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20 de novembro de 2017 | 15:15Voltar

Supermercados passam a rastrear hortigranjeiros através do programa Rama

Foto: Sylvia Wachsner (CI Orgânicos/OrganicsNet)

O segmento chamado de FLV (frutas, legumes e verduras), responsável por 9% do faturamento dos supermercados gaúchos, passará a ter um novo aliado na garantia de qualidade dos alimentos. Através do programa Rama será possível rastrear o alimento desde a sua produção, além de realizar uma análise posterior dos itens. O Rama é uma iniciativa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) lançada recentemente no estado com a adesão da entidade gaúcha do setor (Agas), com o objetivo principal de baratear o custo desse tipo de ação para cada rede participante e, com isso, contribuir para a difusão da prática.

“Algumas empresas já vinham atuando com iniciativas isoladas nesse sentido, mas agora poderemos estender à toda cadeia”, afirma o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo. As análises dos alimentos, que custam atualmente entre R$ 600,00 e R$ 800,00 por amostra para os supermercados, terão uma drástica redução de custo: cada rede que optar por participar do programa pagará R$ 12,00 por mês por checkout (por exemplo, se a loja possuir 10 caixas, pagará 10 vezes esse valor).

Segundo o presidente da Agas, essa iniciativa facilitará a entrada dos pequenos e médios estabelecimentos no mundo da rastreabilidade. A entidade espera que em um mês 50 empresas gaúchas entrem no programa. Em seis meses, Longo espera que a adesão chegue a 20% das companhias do setor no estado. Atualmente, apenas o Carrefour e o Comercial Zaffari (grupo com sede em Passo Fundo) participam do Rama, implementado nacionalmente desde 2011. Outras redes, como o Walmart e a Cia. Zaffari (com sede na Capital), possuem iniciativas próprias com os mesmos objetivos.

Desenvolvido desde 2006 a partir da demanda de órgãos de defesa do consumidor, o Rama apenas foi efetivado cinco anos mais tarde e conta hoje com a participação de 47 redes de supermercados no Brasil. A grande maioria delas localizam-se nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Sergipe que, assim como a Agas, também aderiram em bloco por meio de suas associações regionais.

Segundo Giampaolo Buso, diretor da Paripassu (empresa gestora do programa), a ideia central é interligar todos os elos de forma circular, ou seja, de maneira que todos tenham contato entre si. “O conceito é relativamente simples, o desafio é conseguir implementar em uma cadeia extremamente pulverizada como essa”, comenta Buso.

A base do Rama é a rastreabilidade ainda na produção dos alimentos, com os produtores, intermediários e supermercados incluindo todas as informações sobre os itens em um sistema interligado. Depois, são coletadas amostras de produtos para análises de conformidade com as normas vigentes. A vantagem é que, quando encontrado algum problema, é possível vasculhar todo o caminho do alimento e a origem da irregularidade, e o produtor recebe um prazo de 30 dias para a elaboração de um plano de correção.

Marcio Milan, superintendente da Abras, acrescenta que, garantindo a segurança alimentar, os varejistas conseguem agregar valor às suas vendas. “Temos o exemplo dos produtos orgânicos, que são mais caros, mas o consumidor aceita pagar por isso”, afirma. Milan conta que a participação dos FLV no faturamento do setor no país, que era de 6,4% em 2012, já chegou a 9,1% em 2016 – e é de 10,5% entre os participantes do Rama. O programa tem como metas para 2020 aumentar a participação desses produtos a até 12% das vendas do setor, além de reduzir o desperdício, hoje em 6,25%, para 5,1%. A expectativa é de, até lá, alcançar 20% dos supermercados brasileiros e chegar a 100% dos fornecedores das lojas.

Fonte: Jornal do Comércio

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