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Corrida pelo alimento carbono zero

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Rio, 14 de janeiro de 2022.
Foto: divulgação

 

Algumas embalagens dos alimentos, apresentam  no rótulo,  a data de validade, a composição nutricional ou até mesmo um selo que certifique o comprometimento do fabricante com a redução das emissões de gases de efeito estufa, pelo menos no caso das indústrias que entraram na corrida do carbono neutro. Gigantes do setor de alimentos como Danone e Nestlé vêm transformando toda a operação com esse objetivo. Empresas menores, como a NoCarbon, primeiro leite orgânico,  já nasceram com esse DNA.

A Guaraci Agropastoril produtora do leite NoCarbon fica em Itirapina (SP), dentro da Fazenda da Toca,  reconhecida como referência em alimentos orgânicos. São 4 mil litros de leite diários, envasados em dois laticínios parceiros e comercializados em alguns supermercados da capital paulista, como Casa Santa Luzia e St. Marche. As emissões de carbono que não puderem ser evitadas são compensadas com o plantio de árvores. Na embalagem do leite aparecem os selos Certified Humane Brasil (bem-estar animal), IBD (alimento orgânico) e Carbon Free (carbono zero). Para Luis Fernando Laranja, sócio da Guaraci Agropastoril, representam certificações bastante severas e de muita credibilidade. “Investimos cerca de R$ 5 milhões em desenvolvimento e lançamento da marca e nas certificações”, afirmou.

No primeiro momento, no entanto, o resultado no ponto de venda não foi o esperado. O público se aproximou somente após ter alguém ao lado dos produtos para explicar o diferencial daquele leite e o que representavam aquelas certificações. “Há um desconhecimento do consumidor sobre essa questão de mudanças climáticas, mas também existe um grande interesse”, disse Laranja.

Ao contrário do que aconteceu na loja física com o NoCarbon, no universo virtual o que não falta ao público é estímulo para lotarem as redes sociais com cobranças e questionamentos.  Segundo o diretor de Planejamento, M&A e Sustentabilidade da Nestlé Brasil, Fábio Spinelli, a internet trouxe esse poder e potencializou o acesso. “Algumas coisas fazemos porque achamos ser correto, mas outras acontecem porque o consumidor cobra”, afirmou. No ano passado, por exemplo, a empresa substituiu todas as garrafas pet de iogurte por embalagens recicladas, devido à influência dos consumidores. “Mesmo que tenha um custo adicional, é nosso compromisso.”

REDUÇÃO NA ORIGEM

A meta global da Nestlé é zerar suas emissões de carbono até 2050, e cortá-las pela metade até 2030. No Brasil a empresa tem de neutralizar 8 milhões de toneladas de carbono equivalente, de acordo com seu inventário ambiental. E o desafio começa pela fonte da principal matéria-prima da indústria, as fazendas de leite, que respondem por 45% a 50% dessa pegada. Para mudar essa realidade foi  criada o projeto Nature por Ninho, que já atende cerca de 1,5 mil pecuaristas com orientações técnicas sobre agricultura regenerativa, manejo de solo, bem-estar animal e tratamento e destinação de dejetos.

A Danone, que consome 900 mil litros de leite por dia para fabricação de seus produtos, apostou na implementação da tecnologia de integração pecuária-floresta (IPF) nas fazendas de seus fornecedores, para que estejam mais alinhadas com suas metas de neutralidade: zerar tudo até 2050 e reduzir 30% até 2030. Essa é a base do Projeto Flora, que combina recuperação de pastos e plantio de diversas espécies de árvores. De acordo com a diretora de Corporate Affairs da companhia, Cibele Zanotta, “isso aumenta a retenção de carbono no solo e ainda oferece mais sombra para as vacas, aumentando o bem-estar animal”.

Essa questão da neutralidade de carbono não é uma ação isolada. Vem sempre acompanhada de outras iniciativas voltadas à sustentabilidade. A fábrica de nutrição especializada da Danone, em Poços de Caldas (MG), tem certificação Carbon Trust, que atesta também redução do uso de água e zero resíduo para aterro. A empresa conta ainda com o reconhecimento Benefit Corp (B-Corp), que certifica o padrão elevado de desempenho social e ambiental, transparência e responsabilidade legal. Segundo Cibele, há um impacto direto nos negócios. “Cerca de 50% de nosso faturamento já é proveniente dessa certificação”, afirmou.

Leia a noticias completa, fonte: Istoé Dinheiro

 

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