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Após perder tudo, ela deu a volta por cima e hoje vende orgânicos para chefs famosos

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Rio, 22 de maio de 2019.

Em 2011, tudo estava indo bem no negócio da empreendedora de Fátima Anselmo, 55 anos. Ela havia transformado uma produção caseira de orgânicos em um negócio conhecido no Rio. Entre seus clientes estavam chefs famosos, como o francês Claude Troisgros e a brasileira Roberta Sudbrack. Mas uma chuva forte e repentina levou sua produção e os seus sonhos para longe. Ela não só perdeu o que estava plantando como viu 70% de sua terra se tornar improdutiva.

Mas Fátima não estava disposta a desistir. Encontrou um novo espaço, recuperou o solo que parecia perdido e recomeçou quase do zero.

Hoje, o Orgânicos da Fátimafatura R$ 2 milhões vendendo legumes, inclusive em versões “mini”, para cerca de 100 restaurantes e hotéis.

Além de chefs famosos, nomes como Copacabana Palace e Fasano aparecem entre os clientes. “Quando você acredita no seu sonho e é apaixonado por ele, você consegue superar qualquer tempestade”, diz ela.

Fátima Anselmo, do Orgânicos da Fátima (Foto: Divulgação)

Primeiras sementes
O trabalho com os produtos orgânicos começou por um interesse próprio. Fátima deixou o Ceará para morar em Petrópolis (RJ) com o marido e os filhos nos anos 2000.

Cercada de agricultores e preocupada com a alimentação da família, decidiu começar a aprender a plantar. Depois, viu no hobby uma oportunidade de criar um negócio. Ela e o esposo começaram a vender a produção em feiras e diretamente a clientes.

Mas as vendas não renderam o dinheiro esperado no início do negócio. Foi quando ela decidiu recorrer a uma lista telefônica. “Eu comecei a ligar para as pessoas para oferecer uma cesta de legumes de graça. Na época, tinha que explicar o que era um produto orgânico”, diz ela. A proposta era que, se gostassem da amostra, os clientes poderiam comprar as próximas cestas para abastecer suas casas.

Orgânicos da Fátima (Foto: Divulgação)

A ideia rendeu uma clientela crescente ao negócio. Mas foi depois de começar a usar a mesma estratégia com chefs e restaurantes da lista que ele deslanchou de verdade. Foi dessa forma que Fátima chegou a Claude Troisgros, até hoje um grande parceiro da empresa. “Ele começou a divulgar muito os meus produtos e sempre falava sobre ‘os orgânicos da Fátima’. Por isso eu decidi adotar esse nome”, diz a empreendedora.

Por água abaixo
Com o boca a boca, o negócio foi ficando mais conhecido. Mas uma forte temporada de chuvas que atingiu a região serrana do Rio em 2011 acabou com a maior parte do sítio de Petrópolis. “As terras viraram areia e eu não conseguia mais produzir”, relembra a empreendedora.

Ela, então, decidiu recomeçar. Alugou outro espaço menor, iniciou uma produção com menos escala e passou as fazer as entregas por conta. Um dia, enquanto fazia um dos percursos de madrugada, foi assaltada. Levaram seu carro e suas mercadorias, o que fez com que seu então marido quisesse que eles desistissem de tudo.

Orgânicos da Fátima (Foto: Divulgação)

“Eu estava exausta, mas tinha certeza de que era isso o que eu queria fazer. Aí, tive a ideia de procurar um lugar mais próximo à cidade”, afirma. Foi no Google Maps, passando o mouse pelo mapa do Rio de Janeiro, que ela encontrou o que queria. “Eu vi um espaço verde enorme e logo fiquei imaginando um monte de estufas e plantações”. Fátima foi até o local, conversou com o dono e acabou acertando o aluguel.

Foi lá que a retomada começou de verdade. A empreendedora aumentou sua produção ao mesmo tempo em que recuperava o solo do primeiro sítio. Hoje, cinco anos e muito cuidado depois, o terreno em Petrópolis voltou a dar frutos. A propriedade complementa as produções e as vendas.

Orgânicos da Fátima (Foto: Reprodução/Instagram)

Antes do primeiro sítio ser danificado, Fátima tinha 15 restaurantes como clientes. Agora, a empresária atende cerca de 100. Considerando buffets e eventos, são de 200 a 300 clientes frequentes.

A empresa também mantém um serviço de assinatura de cestas de legumes, com cerca de 150 assinantes. “O desastre acabou se trasnformando em uma coisa boa. Com o novo sítio, fiquei no Rio e mais perto dos meus clientes”.

+ Orgânicos geram R$ 4 bilhões de faturamento no ano passado

Potencial
A experiência no sítio menor também rendeu outra direção para a empresa: a produção de “minilegumes”. Eles ocupam menos espaço, passam menos tempo na terra e ainda suprem uma demanda dos chefs mais refinados. “Eles são mais macios e dão uma beleza ao prato, já que são usados inteiros”, explica a fundadora. As flores comestíveis também entraram para o portfólio e dão uma cara diferente a pratos.

Orgânicos da Fátima (Foto: Reprodução/Instagram)

Hoje, o Orgânicos da Fátima vende uma tonelada de produtos todos os meses.

Além da divulgação entre clientes, a popularização dos orgânicos têm sido um grande impulsionador. “Meu sonho é continuar crescendo, mas não só pelas vendas. Eu quero que esse conceito cresça e desperte novos talentos para a agricultura”.

Fonte: Revista PEGN

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