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Potência em commodities agrícolas, Brasil é coadjuvante em orgânicos

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Rio, 29 de setembro de 2021.
Visita Fazenda da Toca. Itirapina. SP. Brasil. 14/06/2019, foto: Gerardo Lazzari

Se o Brasil é uma potência global em commodities agrícolas, no mercado internacional de hortifrútis orgânicos, o país é um mero coadjuvante.  

Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Embrapa concluiu que a produção orgânica de hortaliças e frutas do Brasil está bem distante da de outros países, inclusive quando comparada à de nações que têm área agricultável bem menor que a brasileira. 

No estudo “Produção orgânica e sustentabilidade”, os pesquisadores Ana Maria Resende Junqueira, João Paulo Guimarães Soares, Lucimar Santiago de Abreu, Luiz Carlos Demattê Filho e Edimar dos Santos de Sousa Junior analisaram informações de produção de dez países com importante produção agrícola distribuídos por quatro continentes e também dados globais da FAO.  

No caso das hortaliças orgânicas, a produção do Brasil perde por larga margem para a da China, 11,5 vezes maior que a brasileira, e também para países menores. Espanha e Itália, por exemplo, cultivam 4,3 e 6,4 vezes mais hortaliças orgânicas que os brasileiros, respectivamente. 

O Brasil também fica atrás no mercado de frutas orgânicas de clima tropical, no qual, teoricamente, o país deveria ir bem. A China, por exemplo, tem uma produção 10,2 vezes maior que a brasileira, e as frutas tropicais da Índia ultrapassam o Brasil em volume em 8,4 vezes. Também perdemos novamente de Espanha e Itália, onde a produção de frutas tropicais sem agrotóxicos é 2,7 e 2,5 vezes maior que a do Brasil, respectivamente. Já no caso das frutas de clima temperado, o Brasil fica ainda mais atrás de outros países, inclusive da pequena Dinamarca, que produz 1,4 vez mais frutas temperadas sem agrotóxicos que o Brasil.  

Na citricultura, o Brasil, que é líder na produção convencional, fica próximo da média no segmento orgânico. Os citricultores brasileiros produzem 1,9 vez mais que seus concorrentes americanos, mas ficam atrás dos espanhóis, que colhem 5,2 vezes mais, e dos italianos, que têm produção quatro vezes maior. 

Em outras culturas em que o Brasil é líder global na produção convencional, como açúcar e café, os pesquisadores tiveram dificuldades de encontrar dados fidedignos. No caso do açúcar, os dados dos três grandes produtores de açúcar orgânico, Native, Jalles Machado e Giasa, indicam que o país é líder desse nicho de mercado, com 61% do volume global, incluindo o açúcar feito da beterraba. Porém, os pesquisadores ressaltam que esse é um nicho que representa apenas 0,16% do mercado internacional de açúcar.  

A pesquisa também analisou a produção orgânica derivada de animais. Em alguns segmentos, foi possível estabelecer comparações internacionais, como no leite. Neste caso, a produção brasileira representa 0,09% do mercado global, com 6.8 milhões de litros. Os Estados Unidos, líderes em leite orgânico, produzem 172 vezes mais. Na Alemanha, segunda maior produtora, o volume é 122 vezes maior, e a Dinamarca produz 82 vezes mais.  

A criação de bovinos no Brasil, que se destaca na forma convencional, também está bem distante de outros produtores globais no caso do método orgânico. O rebanho bovino criado de forma orgânica no país soma 13.800 cabeças, enquanto na Europa, há 318 vezes mais cabeças de gado criados nesse sistema.  

A área ocupada pela agricultura orgânica brasileira também é consideravelmente pequena quando comparada com a de outros países. Levantamento do Research Institute of Organic Agriculture (FIBL) citado na pesquisa indica que os brasileiros dedicam 1.3 milhão de hectares de terras para o cultivo orgânico, o que corresponde a 0,50% de todas as áreas agricultáveis nacionais e a 1,80% das áreas destinadas à produção de orgânicos no mundo, que totalizam 72.9 milhões de hectares.  

A maior área de cultivo orgânico no Brasil está em assentamentos de reforma agrária do Rio Grande do Sul, vinculados ao MST. Essas lavouras fazem do país o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.  

Na avaliação dos pesquisadores, os dados indicam que “há potencial para o desenvolvimento dos sistemas orgânicos brasileiros e oportunidades para ocupar espaço no mercado internacional”. 

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Fonte: Valor 

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