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21 de agosto de 2017 | 02:32Voltar

O que realmente significa a aquisição da Whole Foods pela gigante Amazon

Imagem: Reprodução / Internet

No último dia 16 de junho, a Amazon, gigante do varejo online, anunciou a compra da cadeia de supermercados Whole Foods Market, em um negócio avaliado em mais de US$13 bilhões. Os professores da Harvard Business School Jose Alvarez, ex-presidente e CEO do varejista Stop & Shop, com quase 20 anos de experiência na indústria de supermercados, e Len Schlesinger, vice-presidente executivo e COO do restaurante Au Bon Pain, profissional que pesquisa estratégia, empreendedorismo e mudança organizacional, fizeram uma análise sobre essa compra e o que ela realmente significa para os consumidores.

Jose Alvarez: “Um bom negócio”

Para Jose Alvarez, se for executada de maneira correta, essa junção pode representar um grande negócio para a Amazon, permitindo que a empresa reduza a logística da entrega de alimentos, o maior obstáculo do e-commerce nos Estados Unidos. Essa aquisição dará a Amazon mais de 400 locais físicos estratégicos que podem ser acoplados à Amazon Fresh, o serviço de entrega de compras da empresa. Essas lojas possibilitariam os consumidores a pegar seus mantimentos, eliminando os enormes custos de entrega da Amazon. O acordo possibilitará ainda, que a empresa adquira a experiência necessária para se firmar de vez no ramo dos alimentos perecíveis.

Por outro lado, a Amazon pode ajudar a Whole Foods a comprar produtos de alta qualidade de uma maneira mais rentável, melhorando assim os preços dos produtos e mantendo os clientes satisfeitos. O grande problema da Whole Foods é comercializar produtos com um elevado valor e apenas atingir um nicho de mercado, impossibilitando uma concorrência com as demais redes.

Outra peça importante desse negócio será a atuação do fundador e CEO da Whole Foods, John Mackey.

Para Jose Alvarez, a Amazon usará as lojas da rede Whole Foods como uma experiência para suas muitas inovações, como por exemplo, a Amazon Go e garante que esse será um bom negócio para a Amazon, mas ainda melhor para os consumidores.

O Amazon Go é um novo conceito apresentado pela empresa de Jeff Bezos: um estabelecimento sem caixas para pagamento, inteligente o bastante para saber o que você pegou e efetuar a cobrança no momento em que você deixa a loja. Você chega no supermercado e utiliza seu smartphone para autenticar sua entrada (com um QR Code). A partir daí você pode pegar tudo o que precisa ou deseja, o Amazon Go sozinho adiciona os itens ao seu carrinho virtual. Em caso de arrependimento basta colocar no lugar e o item é removido. Não é necessário retirar o smartphone do bolso ou da bolsa em momento algum. Terminadas as compras, é preciso apenas sair da loja. Uma vez fora o Amazon Go finaliza a compra e efetua a cobrança diretamente na sua conta de usuário. (Fonte: Meio Bit)

Len Schlesinger: “Trata-se de um conflito de culturas, que precisará ser gerenciado”

Para Len Schlesinger o fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos, desde a criação da empresa expressou o seu desejo de vender “de tudo, para todos, em todos os lugares”,  e essa vontade ficou explícita diante dos últimos lançamentos, como o Amazon Fresh e a tecnologia Amazon Go.  A evolução da Amazon em várias categorias tem deixado isso claro, representando uma reinvenção contínua do varejo. A partir disso, Schlesinger defende que a Amazon irá trabalhar para melhorar o preço dos produtos vendidos na rede Whole Foods, atraindo novos clientes, que não compravam na rede devido ao elevado valor dos produtos. Os varejistas estão descobrindo o poder de canais físicos e virtuais, que interagem perfeitamente em apoio aos clientes e a Amazon começou a testar essa lógica a partir do investimento em livrarias físicas. A proposta de aquisição da Whole Foods torna evidente essa tendência, oferecendo oportunidades extraordinárias para a experimentação e execução do varejo integrado.

Para Schlesinger, a questão mais interessante nesse negócio seriam as diferentes abordagens dos clientes da Amazon, e os clientes com noções de um “capitalismo consciente” da rede Whole Foods, buscando um conjunto mais equilibrado de compromissos entre os clientes, funcionários, comunidade e investidores. E esse representaria, em tese, um dos primeiros desafios para ambas as partes nesse acordo. Para Schlesinger  trata-se de um negócio extremamente emocionante e que, como observador ativo do varejo, está ansioso para saber quais reais inovações esse acordo irá gerar.

A opinião dos CEO’s e fundadores de empresas do setor de orgânicos

Para Jeff Church, CEO e co-fundador da Suja Juice, a aquisição é vista como um grande negócio. Segundo ele, o mercado de orgânicos tem crescido consideravelmente e essa aquisição apenas valida o orgânico como o futuro do mercado e explica que nos EUA, atualmente, apenas uma pequena porcentagem das vendas de alimentos é de orgânicos, no entanto, mais de 45% da população do país tenta incluir esses produtos em seus hábitos alimentares. A compra da Whole Foods pela Amazon, pode ajudar a tornar esse cenário cada vez mais sólido, oferecendo orgânicos a preços justos para a população em geral, com o aumentio dos pontos de venda físicos. Jeff afirma ainda que a Amazon foi a escolha perfeita para realizar essa aquisição, já que agora se tem John Mackey, da Whole Foods que liderou o movimento orgânico no país, juntado-se com Jeff Bezos, responsável por mudar a maneira como os consumidores realizam suas compras, dando a eles uma experiência realmente satisfatória.

“Esta é uma notícia emocionante para a indústria de alimentos orgânicos. A Amazon está colocando a maior aposta até agora, que este é o futuro da alimentação. Esse movimento provavelmente irá acelerar o crescimento da nossa indústria, incluindo a expansão da agricultura orgânica.”

Galit Laibow, CEO e Co-fundador da Foodstirs

Arran Stephens, fundador da empresa Nature’s Path, enxerga essa compra como um “território inexplorado”, mas acredita que a Amazon tenha sido a melhor escolha diante de uma venda inevitável, que caso fosse feita a um revendedor gigante de alimentos poderia ter concentrado muito poder em uma só entidade do ramo, o que não seria bom para o consumidor.

“Esta aquisição permitirá que mais consumidores tenham acesso a alimentos frescos e orgânicos, o que é um grande benefício para a indústria e uma vitória para os consumidores. Os Millennials estão fazendo compras de uma forma muito diferente e sua demanda está levando o e-commerce a se tornar uma potência no setor varejista.”

Sheryl O’Loughlin, CEO da REBBL

O presidente da Annie’s, John Foraker, destaca que a aquisição poderá favorecer as marcas ecológicas que estão surgindo a partir da oferta online desses produtos. Para ele, o negócio deve permitir que marcas orgânicas cheguem a todos os cantos do país e, eventualmente, do mundo. Algo visto com extrema importância, afinal entrar na prateleira dos varejistas a nível nacional tem sido, até o momento, caro e desafiador.

John destaca que uma das maiores questões ainda não analisadas sobre a combinação Amazon/Whole Foods, é o potencial que isso terá sobre questões de segurança alimentar, ou seja, o acesso e disponibilidade em comunidades pobres e mal atendidas. Segundo ele, existem milhões de americanos sem acesso a alimentos saudáveis, que encontram uma grande variedade de “Cheetos” e de cigarros, mas que praticamente não encontram um tomate orgânico sequer nos supermercados que tem a sua disposição.

“A rede de distribuição da Amazon emparelhada com o compromisso cultural da Whole Foods com alimentos saudáveis ​​será poderosa. Eu acho que o compromisso da Whole Foods com uma alimentação saudável, bem como sua capacidade de conduzir preços mais baixos e acessíveis, oferece um potencial incrível para ajudar a resolver esse difícil problema social”, afirma John.

“O sucesso no panorama de varejo dinâmico de hoje está diretamente ligado à experiência online do consumidor e ao conteúdo inovador. Os padrões de compras estão mudando rapidamente. Eu acredito que a aquisição da Whole Foods irá motivar as marcas de alimentos/bebidas orgânicas a reestruturar o gasto comercial e a atividade promocional, e adotar estratégias digitais, deixando de lado os anúncios tradicionais, feitos com tijolo e argamassa.”

Daniel Sullivan, CEO e fundador da Temple Turmeric

Já John Roulac, CEO e fundador da Nutiva, vê a aquisição com uma certa preocupação. “Para as marcas orgânicas, o acordo terá altos e baixos. A consolidação da indústria coloca mais poder nas mãos de um gigante bastante forte, que combina comércio eletrônico e varejo. Será um concorrente grandioso”, e completa, “este acordo também acelerará a pressão dos preços. Pequenas marcas podem ter se dado bem na Amazon, mas as marcas menores tiveram dificuldade em entrar na Whole Foods ultimamente, já que a compra se tornou mais centralizada.  A prateleira de varejo vai ser um ambiente mais difícil, a menos que as marcas ofereçam muita inovação à mesa”, analisa.

Entenda a aquisição

A Amazon, empresa transnacional de comércio eletrônico dos EUA, chegou a um acordo definitivo para adquirir a Whole Foods Market, maior cadeia de varejo de alimentos orgânicos e naturais do país. A operação, anunciada no dia 16 de junho, soma um valor aproximado de US$ 13,8 bilhões, incluindo a dívida líquida da Whole Foods.

Para John Mackey, co-fundador da Whole Foods e presidente da rede varejista, o acordo representa “uma oportunidade para maximizar o valor dos acionistas da Whole Foods, ao mesmo tempo em que amplia a nossa missão e eleva a qualidade, experiência, conveniência e inovação para nossos clientes”.

A Amazon informou que a Whole Foods Market continuará a operar lojas com a marca, manterá a sua rede de fornecedores e parceiros e John Mackey continuará como presidente da companhia.

A conclusão da transação está sujeita à aprovação dos acionistas da Whole Foods Market e também dependerá da aprovação de órgãos regulatórios e outras condições habituais de fechamento. A expectativa da Amazon é concluir a operação ainda no segundo semestre deste ano.

Fontes: Valor EconômicoHarvard Business School e Living Maxwell

Tradução livre feita por Jéssica Silvano – CI Orgânicos/OrganicsNet – Sociedade Nacional de Agricultura (SNA)

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