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21 de agosto de 2017 | 02:22Voltar

Jornal denuncia empresa de leite vendido como orgânico nos EUA

Imagem: Reprodução/Internet

“Nós tomamos com muito orgulho o compromisso com o orgânico e nossa habilidade de cumprir com os rigorosos critérios das regulações orgânicas do USDA”, é o que diz a propaganda da empresa Aurora Organic Dairy, que possui um grande complexo de pastagens no estado do Colorado e produz o leite que abastece marcas importantes como Walmart, Costco, entre outros grandes varejistas. Mas, o jornal Washington Post publicou essa semana uma reportagem apontando problemas na produção do chamado leite orgânico nos Estados Unidos.

“Um olhar mais próximo para a Aurora e outras grandes operações destaca uma fraqueza crítica no pouco ortodoxo sistema de inspeção que o Departamento de Agricultura – USDA usa para certificar que a comida é realmente orgânica”, afirma a reportagem do Washington Post.

O mercado de orgânicos dos Estados Unidos tem, atualmente, mais de US$ 40 bilhões em vendas anuais, além de incluir produtos importados de mais de 100 países.

No que diz respeito à fiscalização dessa indústria, o USDA permite que os produtores paguem e contratem seus próprios inspetores para certifica-los como “Orgânico USDA”.

Quando o assunto é a produção de leite orgânico, um tema bastante crítico está relacionado à pastagem. Para que a produção orgânica de leite seja feita de maneira correta, as vacas devem pastar durante o tempo de crescimento e não devem ser confinadas em estábulos ou outras instalações. Esse método é considerado natural e alteraria os componentes do leite de uma forma considerada benéfica.

Segundo a Aurora, a maioria dos animais fica fora dia e noite para pastar. Mas, durante as visitas do Washington Post, algo diferente foi observado. O número de vacas pastando não ultrapassou algumas centenas (a empresa possui cerca de 15 mil animais no local). De acordo com a reportagem, em nenhum ponto havia mais de 10% do rebanho pastando ao ar livre. Uma foto de satélite, feita em alta resolução, tirada em julho pelo Digital Globe, mostrou a mesma realidade. Apenas algumas centenas pastando.

Sonia Tuitele, porta-voz da Aurora, afirmou que a situação nas visitas do Washington Post foram atípicas. “Os requisitos do Programa Nacional Orgânico do USDA permitem uma grande variedade de práticas de pastagens”, afirma ela, em defesa da empresa.

Testes conduzidos pela Faculdade Virginia Tech para o Washington Post, mostram que o leite da Aurora se tratava de leite convencional, como em outras 2.000 amostras, ou seja, não orgânico. Em resposta, a porta-voz afirmou que os testes podem ser resultados isolados.

A publicação contatou inspetores que visitaram a Aurora e que haviam concedido a certificação orgânica à empresa. Foi conduzida uma auditoria, depois da temporada de pastagem em novembro, o que significa que durante a auditoria anual, os inspetores não teriam visto se as vacas realmente estavam pastando como deveriam.

“Nós esperávamos que os inspetores fossem ao local durante a temporada de pastagem”, admitiu o chefe do Programa Orgânico Nacional do USDA. E, afirmou ainda, que os requisitos de pastagem “são uma conformidade crítica de uma operação pecuária orgânica”.

O preço do leite com a certificação “Orgânico USDA” é quase o dobro do valor do leite tradicional e, os consumidores pagam achando que estão levando um produto diferenciado para casa. Somente no ano passado, as vendas do leite orgânico nos Estados Unidos somaram cerca de US$ 6 bilhões.

Problema com o leite orgânico não é novo

Há cerca de 10 anos atrás, um grupo de consumidores realizou uma denúncia contra a Aurora. O USDA multou a empresa por uma violação intencional dos padrões orgânicos, mas não houve nenhuma punição além dessa.

Em visitas realizadas a sete grandes companhias orgânicas do Texas e do Novo México, um repórter do Washington Post presenciou locais de pastagem vazios. E nessas fazendas ainda houve uma agravante: nenhum teste químico foi realizado.

“Mais da metade do leite orgânico vendido nos Estados Unidos vem de companhias muito grandes, que não tem intenções de seguir os princípios orgânicos”, afirmou Mark Kastel, do Instituto Cornucopia, uma associação que representa os produtores orgânicos de Wisconsin.

O “Orgânico USDA” foi criado em 2000 como selo de qualidade nas embalagens de comidas nos Estados Unidos. De lá para cá, o mercado de orgânicos cresceu de US$ 6 bilhões para US$ 40 bilhões em 2015.

Fonte: Agrolink

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