Conti, diretor de Assuntos Corporativos da Syngenta.

“Os resultados do projeto trazem melhorias na qualidade de vida, valoriza a propriedade rural, aumenta a produtividade de aves, suínos e bovinos, além de ajudar a manter as famílias no campo”, afirma Conti.

CONSCIÊNCIA

A Coopavel, por meio da Universidade Coopavel (Unicoop), disponibiliza profissionais para o desenvolvimento do projeto nas propriedades rurais, o que garante água de qualidade para os produtores e animais. Nestes dez anos, com a recuperação de 8 mil nascentes, 12 mil famílias foram diretamente beneficiadas, em 150 cidades do Brasil e Paraguai, o que gerou 160 milhões de litros de água com qualidade.

“Somente grandes projetos despertam grandes energias. O engajamento dos colaboradores da Coopavel, do produtor rural e da Syngenta cria uma consciência nas pessoas de que nós devemos buscar, cada dia mais, alternativas de abastecimento de água para as comunidades e as cidades”, explica Dilvo Grolli, diretor-presidente da Cooperativa Agroindustrial.

A nascente de número 8.000, que marcou os dez anos do Projeto Água Viva, foi recuperada na propriedade do produtor rural Sérgio Piovesan e de sua esposa, Liamar Piovesan, na cidade paranaense de Cascavel. O feito mereceu uma cerimônia com a presença de autoridades e profissionais da Coopavael e da Syngenta, além de um grupo de 40 argentinos composto por diretores e associados da Agricultores Federados Argentinos (AFA), que aprovou a iniciativa e pretende implantá-la em seu país.

O TRABALHO

O trabalho de identificação de nascentes e minas para recuperação é feito pelo gerente de filial ou engenheiro agrônomo da Coopavel, que avisa a Unicoop que, por sua vez, vai com o representante da filial para conversar com o proprietário rural para propor o projeto.

A recuperação é feita por um profissional técnico e a mão de obra é custeada pela Cooperativa Agroindustrial de Cascavel e a Syngenta. O produtor, em contrapartida, fica responsável pela limpeza externa do local e pela aquisição dos materiais (um saco de cimento, pedra ferro, terra peneirada e pedaços de cano de PVC).

Para resgatar a qualidade das nascentes e garantir que elas não se extinguirão, por causa da degradação ao seu redor, o trabalho começa com a limpeza do local até atingir o ponto onde a água brota. Então, é construída uma mureta de contenção para o reservatório, forrado com camadas de pedras, lona impermeável e terra. Este procedimento evita a possível contaminação da água.

Segundo a gerente da Unicoop, Sandra Aparecida dos Santos, trabalhar com os projetos sociais da Coopavel é altamente gratificante, pois contribuem melhorando a qualidade de vida das pessoas, por meio do desenvolvimento humano, agregando valores e estimulando a cooperação.

“Perceber a mudança positiva na vida das pessoas, com o trabalho desenvolvido com os cursos, palestras, treinamentos e projetos sociais, me estimula e motiva a continuar, a cada dia, a fazer a minha parte e fazer bem feito”, afirma Sandra.

PROBLEMA MUNDIAL

O planeta está em alerta máximo sobre o seu recurso natural mais valioso – a água -, principalmente porque as mudanças climáticas passaram a ser, atualmente, os principais responsáveis por sua escassez. Já em 2007, durante a Conferência Mundial sobre Água, realizada em Estocolmo, foram divulgados dados indicando que, em 2025, a falta de água atingirá 1,8 bilhões de pessoas no mundo e que dois terços da população também serão afetados pela sua escassez.

O Brasil tem 12% das reservas de água doce do planeta. Segundo o livro “A água é o sangue da Terra” (Gustavo Siqueira, Gigantes da Ecologia), a região Norte, com 7% da população, possui 68% da água do País, enquanto o Nordeste, com 29% da população, possui 3%, e o Sudeste, com 43% da população, conta com 6%.

A agricultura é o setor que mais consome água no Brasil – cerca de 59%. O uso doméstico e o setor comercial consomem 22% e o setor industrial fica por último, com 19% de consumo. O desperdício é uma das causas da escassez: 40% da água tratada fornecida aos usuários são desperdiçados. Cada pessoa necessita de 40 litros de água por dia, mas a média brasileira de consumo é de 200 litros.

De acordo com matéria publicada no site do Instituto Carbono Brasil, estas reservas deveriam garantir ao Brasil uma situação privilegiada no cenário mundial.

“Mas a falta de tratamento adequado para esse bem tem o tornado cada vez mais escasso. Exploração exagerada, despreocupação com os mananciais, má distribuição, poluição, desmatamento e desperdício são alguns dos fatores que comprovam o descaso com este recurso.”

Aponta também, como causadores do problema, o crescimento desordenado das cidades e a ocupação de áreas de preservação.

PIOR ESTIAGEM EM 80 ANOS

Na avaliação de Paulo Sentelhas, engenheiro agrônomo especialista em Agrometereologia da ESALQ/USP, a estiagem que atinge, sobretudo, a região Sudeste é a mais intensa dos últimos 80 anos, sem registros de precipitações intensas na época chuvosa e ainda menos na estação seca.

“Caso a seca perdure por mais tempo, e a previsão é que isso se estenda até o final de outubro, o principal efeito continuará sendo as quebras de produtividade nas culturas perenes e semi-perenes, além de atrasar sobremaneira o início da safra de verão. Consequentemente, o atraso também poderá afetar o calendário agrícola e comprometer o planejamento dos produtores”, afirma o agrônomo.

Fonte: SNA/SP

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Publicado em 27/10/2014

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