O avanço dos bioinsumos e das práticas regenerativas no campo esteve no centro do webinar “Produtividade com inteligência: o novo agro dos bioinsumos e da regeneração”, realizado na úlima quarta-feira (06) pelo Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos), em parceria com o SNASH (SNA Startup Hub). O encontro reuniu especialistas, pesquisadores e representantes do setor para discutir caminhos voltados à soberania de insumos, inovação no manejo agrícola e fortalecimento de políticas públicas para ampliar o uso de soluções sustentáveis no Brasil.
Participaram do debate Rafael Garcia, CEO da Agrobiológica, e Robert Cardoso de Freitas, sócio da B4A, com mediação de Sylvia Wachsner, diretora da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e coordenadora do CI Orgânicos.
O webinar foi bastante prestigiado, incluindo a visitação de representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-RJ), do Sítio Cultivar, de diretores da SNA, a exemplo de Alberto Figueiredo – também ex-secretário de Agricultura do Rio de Janeiro, além da deep tech Small Nanotechnology e entre outras instituições ligadas à inovação e ao agronegócio sustentável.
Crescimento acelerado
Durante o encontro, os participantes destacaram o crescimento acelerado do mercado de bioinsumos, que possui projeção estimada em cerca de R$ 6,2 bilhões até 2025. Segundo os debatedores, o cenário internacional recente, marcado por crises logísticas e aumento dos custos de fertilizantes e defensivos, evidencia a vulnerabilidade da dependência externa e reforçou a necessidade de aproveitar a biodiversidade brasileira e as matérias-primas locais para ampliar a soberania nacional de insumos agrícolas.
Solo vivo
Outro tema central foi o conceito de “solo vivo”, apresentado como a base para sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. Os especialistas ressaltaram que a diversidade microbiana do solo está diretamente relacionada à nutrição vegetal, à saúde das plantas e até à qualidade dos alimentos. Entre as recomendações discutidas, foi defendida a adoção de diagnósticos integrados, iniciando por análises físico-químicas e físicas tradicionais, complementadas por análises biológicas, como metagenômica, em situações onde houver discrepâncias produtivas ou sinais de desequilíbrio.
Ferramenta estratégica
A metagenômica do solo foi apontada como uma ferramenta estratégica para mapear comunidades microbianas e identificar microrganismos benéficos, patógenos e grupos funcionais ligados à ciclagem de nutrientes, ao estresse das plantas e ao potencial de sequestro de carbono. Apesar do potencial da tecnologia, os especialistas alertaram para o desafio de transformar dados complexos em indicadores acessíveis ao produtor rural. A proposta apresentada durante o webinar foi integrar os resultados em quatro pilares principais: nutrição e ciclagem, saúde e biocontrole, emissão de carbono e resposta ao estresse.
Práticas essenciais
O debate também abordou práticas agronômicas consideradas essenciais para favorecer a microbiota do solo. Entre elas estão a correção de pH, controle da compactação e da salinidade, manutenção da matéria orgânica, uso de cobertura permanente, rotação de culturas e diversificação de plantas de cobertura. Os participantes alertaram ainda para os impactos negativos do uso excessivo de fungicidas e do acúmulo de cobre no solo, fatores que podem reduzir significativamente a diversidade microbiana.
Ao tratar das soluções disponíveis no mercado, os palestrantes observaram que os inoculantes comerciais costumam atuar como estímulos temporários, muitas vezes exigindo reaplicações frequentes. Como alternativa, foi defendida uma estratégia integrada, combinando intervenções pontuais com manejo holístico baseado em matéria orgânica, cobertura vegetal e rotação de culturas, visando maior estabilidade biológica e resiliência dos sistemas produtivos.
Resultados relevantes
Casos práticos apresentados durante o webinar demonstraram resultados relevantes na redução do uso de fungicidas e pesticidas por meio da integração entre biofungicidas produzidos on-farm, indutores de resistência e manejo integrado. Também foram citadas evidências relacionadas ao aumento do potencial de sequestro de carbono em áreas com comunidades microbianas mais estruturadas.
Regulamentação
No campo regulatório, os participantes destacaram a aprovação da Lei dos Bioinsumos em 2024, mas reforçaram a necessidade de publicação do decreto regulamentador para permitir maior operacionalização e registro de produtos. Entre as principais demandas do setor estão a agilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) na regulamentação e a criação de mecanismos que garantam acesso ao germoplasma e evitem barreiras à inovação.
Consulta pública
Como encaminhamento, os participantes defenderam maior participação na consulta pública relacionada ao decreto dos bioinsumos, ampliação de programas de extensão rural, inclusão de indicadores biológicos nos processos de monitoramento e fortalecimento de iniciativas voltadas à validação técnica de insumos conforme diferentes tipos de solo e realidades produtivas. O webinar foi gravado e ficará disponível para divulgação junto aos participantes e interessados no tema.
Clique na imagem abaixo e confira o webinar na íntegra.
Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br









