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21 de agosto de 2017 | 02:32Voltar

Oficial da FAO Brasil apresenta seminário sobre agricultura orgânica

Agricultura orgânica no Sitio Catavento, em São Paulo. Foto: Sylvia Wachsner

O agrônomo italiano Marcello Broggio, oficial da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO Brasil, apresentou um seminário sobre tendências e problemáticas da agricultura orgânica no Brasil e no mundo. O seminário, realizado na última quinta-feira (20),  teve como objetivo fomentar o debate entre pesquisadores e analistas da Embrapa Hortaliças (Brasília/DF) sobre os aspectos conceituais relativos à produção orgânica quando comparados a outros sistemas de produção.

De acordo com os números apresentados, 1,1% da área agrícola mundial são dedicados à agricultura orgânica certificada, em número absoluto esse valor totaliza 50,9 milhões de hectares. Na América Latina, há 6,7 milhões de hectares, o equivalente a 13% da área agrícola do continente. Segundo Broggio, os países latino-americanos com maior número de produtores orgânicos são México, Peru e Paraguai.

O mercado de produtos orgânicos movimentou, no ano retrasado, mais de 75 bilhões de euros, indicando claramente um aumento da demanda dos consumidores. Entre os países com os maiores mercados estão Estados Unidos (€35,8 bi), Alemanha (€8,6 bi) e França (€5,5 bi). Mas, outros países também vem se destacando nesse cenário, entre eles a Espanha, com uma expansão de mercado de 24,8% de 2014 para 2015, a Dinamarca, com 8,4% da fatia de mercado para produtos orgânicos e a Suiça, país que possuí o maior valor per capita (por cabeça/indivíduo) gastos com alimentos orgânicos.

“Todos esses números revelam que há uma tendência de aumento em todas as dimensões: área cultivada, número de produtores e mercado. Fica evidente que as produções e os mercados mais expressivos estão em países desenvolvidos, em especial na Europa”, afirma o agrônomo, sugerindo que isso se deve tanto pela população com renda mais elevada e maior grau de escolaridade, quanto pela existência de uma maior sensibilização da massa para a importância da qualidade do alimento. E continua, “observamos que, na Europa, a preferência por orgânicos está diretamente relacionada à certificação que garante a ausência de agrotóxicos e de transgênicos”.

O agrônomo italiano Marcello Broggio, oficial da FAO Brasil, durante a apresentação do seminário sobre agricultura orgânica. Foto: Paula Rodrigues/Embrapa

Broggio expôs os quatro princípios da agricultura biológica – saúde, ecologia, justiça e precaução – e traçou um paralelo entre diferentes sistemas de produção, frisando ser necessária a observação dos lucros e rendimentos, assim como os  indicadores socioeconômicos que ainda são mal documentados. O agrônomo afirma que “geralmente, o que acontece é uma comparação que leva em conta somente o desempenho produtivo alcançado nos diferentes sistemas produtivos. Porém, há uma gama de  indicadores que precisam ser computados como sequestro de carbono, biomassa microbiana do solo, uso de pesticidas e combustíveis fósseis, aporte de nutrientes minerais, entre outros”.

“A FAO tem um proposta de intensificação sustentável, por meio do programa ‘Save and Grow’, cujo desafio é buscar novos modelos e colocar a produção e o consumo de alimentos em um patamar mais sustentável”, afirma o agrônomo ao explicar como a FAO está inserida nessa problemática citada, já que é a agência especializada da ONU encarregada de assegurar às pessoas o acesso regular a alimentos de boa qualidade, contribuindo assim para a erradicação da fome. Broggio destaca ainda que os cenários futuros exigirão que pesquisadores agropecuários tracem outros caminhos para os sistemas de cultivo, a gestão da água e do solo, a proteção animal, entre outros fatores.

Fonte: Embrapa

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