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Embrapa Meio Ambiente lança série de lives sobre bioinsumos

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Rio, 29 de julho de 2020.

Considerando o recente lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) irá reunir diversos especialistas numa série de quatro lives para discutir os principais avanços científicos no tema, bem como aspectos regulatórios que pavimentam o caminho para uma agricultura mais sustentável com o uso de bioinsumos.

A primeira, em 28 de julho, irá mostrar como os microrganismos podem ajudar a alimentar o mundo, com Rodrigo Mendes, chefe de pesquisa & desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, e Fernando Andreote, professor da Esalq/USP.

De acordo com Andreote, a produtividade e a qualidade de um cultivo dependem das variáveis que fazem parte dos pilares físico, químico e biológico. “E dentro do pilar biológico, o que se tornou destaque foi a questão do microbioma, conjunto de microrganismos que hospedam e interagem em determinado sistema, promovendo serviços ecossistêmicos como a nutrição, a reestruturação física no solo e a supressão de doenças. Com isso, o setor biológico vem mostrando todo seu potencial, tornando a agricultura mais eficiente e sustentável”, afirma o professor.

Para Mendes, muito tem se falado sobre o microbioma. “Se os microrganismos do solo, de fato, oferecem à planta uma diversidade de serviços, como nutrição, promoção do crescimento e proteção contra doenças, podemos concluir que uma boa parte da solução está neles. Basta encontrarmos a melhor estratégia para manipulá-los e então termos a resposta na planta”, destaca o pesquisador.

A regulamentação dos bioinsumos e o Programa Nacional de Bioinsumos, serão analisados em 4 de agosto, por Marcelo Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Francys Vilella da consultoria CESIS Assessoria e Treinamento Ltda., Mariane Vidal da coordenação de bioinsumos do Mapa e Amália Borsari da CropLife Brasil.

Segundo Morandi, as questões que dizem respeito à regulação, ao controle de qualidade das tecnologias de bioisumos e à segurança jurídica são base “fundamental para incentivar o investimento no desenvolvimento de inovações no setor e para garantir a confiabilidade dos produtos biológicos para o agricultor e a sociedade”.

A terceira live, em 11 de agosto abordará os avanços em bioinsumos para a agricultura, terá a moderação de Rodrigo Mendes e a participação de um time de especialistas em controle biológico da Embrapa Meio Ambiente.

O pesquisador Bernardo Halfeld Vieira irá abordar como as bactérias e leveduras podem promover o controle de doenças em plantas. “As bactérias e leveduras são organismos muito versáteis e vêm mostrando grande capacidade de aplicação como bioinsumos em diversos aspectos. Podem atuar de diversas formas, sendo uma alternativa interessante no controle de doenças. As pesquisas desenvolvidas vêm demonstrando que ativos bacterianos podem ser usados no controle de doenças causadas por bactérias fitopatogênicas. Já as leveduras vêm demonstrando resultados promissores para o controle integrado de doenças em pós-colheita, principalmente em situações onde não se toleram resíduos químicos”.

O analista da Embrapa Meio Ambiente Gabriel Mascarin falará sobre a tecnologia de fermentação líquida submersa visando à produção massal de fungos filamentosos, com ênfase em fungos entomopatogênicos e micoparasitas utilizados como bioinsumos na proteção de plantas. “Atualmente, a indústria de bioinsumos fúngicos vem procurando métodos alternativos à tradicional fermentação sólida-estática calcada no uso de cereais como substrato. Para isso, o método de fermentação líquida submersa pode ser uma opção economicamente viável às demandas da indústria por escalabilidade, eficiência, qualidade e versatilidade na produção e formulação de bioinsumos fúngicos, a exemplo de duas tecnologias já desenvolvidas para fungos entomopatogênicos e Trichoderma ”, diz Mascarin.

A pesquisadora Katia de Lima Nechet irá apresentar as ações de pesquisa relacionadas ao controle biológico de plantas daninhas, com foco no desenvolvimento de um mico-herbicida para o controle das cordas-de-viola. “Não há opção de um bioinsumo para o controle de plantas daninhas e a demanda por esse tipo de produto vem aumentando. Desenvolver um mico-herbicida envolve várias etapas de pesquisa, a começar pela escolha da planta-alvo, e muitas etapas são desafiadoras”, acredita.

Completando o time, o pesquisador Wagner Bettiol discutirá os aspectos de mercado dos agentes de controle biológico, comparando a situação do Brasil como outros países. Também abordará o aumento da disponibilidade de biopesticidas registrado no Brasil, fato que indica a aceitação dos produtos biológicos por parte dos agricultores. Além disso, vai discutir a necessidade de aumentar a disponibilidade de novos princípios ativos, isto é de novos agentes de biocontrole por parte da indústria, com destaque aos bioherbicidas, até o momento inexistentes no País.

Para falar sobre inovação e sustentabilidade no Agro, no dia 18 de agosto, foram convidados Cleber Soares, diretor de Inovação do Mapa, Itamar Soares de Melo, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e a diretoria do Centro de Expertise em Agricultura Tropical da Bayer Brasil. Os debates deste painel serão moderados por Paula Packer, chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Meio Ambiente.

Hoje, segundo Paula, a crescente demanda por soluções sustentáveis em diferentes segmentos do setor produtivo, alinhadas ao potencial da biodiversidade brasileira como fonte de material prima, balizaram as pesquisas e fomentaram a revolução de inovações no segmento de Bioinsumos, fortalecendo a Bioeconomia do Brasil.

No lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos, Cleber Soares pontua que “o setor produtivo e o mundo clamam por mais tecnologias sustentáveis. Temos na agricultura a base da nossa economia e a bioeconomia será a grande alavanca para manter o Brasil como protagonista no agronegócio global”.

O tema abordado pelo pesquisador Itamar Soares de Melo será a bioprospecção para descoberta de novos bioinsumos. Conforme Melo, “os maiores gargalos que limitam a produtividade agrícola estão relacionados aos efeitos abióticos, uma vez que estes têm sido agravados com as mudanças climáticas. Os insumos biológicos, de origem natural, em sua grande maioria, são derivados de microrganismos e de seus metabólitos e recaem em três categorias: biopesticidas, bioestimulantes e biofertilizantes. Embora tenha havido avanços extraordinários no uso de agentes de biocontrole que garantem uma agricultura menos dependentes de agrotóxicos, ainda há muito a se avançar na busca de novos agentes microbianos e na descoberta de novos bioestimulantes e biofertilizantes”.

O pesquisador reforça a importância da descoberta de novas espécies para o controle de nematoides, novos antibióticos naturais produzidos por fungos e bactérias para o controle de fitobactérias, novos bioestimulantes para proteção de plantas contra seca e salinidade e novos biofertilizantes envolvidos na solubilização de fosfato e de potássio.

Não percam essa série de lives, a partir de 28 de julho, sempre às 17h no Canal YouTube da Embrapa.

 

Cristina Tordin (MTb 28.499/SP)
Embrapa Meio Ambiente

Contatos para a imprensa

Telefone: 19 3311 2608

 

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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